segunda-feira, 24 de junho de 2013

Veraneando

LUÍS MOTA FILIPE









Veraneando…
Cortei as correntes da tristeza,
Soltando-me das amarras da solidão,
Que me prendiam como garras,
E abrindo as asas em gestos de liberdade,
Respirei a teu lado…juntos saudando a maresia,
Viajando encantado sobre as ondas da amizade.
O baloiçar das marés ditava os acordes,
Enquanto raios de Sol coloriam a melodia,
Também as nossas palavras alindavam o poema,
Aquele poema que dava vida à mais quente canção,
Com a qual nós dois brindamos a chegada daquele Verão.


domingo, 23 de junho de 2013

Uma crítica ao desenvolvimento local/regional, por Gonçalo Salvaterra

GONÇALO SALVATERRA


Atualmente o desenvolvimento ocupa um lugar de destaque nas nossas preocupações modernistas. Especialmente no que toca à atribuição do sentido ao termo «desenvolvimento» enquanto produto social e histórico. Esta preocupação não é assim tao antiga, ela é recente no plano pós-modernista. A crítica dominante à conceção de desenvolvimento está baseada na industrialização, urbanização, burocratização e aos seus efeitos pouco desejados: deterioração ambiental, concentração urbana, desertificação rural e fracasso nas tentativas de reduzir as desigualdades socio-económicas. Tendo isto em conta é fundamental e urgente ultrapassar a ideia etnocêntrica, conservadora, economicista e historicista de desenvolvimento, que tem tido lugar hoje nas reflexões e ações relativas ao desenvolvimento (Froehlich, 1998). Neste sentido urge apontar (Lopes, 2001) em Desenvolvimento Regional. Simões Lopes afirma que as questões de Desenvolvimento devem possuir um caracter interdisciplinar, “ não há questões exclusivamente económicas; poucas haverá que sejam exclusivamente sociais. Não há um «espaço» económico que o seja isoladamente. O próprio «espaço» social, se isolado, seria demasiado restritivo”  (Lopes, 2001). Este autor defende que as causas nunca são estritamente económicas como muitas vezes vemos parecer através dos meios informativos, mas sim causas de cunho social, naturalmente com aspetos económicos, sociológicos, demográficos, políticos, institucionais, técnicos, culturais, etc. O autor aponta a visão global da economia sobre uma região como uma falha, afirmando que esta peca por ser demasiado ampla e vaga, tem que incidir na categoria «espaço» e não menosprezá-la como muitas vezes o fazem. Outro fator de mudança passa pela interdisciplinaridade, a economia não pode ser o único fator condicionante da administração local/regional, ela tem que ser complementada, os problemas nunca são estritamente económicos, antes de tudo eles são problemas sociais com aspetos económicos, sociológicos, demográficos, políticos, institucionais, técnicos, culturais, etc.

Temos que compreender que o desenvolvimento tem que ver com as pessoas- as gentes que nos lugares habitam - o desenvolvimento não é meramente quantitativo como muitas vezes nos fazem querer, ele ocupa também um grande caracter qualitativo. É aqui que as alterações nos planos de desenvolvimento devem incidir, estas medidas a pouco e pouco vão sendo introduzidas, mas não chega, é necessário políticas mais fortes de ligação entre a terra o povo e a entidade que pretende explorar a determinada localidade com a finalidade de perceber e aplicar as questões que o desenvolvimento deve impor- o equilíbrio, a harmonia e a justiça social- cuja verificação pertence á organização espacial da sociedade.

É tempo de abandonarmos a visão positivista de que a urbanização e a industrialização são os indicadores de desenvolvimento. O desenvolvimento é o abstrato que num determinado espaço pertencente a uma determinada população é considerado pela mesma, isto é, são as gentes do lugar que devem definir o que é para elas desenvolvimento.
Estudante de Antropologia
 

Bibliografia
Featherstone, M. (1990). Moderno e Pós Moderno: definições e interpretações sociológicas. Sociologia. Problemas e Práticas , pp. 93-105.
Froehlich, J. M. (Maio/Dezembro de 1998). O "Local" na Atribuição de Sentido ao Desenvolvimento . Revista Paraense  do Desenvolvimento , pp. 87-96.
Lopes, A. S. (2001). Desenvolvimento Regional. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.
Robertson, R. (1999). Globalização: teoria social e cultura global. Petropolis: Editora Vozes.


sábado, 22 de junho de 2013

Sintra Project

RICARDO PINTO



Sintra Project é um disco que foi gravado ao vivo em Lisboa no auditório das telecomunicações, no âmbito do festival dos Oceanos difundido em directo pela antena 2, a interpretação é a cargo do grupo de jazz de Ricardo Pinto Quinteto e editado pela label FEWG Records.


Dedicado à mágica vila de Sintra e aos ambientes marcados por uma densidade única, que inspiraram o compositor e deram origem ao seu universo musical neste disco, em Sintra Project a sua música atravessa o jazz, com especial ênfase no jazz europeu, passando por componentes de música para filme.

Ricardo Pinto é o compositor de todas as músicas, além de Ricardo Pinto, no trompete e flugel, participam neste álbum Bruno Margalho, no saxofone alto, Daniel Bernardes ao piano, António Quintino no contrabaixo e Rui Pereira na bateria.

Em baixo, um clip desse álbum



E também, clip duma actuação na Quinta da Regaleira


Desde 1998, Ricardo Pinto tem vindo a participar em vários projectos e concertos, de Jazz e outros estilos musicais, entre os quais se destacam:
2008 Lançamento do primeiro disco dos Kumpania Algazarra onde é musico residente desde o começo.

Gravações e participações ao vivo em discos e concertos dos “ Blasted Mechanism” , Terrakota, “Filarmonic Weed”, Cacique 97, “Room 74”, Bordel, N´gola Jazz entre outros.

2007 Concerto na abertura da “Lux jazz sessions” numa homenagem a Miles Davis com o Dj Johnny, Kalaf entre outros, ainda com este projecto teve a participação no Outjazz.

2007 Concerto no Lux jazz sessions num projecto orientado por Dj Johnny , com a participação de Toni Bruaim no sax tenor e Eduardo Lala dos Lume no trombone.

2007 Participação no Festival Outazz no Sudoeste com os Yeti Project

2006 Segunda participação dos Yeti Project no Outjazz em Lisboa (Jardim da Estrela).entre outros locais de Lisboa.

2005 Frequentou o curso de música do Hot Club Portugal, em Lisboa, tendo aulas de trompete com João Moreira, Pedro Madaleno, entre outros.

2003 “Sintra Jazz Ensamble” no CCB (espaço das 19h as 21h)

2000 Com a mesma formação, participou no concerto de apoio ao “Seixal Jazz”

1999 Seminário de Jazz em Sevilha orientado por Perico Sambeat; Mike Philip Mossman ; Edward Simon ; Ben Monder ; Adam Cruz entre outros. Workshop no Estoril Jazz orientado por Al Galper e Jack Wallrat. Bolsa de Estudo para a “Berklee College of Music”

1998 Participação com os “Sintra Jazz Ensamble” no Festival de música realizado no palco do Bojador.

1996|98 Frequentou a escola de música “Acorde Comigo” sendo orientado por nomes como: Pedro Madaleno; Mário Delgado; Miguel Gonçalves; Alexandre Dinis; Yuri Daniel; José Menezes entre outros.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Sintra, nha terra emprestada, como qui un terra di meu

ANA MARTINS


Perguntam-me no balcão de Sintra a minha graça. Mircia, respondi, crioula criada na Serra das Minas. Conheço o caminho da Segurança Social e do Centro de Emprego, mas não o dos palácios e dos poetas. Nha mãe? Veio trabalhar para Portugal era eu pequenita, quedei-me com os tios Mindelenses e só vim para Sintra reunir-me com nha mãe, já a família tinha crescido. Nha mãe pediu que eu fosse: “Nha mocinha bunita, fica li com nos família!” (minha menina bonita, fica aqui com a nossa família!), para que tomasse conta de meus irmãos. Viajei para cá com a roupa do corpo e un pidid pa Dêus deixa'm trazê nha cavaquinho, quel mesm ônde nha avô tocava en sês tocatinas. E eu trouxe.

Mas fiz a escola, esse crescimento não me foi negado, e sei que o cansado mas carinhoso abraço maternal chegou para todos.

Sempre que venho à vila é para pagar uma conta atrasada, dar um recado, entregar documentos, ou como agora, vir pedir trabalho. Estar em Sintra, tem um saborzinho diferente, e hoje trago o meu cavaquinho para antes de ir, sentar-me no jardim e tocar um pouco.

Sim, eu conheço o caminho para os travesseiros, mas nunca entrei no Olga Cadaval.

(Ana Martins)



Ana Martins nasceu em Lisboa, Alvalade, no último dia de Verão do carismático ano de ‘63 quando surgem os Beatles e desaparece JFK.  Acredita que de um escritor deve saber-se o que escreve não o que diz, pensa ou é.

Contudo rende-se, já neste século, às novas tecnologias e privilegia o contacto e interactividade com seus leitores através das redes sociais.

Sempre escreveu, nunca poemas, mas cartas a amigos e diários em cadernos de textos intermináveis, rabiscados como esquissos de promissoras telas nunca pintadas.

Recusa com veemência escrever de acordo com o Acordo Ortográfico actualmente em vigor.

Colabora para diversos blogs e revistas, e tem quatro livros publicados:    “EVO (ou amar para sempre) ” 2011 ; “Mal Me Quero” 2010 ; “Autista, quem…? Eu?” 2006 ; “Contos de Verão” 2004

Ana Martins adora inventar personagens credíveis e dar-lhes continuidade. Não lhes impõe prazos de validade: vivem o tempo que tem de viver, o que têm de viver. Neste blog propõe-se dar cor, voz e alma a alinhavos de figuras ficcionadas menos óbvias que deambulam por Sintra.