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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Escoliose Cerebral

FREDERICO PARADELA DE ABREU


A escoliose define-se como um desvio da coluna vertebral para um dos lados. As actividades que fazemos ao longo da vida podem potenciar esse desvio. Quem estiver familiarizado com a silhueta do tenista Rafael Nadal captará bem a noção das assimetrias provocadas pelo uso que damos ao nosso corpo. Tomados de forma isolada, facilmente se atribuiria o seu braço esquerdo a um lutador de Jiu Jitsu, na categoria de peso pesado, e o direito a um bibliotecário que recentemente se inscreveu num ginásio por recomendação do seu médico. O problema é que estas duas «personagens» musculares, bastante distintas, estão ligadas à mesma estrutura e isso interfere com o seu bom funcionamento a longo prazo.

É normal que haja sempre um lado mais desenvolvido do que o outro, um destro dará inconscientemente preferência ao braço direito para executar uma panóplia de actividades rotineiras ao longo da sua vida, como levar o saco das compras, lavar os dentes, et cetera. Contudo, existem estilos de vida que conduzem para um desalinhamento e assimetria da coluna vertebral acentuados podendo degenerar em dor e desconforto muscular, deficiências respiratórias, entre outros malefícios. Não mata mas mói.

Passando agora para o órgão mais misterioso do corpo humano, onde nestes últimos anos se tem descoberto novas e surpreendentes evidências sobre ele. Digo surpreendentes porque realmente quem pagou uma operação para retirar o apêndice deve estar surpreendido por ele afinal ser preciso. Mas deixemos isso agora. Passemos antes para o segundo órgão mais misterioso do corpo humano: o cérebro.

O cérebro está dividido em dois hemisférios, esquerdo e direito, cada um responsável por determinadas funções. Contudo, as novas experiências neste campo têm vindo a questionar a tese de que os hemisférios cerebrais possuem uma divisão de tarefas rígida, sendo portanto um processo interactivo entre ambos mas mantendo a lateralização nos domínios em que cada metade é especialista. Aliás, estamos a falar de uma área em que as evidências científicas que existem são frágeis e facilmente temos de manhã uma evidência a dizer que é por ali, e à tarde, no próprio dia, termos outra a dizer que afinal é por acolá – semelhante às alterações de governo durante a Primeira República mas sem tanto aparato – Portanto, tudo o que for aqui dito vale enquanto valer.

O hemisfério esquerdo processa de forma lógica, racional, analítica, funcional. Pensa sequencialmente – reconhece ocorrências em série. Exemplos de funções seriais desempenhadas pelo hemisfério esquerdo são as actividades verbais como falar, compreender o discurso de outras, ler e escrever. Por seu turno, o hemisfério direito processa de forma simultânea, contextual, sintética, metafórica e estética. Apreende a realidade em termos holísticos – reconhece padrões e interpreta as coisas simultaneamente. É responsável por compreender o significado das emoções e expressões não-verbais. Inúmeros estudos demonstram que o hemisfério direito está incumbido de perceber as metáforas. Imaginemos que recebe uma carta nos dia dos namorados de alguém a dizer que vai “abrir o coração para si”. Graças ao hemisfério esquerdo foi capaz de ler a frase contida na carta mas pode agradecer ao hemisfério direito por fazer com que não entre em pânico julgando que o remetente acabou de espetar uma faca no seu próprio peito para que você pudesse espreitar o interior do coração dessa pessoa, pois é o hemisfério direito o responsável pelo decifrar de que aquela frase é o anúncio de uma declaração de amor e não um convite para um novo e bizarro hobby da moda: heartwatching – Peço encarecidamente aos cibernautas com queda para o satanismo que não abandonem o exercício retórico em que aquele conceito foi criado e não o tornem «uma coisa», por favor.

Sendo que cada hemisfério é especializado em certas áreas, as actividades ligadas as esses domínios desenvolvem maioritariamente o hemisfério que é chamado a intervir. Ao ler estarei a trabalhar maioritariamente o hemisfério esquerdo e ao desenhar estarei a trabalhar maioritariamente o hemisfério direito, por exemplo. Posto isto, e com o eco da linha de pensamento supracitada (lá bem supra no texto) ainda bastante audível, facilmente inferimos que as actividades que fazemos ao longo da vida podem contribuir para uma assimetria entre hemisférios podendo degenerar em escoliose cerebral.

E isto é preocupante? Epá… é. Uma escoliose cerebral para o lado esquerdo dá origem a uma existência fria sem emoção, semelhante à das máquinas, e uma escoliose cerebral para o lado direito gera uma realidade histérica e disfuncional incapaz de criar o seu próprio manual de instruções de sobrevivência. Quem precisar de evidências para aceitar esta tese basta convidar um contabilista para ir tomar café ou tentar organizar um evento de relativa complexidade com um indivíduo de belas-artes.            

Tal como a escoliose normal, a escoliose cerebral também causa dor e desconforto (deficiências respiratórias ainda não houve registo de algum caso clínico) mas neste contexto em vez de nos músculos é na mente. E isso torna tudo muito mais delicado porque a mente é terreno intangível e portanto mais difícil de tratar mas também de diagnosticar. A escoliose cerebral também não mata mas mói porém se calhar era preferível que matasse porque assim receberia a devida atenção. As pessoas falham o diagnóstico porque habituam-se à redução dos padrões de bem-estar mental e emocional, acomodando-se a essa realidade «moída». O hábito gera tolerância.

Com base nos estudos do INEI (Instituto Nacional de Estatísticas Inventadas), as estatísticas dizem-nos que 3 em cada 5 portugueses sofrem de escoliose cerebral. Ora os números são assustadores mas mais assustador é o facto de uma das principais causas ter na génese do seu propósito o desígnio oposto. O ensino público português forma todos os anos milhares de «Rafaeles Nadales» cerebrais. Porquê? Porque dedica mais tempo e atenção às disciplinas que trabalham com o hemisfério esquerdo: Português, Matemática, etc., negligenciando as restantes.

Esta conversa não é nova, e tão-pouco é minha intenção dizer que o hemisfério esquerdo é um vilão opressor do hemisfério direito. Mas a verdade é que há na sociedade uma enorme assimetria estrutural para o lado esquerdo. Mas se há, ainda bem que é para o lado esquerdo, se fosse para o lado direito estávamos tramados. Os relógios derreteriam e nenhum transporte público chegaria a horas, os aviões não estariam sincronizados e as buzinas dos carros emitiriam excertos de textos humorísticos a cada apitadela, entre outros surrealismos insustentáveis para a vida gregária de animais verbalizadores. Se bem que seria giro imaginar um pintor a chegar ao ponto de saturação pela falta de rotina, atirando o pincel e a palete ao chão, gritando veemente “Basta! Fini cette merde!”, e saindo a correr do seu ateliê em direcção à primeira loja Armani que encontrasse, vestindo um bom fato, sacrificando o conforto da sua traqueia com genuíno prazer através da utilização de uma gravata, e, libertando-se do mundo desregrado e desconexo onde trabalhava há já mais de 30 anos, indo perseguir o seu sonho de criança de ser banqueiro, trabalhando com um horário e salário fixos, vivendo de forma estável e pacata.

Em jeito de conclusão para esta reflexão sobre as assimetrias cerebrais poderia inserir uma máxima (em itálico) sobre o «equilíbrio» ou poderia coligir uma mão cheia de estudos de várias áreas, capitaneadas pela Psicologia, para dar força à mensagem de que o equilíbrio é a chave do bem-estar mental e emocional mas a verdade é que ao longo das nossas vidas fomos acumulando evidências estatísticas de dias e dias de acordar de manhã e ir viver acontecimentos e experiências que demonstram que o equilíbrio é mesmo a chave de tudo. Combater a escoliose cerebral é acumular mais uma evidência aos resultados dessa investigação científica em que todos trabalhamos diariamente chamada: existência.      


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Não perguntes por quem os sinos dobram, eles dobram por ti

FREDERICO PARADELA DE ABREU


Nenhum homem é uma ilha, escreveu John Donne. Pois as diferentes áreas do saber também não devem ser ilhas. A insularidade intelectual não tem cabimento nos tempos actuais quando vivemos em sistemas abertos e extremamente voláteis.



No mapa mundi do conhecimento, vermos nitidamente determinada geografia mas olharmos para o lado e vermos tudo escuro é potencialmente das situações mais perigosas em termos de tomada de decisão e interacção com os diversos agentes do ecossistema laboral, pois essa nitidez afunilada trará falsa confiança (e até arrogância) à nossa leitura de determinada situação. Essa escuridão são os limites do nosso conhecimento. Aqui, digo: entra depressa nessa noite escura – só assim conseguiremos alargar o nosso mapa. Todos os elementos estão ligados entre si, afectando e sendo afectados, formando a grande rede de conhecimento. A tendência de compartimentarmos as diferentes áreas pode enevoar a nossa noção de interdependência das mesmas. Nada é sozinho, tudo é sistémico.



Quem quiser seguir o caminho da especialização (estrita) que o faça consciente de que se está a enfraquecer e que se tornará, isso sim, um especialista em tomar más decisões e não propriamente um especialista na área em que se decidiu isolar. Nada é sozinho, tudo é sistémico.



Tirar, por exemplo, uma licenciatura em Marketing e depois um mestrado em Marketing é das decisões mais absurdas que se pode tomar porque não irá acrescentar novas competências e noções às suas capacidades e acabará por cair na armadilha da nitidez afunilada. Se os títulos académicos forem frequentados na mesma instituição de ensino então deliberadamente oficializam a estagnação. Cada instituição de ensino tem o seu próprio mindset, a sua maneira de interagir com o conhecimento e com o mundo. Quanto mais essa idiossincrasia for diferente da nossa, maior é o crescimento profissional. Não há que temer o contraste, antes pelo contrário. Além do mais, em qualquer conjunto de pessoas (empresas, escolas, associações, grupo de amigos, et cetera) criam-se vícios que são indetectáveis aos «insiders». Dinâmicas que se cristalizam dentro de cada sistema e que tipicamente são anti-benéficos, ou até mesmo maléficos, sendo muito difícil ganhar-se consciência delas. Estes vícios são inerentes a qualquer sistema social, é possível fazer-se frente a eles mas são como ervas daninhas que, de x em x tempo, acabam sempre por voltar. O truque é mudar o contexto com regularidade.



Fazê-lo (repetir a área de formação) sob o desígnio de seguir a carreira académica desembocará a média prazo (quando estiverem a leccionar as suas unidades curriculares) em mais iatrogenia no ensino em Portugal. A empatia (cuja Psicologia define como a capacidade de compreender a perspectiva psicológica do outro) é fundamental para exercer qualquer actividade de forma integrada e realmente proveitosa para sociedade. A melhor maneira será, certamente, a de compreender a perspectiva do outro através da formação em áreas diferentes do background de base. O truque é mudar o contexto com regularidade.



Quem quiser fortalecer-se profissionalmente (entre as várias consequências deste fortalecimento a mais tangível será provavelmente a progressão na carreira), mude de cargo, mude de departamento, mude de área, mesmo que seja temporariamente, o regresso será robusto. O saldo entre o tempo em que não esteve a ganhar a experiência no seu antigo trabalho e o desenvolvimento de aptidões e noções da nova área é sempre positivo*. O cruzamento das perspectivas das diferentes áreas engrandece a nossa capacidade de trabalho e o nosso output. Na qualidade de pessoa não formada na área da medicina, creio que esta ideia de «cruzamento» poderá estar ligada ao facto de não ser o número de neurónios que determina os nossos dotes cerebrais mas sim o número de ligações (sinapses) entre eles. O cruzamento de perspectivas melhora o resultado.   



Num plano mais macro, a teoria de David Ricardo (luso descendente), sobre a especialização, é perigosa porque deixa os países altamente vulneráveis a mudanças de circunstâncias. Se as pessoas deixarem de consumir vinho (não pensem que este cenário é assim tão improvável, basta observar o comportamento dos consumidores ao longo dos tempos) ou se surgir outra praga, cujo impacto seja semelhante ou maior que o da filoxera, Portugal, caso tivesse depositado todos os seus esforços nesta especialização, ficaria devastado e sem armas para se defender ou, usando uma linguagem na linha do contexto, sem vantagens competitivas. Isto é válido também para regiões. O turismo em Sintra tem vindo a crescer fortemente e ainda há muito potencial para ser aproveitado. Se a Câmara Municipal de Sintra apostar exclusivamente no sector do turismo e este sofrer uma quebra, a economia da região quebrará com ele. O ecletismo combate a dependência.



Individualmente, ser ecléctico estimula-nos a explorar diferentes caminhos. Cada caminho trabalha-nos de forma única mas o seu desenvolvimento espalha-se sobre os demais. Esta é a linha de pensamento que tem vindo a ser desenvolvida até aqui. Mas o outro aspecto benéfico do ecletismo advém da criação de uma diversidade de caminhos que resulta em menor vulnerabilidade caso as coisas não corram bem num deles. O ecletismo combate a dependência. 



Num plano menos profissional, creio que uma actividade saudável para sairmos da nossa ilha passa por nos relacionarmos com todo o tipo de pessoas – todo o tipo. Sejam curiosos, façam perguntas, e liguem a escuta activa. Isto ajuda-nos a ver como essas pessoas (que têm diferentes percursos de vida) captam, de forma diferente, a mesma realidade. Não fiquem introvertidos por irem a festas em que só conhecem o aniversariante (mas preparem uma desculpa de salvaguarda caso não estejam a divertir-se muito – o que acontecerá muito menos vezes daquilo que expectavam), são oportunidades formidáveis para privarmos com pessoas de backgrounds bastante diferentes do dos nossos círculos de amigos. O cruzamento de perspectivas melhora o resultado.    



* ”Sempre?! Mas quem és tu para falares com essa convicção?!? Meu zé-ninguém sem experiência!” – Anónimo com experiência profissional mas que provavelmente sofre de nitidez afunilada.

Resposta: Procura olhar para o conteúdo da ideia e não para o cargo ou status da pessoa.



Estilo de rima emparelhado:



A – Nada é sozinho, tudo é sistémico



A – Nada é sozinho, tudo é sistémico



B – O truque é mudar o contexto com regularidade



B – O truque é mudar o contexto com regularidade



Estilo de rima interpolado



A – O cruzamento de perspectivas melhora o resultado



B – O ecletismo combate a dependência



B – O ecletismo combate a dependência



A – O cruzamento de perspectivas melhora o resultado


sábado, 15 de março de 2014

Anos de 35 dias

FREDERICO PARADELA DE ABREU

Nós podíamos todos viver até ao ano de 2500, bastava apenas que a contagem deixasse de ser feita pelas voltas que a Terra dá à volta do Sol e se passasse a contar pelas nossas resoluções de novo ano. Resoluções para 2014: Temos os clássicos – deixar de fumar (duração: 6 dias); perder peso (duração: 26); etc. Temos os projectos de vida – voltar a estudar (duração: 36 dias); escrever um livro (duração: 35 dias); etc. Se grande parte das nossas resoluções para o ano de 2014 já terminaram há algum tempo, então, em que ano que estaremos agora?
Porém, este grande feito – de viver 500 anos – levanta um problema. É que para termos conseguido viver até ao ano 2500 teremos de usar como calendário a duração das nossas «resoluções anuais», só que isso irá afectar as gerações de 2500, cuja contagem é feita pelo movimento de translação, porque nós não fizemos História. Ao não termos prosseguido com as resoluções pelo tempo que estava inicialmente determinado (365 dias) nós não inscrevemos o nosso presente na História (Obviamente, que, para efeitos de fazer História, não me refiro aos «clássicos» mas, ainda assim, é provável que continuar a fumar reduza as hipóteses de fazê-la). Agora imaginem o que será das gerações de 2500 quando não puderem invocar a História porque, pura e simplesmente, nós não a criámos. Claro, que também não a queremos criar para que as gerações desse ano se sirvam dela como forma de consolo para alguma espécie de síndrome de inferioridade se as coisas estiverem a correr menos bem na altura. Esperemos que elas compreendam que lá por nós termos feito História hoje (caso cumpramos com as nossas resoluções), não significa que eles (caso não tenham cumprido com as suas resoluções) vão ser um País que deve ser tratado como «alguém» que faz a diferença.     
Portanto, apetrechem-se dos instrumentos necessários que está na hora de inscrever o presente na História, aliás, já passa um pouco da hora mas – sem descurar a atenção que temos que dar a essa peste1 que assombra Portugal – mais vale tarde que nunca. E toca de encher o quarto, ou escritório, ou sala, de fotografias de referências ou ícones da nossa vida. Estejam eles vivos ou mortos, sejam eles longínquos ou familiares. Não acredito que não tenham um familiar, Mãe, Pai, Tia, Avô, que não tenham orgulho de pôr em grande numa fotografia na parede do vosso quarto? Façam um poster dessa fotografia! Façam papel de parede dessa fotografia e forrem o vosso quarto com ela! (Isto já é estúpido. E como sei que o leitor ao escutar [através dos olhos] as minhas galvanizantes palavras já estava a ponderar em passar no AKI ao fim da tarde para comprar papel de parede, peço-lhe que não realize este último ponto sob pena de vir a ter problemas futuros nas relações pessoais íntimas).   
[Se me dão licença tenho de me despedir de grande parte dos meus amigos que vão interromper a leitura do texto ao terceiro parágrafo sob a decisão: «Depois leio o resto». Um «depois» infinito e intemporal que nunca se materializa. Obrigado pela vossa atenção]   
Agora, caro leitor, não pense que isto é só vir para aqui mandar bitaites e depois estou no sofá a meter likes no Facebook como se não fosse nada comigo. Aliás, se estou a fazer uso da palavra terei de forçosamente dar exemplo. E como tal refiro que uma das minhas resoluções para o ano de 2014 foi a de inserir a «escrita» como parte activa na minha vida. Todos já frequentámos as reuniões dos Procrastinadores Anónimos, uns mais do que outros, e certamente voltaremos a frequentá-las ao longo da nossa vida, a questão aqui prende-se com a consciência de que a concretização isolada das resoluções de cada um terá um impacto enorme na História do nosso país. E não é necessariamente obrigatório termos uma resolução igual à que aquele rapaz madeirense teve há uns anos atrás: «Este ano vou lutar para ser o melhor jogador de futebol do mundo», mas há sempre um mínimo olímpico que temos de impor às nossas capacidades, sob pena de falharmos com o nosso orgulho. Ou querem ser tratados abaixo das vossas capacidades? Não quero ouvir mais ninguém a chegar a um estabelecimento e a pedir «cafezinhos», «bolinhos», e «suminhos», a partir de agora é: “Desculpe, queria um cafezão!”, e se por acaso vos responderem com um “Queria? Já não quer?” vocês levantam-se e vão lá servir-se porque entraves haverá sempre mas o único verdadeiramente impeditivo somos nós próprios.  





  (1)O insecto Laxismu-pontuallys é uma espécie endémica de Portugal que todos os anos ataca milhões de portugueses.