Veraneando… Cortei as correntes da tristeza, Soltando-me das amarras da solidão, Que me prendiam como garras, E abrindo as asas em gestos de liberdade, Respirei a teu lado…juntos saudando a maresia, Viajando encantado sobre as ondas da amizade. O baloiçar das marés ditava os acordes, Enquanto raios de Sol coloriam a melodia, Também as nossas palavras alindavam o poema, Aquele poema que dava vida à mais quente canção, Com a qual nós dois brindamos a chegada daquele Verão.
Atualmente o desenvolvimento ocupa um lugar de destaque
nas nossas preocupações modernistas. Especialmente no que toca à atribuição do
sentido ao termo «desenvolvimento» enquanto produto social e histórico. Esta
preocupação não é assim tao antiga, ela é recente no plano pós-modernista. A
crítica dominante à conceção de desenvolvimento está baseada na
industrialização, urbanização, burocratização e aos seus efeitos pouco
desejados: deterioração ambiental, concentração urbana, desertificação rural e
fracasso nas tentativas de reduzir as desigualdades socio-económicas. Tendo
isto em conta é fundamental e urgente ultrapassar a ideia etnocêntrica,
conservadora, economicista e historicista de desenvolvimento, que tem tido
lugar hoje nas reflexões e ações relativas ao desenvolvimento (Froehlich,
1998).
Neste sentido urge apontar (Lopes, 2001) em Desenvolvimento Regional. Simões Lopes afirma
que as questões de Desenvolvimento devem possuir um caracter interdisciplinar,
“ não há questões exclusivamente económicas; poucas haverá que sejam
exclusivamente sociais. Não há um «espaço» económico que o seja isoladamente. O
próprio «espaço» social, se isolado, seria demasiado restritivo” (Lopes, 2001). Este autor defende
que as causas nunca são estritamente económicas como muitas vezes vemos parecer
através dos meios informativos, mas sim causas de cunho social, naturalmente
com aspetos económicos, sociológicos, demográficos, políticos, institucionais,
técnicos, culturais, etc. O autor aponta a visão global da economia sobre uma
região como uma falha, afirmando que esta peca por ser demasiado ampla e vaga,
tem que incidir na categoria «espaço» e não menosprezá-la como muitas vezes o
fazem. Outro fator de mudança passa pela interdisciplinaridade, a economia não
pode ser o único fator condicionante da administração local/regional, ela tem
que ser complementada, os problemas nunca são estritamente económicos, antes de
tudo eles são problemas sociais com aspetos económicos, sociológicos,
demográficos, políticos, institucionais, técnicos, culturais, etc.
Temos que compreender que o desenvolvimento tem que ver
com as pessoas- as gentes que nos lugares habitam - o desenvolvimento não é
meramente quantitativo como muitas vezes nos fazem querer, ele ocupa também um
grande caracter qualitativo. É aqui que as alterações nos planos de
desenvolvimento devem incidir, estas medidas a pouco e pouco vão sendo
introduzidas, mas não chega, é necessário políticas mais fortes de ligação
entre a terra o povo e a entidade que pretende explorar a determinada
localidade com a finalidade de perceber e aplicar as questões que o
desenvolvimento deve impor- o equilíbrio, a harmonia e a justiça social- cuja
verificação pertence á organização espacial da sociedade.
É tempo de abandonarmos a visão positivista de que a
urbanização e a industrialização são os indicadores de desenvolvimento. O
desenvolvimento é o abstrato que num determinado espaço pertencente a uma
determinada população é considerado pela mesma, isto é, são as gentes do lugar
que devem definir o que é para elas desenvolvimento. Estudante de Antropologia
Bibliografia
Featherstone,
M. (1990). Moderno e Pós Moderno: definições e interpretações sociológicas. Sociologia.
Problemas e Práticas , pp. 93-105.
Froehlich, J. M. (Maio/Dezembro de 1998). O
"Local" na Atribuição de Sentido ao Desenvolvimento . Revista
Paraense do Desenvolvimento , pp.
87-96.
Lopes, A. S. (2001). Desenvolvimento Regional.
Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.
Robertson, R. (1999). Globalização: teoria social e
cultura global. Petropolis: Editora Vozes.
Sintra Project é um disco que foi gravado ao vivo
em Lisboa no auditório das telecomunicações, no âmbito do festival dos Oceanos
difundido em directo pela antena 2, a interpretação é a cargo do grupo de jazz de Ricardo Pinto Quinteto e editado
pela label FEWG Records.
Dedicado à mágica vila de Sintra e aos ambientes marcados por
uma densidade única, que inspiraram o compositor e deram origem ao seu universo
musical neste disco, em Sintra Project
a sua música atravessa o jazz, com especial ênfase no jazz europeu, passando
por componentes de música para filme.
Ricardo Pinto é o compositor de todas as músicas, além de
Ricardo Pinto, no trompete e flugel, participam neste álbum Bruno Margalho, no
saxofone alto, Daniel Bernardes ao piano, António Quintino no contrabaixo e Rui
Pereira na bateria.
E também, clip duma actuação na Quinta da Regaleira
Desde
1998, Ricardo Pinto tem vindo a participar em vários projectos e concertos, de Jazz e
outros estilos musicais, entre os quais se destacam:
2008 Lançamento do primeiro disco dos Kumpania Algazarra onde é musico residente desde o começo.
Gravações e participações ao vivo em discos e concertos dos “ Blasted Mechanism” , Terrakota, “Filarmonic Weed”, Cacique 97, “Room 74”, Bordel, N´gola Jazz entre outros.
2007
Concerto na abertura da “Lux jazz sessions” numa homenagem a Miles
Davis com o Dj Johnny, Kalaf entre outros, ainda com este projecto teve a
participação no Outjazz.
2007
Concerto no Lux jazz sessions num projecto orientado por Dj Johnny ,
com a participação de Toni Bruaim no sax tenor e Eduardo Lala dos Lume
no trombone.
2007 Participação no Festival Outazz no Sudoeste com os Yeti Project
2006 Segunda participação dos Yeti Project no Outjazz em Lisboa (Jardim da Estrela).entre outros locais de Lisboa.
2005
Frequentou o curso de música do Hot Club Portugal, em Lisboa, tendo
aulas de trompete com João Moreira, Pedro Madaleno, entre outros.
2003 “Sintra Jazz Ensamble” no CCB (espaço das 19h as 21h)
2000 Com a mesma formação, participou no concerto de apoio ao “Seixal Jazz”
1999
Seminário de Jazz em Sevilha orientado por Perico Sambeat; Mike Philip
Mossman ; Edward Simon ; Ben Monder ; Adam Cruz entre outros. Workshop
no Estoril Jazz orientado por Al Galper e Jack Wallrat. Bolsa de Estudo
para a “Berklee College of Music”
1998 Participação com os “Sintra Jazz Ensamble” no Festival de música realizado no palco do Bojador.
1996|98
Frequentou a escola de música “Acorde Comigo” sendo orientado por nomes
como: Pedro Madaleno; Mário Delgado; Miguel Gonçalves; Alexandre Dinis;
Yuri Daniel; José Menezes entre outros.
Perguntam-me no balcão de Sintra a minha graça. Mircia,
respondi, crioula criada na Serra das Minas. Conheço o caminho da Segurança
Social e do Centro de Emprego, mas não o dos palácios e dos poetas. Nha mãe?
Veio trabalhar para Portugal era eu pequenita, quedei-me com os tios
Mindelenses e só vim para Sintra reunir-me com nha mãe, já a família tinha
crescido. Nha mãe pediu que eu fosse: “Nha mocinha bunita, fica li com nos
família!” (minha menina bonita, fica aqui com a nossa família!), para que
tomasse conta de meus irmãos. Viajei para cá com a roupa do corpo e un pidid pa
Dêus deixa'm trazê nha cavaquinho, quel mesm ônde nha avô tocava en sês
tocatinas. E eu trouxe.
Mas fiz a escola, esse crescimento não me foi negado, e sei
que o cansado mas carinhoso abraço maternal chegou para todos.
Sempre que venho à vila é para pagar uma conta atrasada, dar
um recado, entregar documentos, ou como agora, vir pedir trabalho. Estar em
Sintra, tem um saborzinho diferente, e hoje trago o meu cavaquinho para antes
de ir, sentar-me no jardim e tocar um pouco.
Sim, eu conheço o caminho para os travesseiros, mas nunca
entrei no Olga Cadaval.
(Ana Martins)
Ana Martins nasceu em Lisboa, Alvalade, no último dia de
Verão do carismático ano de ‘63 quando surgem os Beatles e desaparece JFK. Acredita que de um escritor deve saber-se o
que escreve não o que diz, pensa ou é.
Contudo rende-se, já neste século, às novas tecnologias e
privilegia o contacto e interactividade com seus leitores através das redes
sociais.
Sempre escreveu, nunca poemas, mas cartas a amigos e diários
em cadernos de textos intermináveis, rabiscados como esquissos de promissoras
telas nunca pintadas.
Recusa com veemência escrever de acordo com o Acordo
Ortográfico actualmente em vigor.
Colabora para diversos blogs e revistas, e tem quatro livros
publicados: “EVO (ou amar para sempre) ” 2011 ; “Mal Me Quero” 2010 ; “Autista,
quem…? Eu?” 2006 ; “Contos de Verão” 2004
Ana Martins adora inventar personagens credíveis e dar-lhes
continuidade. Não lhes impõe prazos de validade: vivem o tempo que tem de
viver, o que têm de viver. Neste blog propõe-se dar cor, voz e alma a alinhavos
de figuras ficcionadas menos óbvias que deambulam por Sintra.