segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Apontamentos para a história de vida de um sintrense (século XVI)


CARLOS MANIQUE

Lourenço Correia Ribeiro nasceu em Sintra, nos meados do século XVI. Era filho de Simão Dias e de Inês Correia Ribeira, também eles naturais de Sintra. Porventura, o pai era o mesmo Simão Dias que figura como provedor da Santa Casa da Misericórdia de Sintra nos anos de 1569-1570, 1575-1576, 1579-1580 e 1583-1584 (Silva, 1997). A tratar-se desse indivíduo, era bisneto de André Gonçalves, almoxarife de Sintra e primeiro provedor da Misericórdia local.

A história de vida de Lourenço Ribeiro tem alguma singularidade e interesse, justificando o presente apontamento histórico. Em larga medida, a minha narrativa basear-se-á nos dados publicados por Silva Marques (1949).

O percurso de vida de Lourenço Ribeiro conhece maior notoriedade na sua aventura por terras do Oriente. Na verdade, em abril de 1586, parte para a Índia na armada de D. Jerónimo Coutinho, vindo a falecer em Macau, em 14 de fevereiro de 1598.  Nesse período, por essas paragens combateu e comercializou. Sabe-se, igualmente, que permaneceu em Moçambique e Sena, onde negociou em escravos e emprestou dinheiro; algo que nem sempre lhe correu pelo melhor. Também na China se dedicou ao tráfico de escravos, conforme deixa perceber o seu testamento, lavrado em Goa, corria o mês de março de 1597 (Silva Marques, 1949). Por meio dessas andanças e aventuras de guerra, acabou por ser ferido.

Silva Marques (1949) assegurou que as motivações de Lourenço Ribeiro para a empresa no Oriente não estiveram associadas a problemas de natureza financeira, pois, à data de sua morte, não possuía dívidas passivas e tinha, em Sintra, 50000 reis de “legítima paterna”. Os inúmeros legados com que contemplou a Misericórdia, Igrejas e Conventos da sua terra natal confirmam essa ideia.

Interessa também dizer que, sendo solteiro, Lourenço Ribeiro contemplou parcialmente no testamento os seus herdeiros diretos. Ou seja, a mãe e dois irmãos, os últimos dos quais se encontravam, na época, na Índia.

É particularmente nas disposições testamentárias que percebemos a fortuna de que era detentor, assim como a sua intensa fé e espírito solidário para com os mais necessitados do concelho de Sintra. De facto, Lourenço Ribeiro, ao instituir a Santa Casa da Misericórdia de Sintra como sua testamenteira, atribui a essa instituição uma verba de 500 cruzados para dotar e casar dez órfãs de Sintra, assim como 50 alqueires de trigo para dar de esmola aos pobres na véspera de Natal.

A Misericórdia de Sintra acusa a receção do testamento no ano de 1601, enviado pela sua congénere de Macau. A partir daí segue-se a aplicação do legado conforme vontade do testador, decorrendo tudo de forma lenta, como facilmente se compreende dadas as distâncias geográficas. Todavia, para que todas as disposições testamentárias fossem cumpridas muito contribuiu a ação das Misericórdias do Oriente, reflexo do seu papel preponderante na sociedade da época.

Para termos uma ideia do alcance do legado em questão, basta afirmar que, no ano de 1634, havia ainda raparigas de Sintra a receber dotes de casamento.

Por outro lado, outras dimensões assistenciais ficam bem presentes quando, na véspera de Natal do ano de 1625, os pobres se dirigem à porta da Misericórdia de Sintra, onde se distribuíam alqueires de trigo do legado instituído. Em sinal de reconhecimento deslocam-se depois para junto do cruzeiro, onde rezam pela alma de Lourenço Ribeiro – cumpria-se assim a vontade de quem, certamente, esperava obter a redenção.

 

Referências

 

Silva, Carlos Manique da (1997). Provedores da Santa Casa da Misericórdia de Sintra. Santa Casa da Misericórdia de Sintra.

 

Silva Marques, João Martins da (1949). Sintra e Sintrenses no Ultramar Português. S.n.

 

 

sábado, 1 de fevereiro de 2025

Nos cem anos do livro de sonetos Verbo Austero, de Francisco Costa







CARLOS MANIQUE


A produção literária de Francisco Costa (1900-1988) centra-se, numa primeira fase, na poesia, revelando o autor especial gosto pelo soneto. Publica, então,  (1920) e Verbo Austero (1925), dando ainda à estampa, em 1933, Algemas de Ouro (odes). Regressaria à poesia no final da vida, publicando Última Colheita (1987). No entanto, importa sublinhar que no espólio do escritor encontramos alguns poemas inéditos, sobretudo sonetos, escritos ao longo da vida (a merecerem a luz do dia!).

É certo que a fase de maior afirmação literária no panorama nacional ocorre a partir de 1943, quando Francisco Costa lança o primeiro romance, A Garça e a Serpente (Prémio Eça de Queirós), prosseguindo depois nessa senda até ao início da década de 1970 (Promontório Agreste, 1973).

Por outro lado, é também conhecido o interesse de Francisco Costa pela ancestralidade de Sintra. Com efeito, os Estudos Sintrenses constituem obra de referência para quem quer conhecer as vertentes da história local.

Mas, aquilo que me leva a escrever o presente texto, ou melhor, a revisitar um artigo que publiquei há exatamente 20 anos, é o facto de querer assinalar os cem anos da publicação de Verbo Austero. Honra seja feita ao Dr. Ricardo Alves, que, no Colóquio Francisco Costa e a Biblioteca Municipal de Sintra: 85 anos de Cultura, Literatura e Património (maio de 2024), chamou, justamente, a atenção para essa circunstância.

Começo então por dizer que, em 2002, em diálogo com a filha de Francisco Costa, fiquei a saber que na biblioteca pessoal de seu pai figuravam algumas obras de António Sérgio. Solicitei-lhe e disponibilizou-me, para além dos Ensaios, a Antologia Sociológica e as Notas sobre os Sonetos e as Tendências Geraes da Philosophia de Anthero de Quental. Este último livro, publicado em 1909, terá sido importante para o crescimento intelectual de Francisco Costa, tanto mais que, para o ilustre sintrense, Antero, de entre os poetas nacionais, era o seu preferido. A confirmar essa ideia está o facto de as Notas sobre os Sonetos… estarem profusamente sublinhadas e, mesmo, anotadas em algumas passagens. Esses registos devem ter sido feitos em 1921, a julgar pelo soneto que Francisco Costa escreveu, a lápis, no verso da última página, intitulando-o “Ad philosophos” e datando-o de março do citado ano. Mais tarde, à semelhança, aliás, do que fez com muitos outros sonetos – de que será paradigma maior “Domus mea (1930), posteriormente transmudado em “Domus nostra” (1938) e em “A Casa” (1987) –, essa composição foi reescrita, selecionada e incluída em Verbo Austero. Apanágio de quem, longe de ser repentista, buscava a perfeição!

Apesar de não se tratar de um inédito, colhe algum sentido divulgar o soneto “Ad philosophos”. Na verdade, o dito poema permite não só perceber a filiação da criação artística como também, no cotejo com a versão definitiva, vislumbrar o processo de aperfeiçoamento da escrita. Merece igualmente destaque a ambiência em que Francisco Costa terá lido as Notas sobre os Sonetos…, ou seja, num período de convalescença (salutaris morbus, assim o designou), do qual soube, aliás, retirar frutos duradouros, fundamentalmente pela entrega à leitura, ao estudo e à reflexão.

Interessantes são, certamente, os comentários que o jovem de 21 anos faz a alguns trechos da obra de Sérgio, deixando transparecer as suas ideias estéticas e a sua teoria filosófica dos valores, ainda em formação. Essas observações, exaradas a lápis nas margens das páginas, têm de ser compreendidas à luz do período vivido – “clausura e conversão”. Veja-se, por exemplo, como Francisco Costa reage a uma passagem de as Notas sobre os Sonetos…, na qual António Sérgio afirma, depois de tecer algumas considerações sobre o nirvana, “a vontade irracional explica a ruindade deste mundo”. Num primeiro ímpeto, o poeta sintrense sente a necessidade de dizer “nada explica a vontade irracional…”. Depois, mais aprofundadamente, explana na interrogativa a seguinte tese: “se o nirvana, a abolição da vontade individual, é o alvo de ser, por que motivo esse alvo não foi atingido na eternidade que está antes e há de sê-lo na eternidade que está depois do Ser? Melhor: se o nirvana é a vontade absoluta sendo a abolição das vontades individuais, por que motivo houve um dia vontades individuais e o nirvana não existiu ab aeterno?”.

Mais expressivo do que a transcrição supra é o soneto, uma vez que sintetiza o pensamento de Francisco Costa a respeito da globalidade da obra. De facto, nela foi colhendo as impressões que presidiram à elaboração de “Ad philosophos”, sendo patente que a ideia geral (mote) está definida na anotação feita a página 170 de as Notas sobre os Sonetos…, onde regista: “falta a explicação do Mal. Ah, filósofos! Chegar a Deus por vosso pé! Vaidade! Só podereis achá-lo na humildade. E Ele é que há de baixar, piedoso, a vós…”. Este é, amiúde, o processo adotado por Francisco Costa na elaboração dos sonetos, conforme explica: para fazer um soneto escolho uma ideia diretriz e prevejo a sua realização nas suas linhas gerais. Não sei, no entanto, como a ideia, reforçada de ideias complementares, se distribuirá ao longo dos 14 versos…” (Documento do espólio pessoal de Francisco Costa, anos de 1920).

Celebremos os cem anos de Verbo Austero, lendo as duas versões do soneto “Ad philosophos”. Ambas as versões, na sua essência, não são muito distintas, acontecendo até que a segunda quadra foi mantida na íntegra.


“Ad philosophos”

 

Homens, pigmeus, que insânia vos instila

a vaidade grotesca de pensar

que podereis com vossos pés de argila

subir a Deus, a fim de o desvendar?

 

 Tudo o que a vossa sôfrega pupila

não pode, embora estrénua, divisar

vêem-no os olhos que, por fé tranquila,

se deixaram, atónitos, cegar…

 

 Que fale o coração! A ideia é fria.

rezai! Na prece e não na rebeldia

é que, submissa, deve erguer-se a voz.

 

 Chegar a Deus por vosso pé! Vaidade!

só podereis achá-lo na humildade,

e ele é que há de baixar, piedoso, a vós!

 

(Francisco Costa, março de 1921)

 

 

 

 

 “Ad philosophos”

 

Homens, se toda a crença em vós oscila,

porque vos resta a crença singular

de que podeis, com vossos pés de argila,

subir a Deus a fim de o desvendar?

 

 Tudo o que a vossa sôfrega pupila

não pode, embora estrénua, divisar

vêem-no os olhos que, por fé tranquila,

se deixaram, atónitos, cegar.

 

 Que fale o coração: a ideia é fria.

Rezai! Em prece, e não em rebeldia,

é que deveis erguer a débil vós.

 

 Subir a Deus por vosso pé! Vaidade!

só podereis achá-lo na humildade,

e ele é que há de baixar, piedoso, a vós.

 

 (Francisco Costa, Verbo Austero, 1925)

  

 

 

quarta-feira, 1 de junho de 2022

As fontes e as águas na bibliografia sintrense: Uma estreia curiosa e o caso estranho da fonte de Santa Eufémia.

 

JORGE LEÃO


Como já alguém disse no passado, poucas terras portuguesas terão sido tantas vezes nomeadas na literatura, como Sintra. Desta bibliografia, por tão rica que é, podemos extrair uma outra, mais especializada, em que é referido algo pelo qual Sintra é reconhecida há muitos séculos: a celebridade das suas águas e das suas fontes.

Assim, e porque um artigo de História Local deve sempre criar um avanço e não somente transcrever o que já foi dito no passado, iremos, além de recordar alguns casos notáveis, relatar dois casos especiais. Um por ser muito curioso e inédito na bibliografia sintrense, e outro, por ser muito bizarro.

Século XII – Uma fonte, os limões, etc.

A primeira, em termos cronológicos, é a famosa carta que um cruzado inglês escreveu aquando da tomada de Lisboa aos mouros, em 1147, que aponta em Sintra a existência de uma fonte de águas de excepcional poder curativo. É a primeira, mas vai ser a última a ser aqui tratada por ser um caso muito estranho. Continuemos.

Século XVI – Góis e Camões

Damião de Góis dá-nos, no séc. XVI, informação de como eram consideradas as águas e as fontes de Sintra, no final do século XV:

D. Manuel veio «a Sintra no verão, por ser um dos lugares da Europa mais frescos e alegres para qualquer Rei (…), porque além dos bons ares que de si lança aquela serra, chamada pelos antigos Promontório da Lua, há nela muita caça de veados, e outras alimárias, e sobretudo muitas, e muito boas frutas de todo o género das que em toda a Hispanha se podem encontrar e as melhores fontes de água, as mais frias de toda a Estremadura …». (1)

Também neste século canta assim Luís de Camões em Os Lusíadas:

E nas serras da Lua conhecidas / Subjuga a fria Sintra o duro braço, / Sintra, onde as Náiades, escondidas / Nas fontes, vão fugindo ao doce laço / Onde Amor as enreda brandamente, / Nas águas acendendo fogo ardente.

Século XVII – D. Sebastião e o mundo feminino

Este episódio passa-se na Quinta da Penha Verde e além de ser muito curioso, parece ser uma estreia na bibliografia sintrense já publicada. D. Francisco Manuel de Melo relata desta forma a débil simpatia do Rei pelo sexo oposto:

«Dizia-se que o Rei em público e na sua vida particular não era nada favorável ao trato com senhoras, e isto ouvi da própria bôca de algumas dêle queixosas. Estando em Sintra, no verão, entrou com toda a côrte na horta e jardim de D. João de Castro, então muito celebrados pela sua frescura. Para vê-lo, algumas donzelas fidalgas tinham-se metido num saguão, mostrando-se quando êle passou, sem fazer caso da honestidade portuguesa. O Rei desgostou-se do encontro e, apontando, zangado, para uma estátua menos recatada de uma fonte de mármore, disse: – «O que elas querem é aquilo!». E repetiu a frase. Mas D. Duarte, sempre galante e excelente príncipe, quis ser-lhes agradável, exclamando: – «Será de estranhar que as flores queiram bem às fontes?».

Sei que estas duas frases ficaram muito bem guardadas na memória de uma que as ouviu e mas repetiu a mim, porque a memória das mulheres só é de bronze para não esquecer injúrias». (2)

Século XIX – No tempo do romantismo

Naturalmente, neste século é muito mais vasta a bibliografia em que Sintra é mencionada. Sobre as suas fontes seguem-se estes dois exemplos vindos destes dois nomes maiores da literatura portuguesa:

De Almeida Garrett, no Impronto de Sintra, logo no início:

«Que ar tão suave se respira em Sintra! / Que amenos prados, que gentis outeiros! / Que horizonte, que céu, que estância amável! / Por entre esses esmaltes de verdura / Como é saudoso o murmurar das fontes! / Parece quase ouvir que elas suspiram, / E a suspirar os peitos nos convidam.»

E no poema Camões:  Ó gemedoras fontes, ó suspiros / De namoradas selvas, brandas veigas, / Verdes outeiros, gigantescas serras! / Não vos verei eu mais, delícias d´alma? ».

De Eça de Queirós:

«Vi-a numa noite doce / Em que o Rouxinol cantava: / E todo o céu se estrelava / Luminoso pavilhão: / Era Sintra ! Sinto ainda; / O doce correr das fontes / E a sombra das nossas frontes / Das árvores do Ramalhão.».

Século XX

De Félix Alves Pereira:

«Gemedoras fontes, chama Garrett às de Sintra, de que ele se encantou no seu “Camões”…Esta, porém, de Santa Eufémia da Serra, tão apoucada de águas e de sombras, se é gemedora, como as suas poéticas e umbrosas companheiras, não o é pelo seu enlevo e lirismo, mas pelo desamparo e descrédito em que hoje se encontra.»

Voltando ao séc. XII

Lembra-se o meu caro leitor que tínhamos deixado uma epístola, a primeira referência às fontes de Sintra, do século XII, por analisar. Fazemo-lo porque realmente merece uns minutos da nossa atenção.

Um cruzado inglês, em 1147, relata ao vivo a campanha comandada por D. Afonso Henriques na conquista de Lisboa e refere Sintra nestes termos:

«Fica-lhe próximo o castelo de Sintra, à distância de quási oito milhas, no qual há uma fonte puríssima, cujas águas, a quem as bebe, dizem, abrandam a tosse e a tisica; por isso quando os naturais dali ouvem tossir alguém, logo depreendem que é um estranho. Também tem limões…

 

 Adivinha o meu caro leitor qual fonte seria essa? será difícil porque o relator não lhe menciona o nome, nem nos dá qualquer pista que nos permita identifica-la. Pela historiografia existente, tem-se apontado para uma fonte. A fonte de Santa Eufémia da Serra.  Nesta direcção, já aproaram alguns ilustres e principais estudiosos destes assuntos: Félix Alves Pereira (1931), Francisco Gonçalves (1941), José Cardim Ribeiro (1983). Não é estranho pois nos primeiros documentos que nos surgem, a carga simbólica relativa à água e à fonte de Santa Eufémia é tão forte que tudo nos pode fazer suspeitar que seja esta a fonte mencionada pelo tal cruzado. Mas não podemos ter a certeza…

No entanto, mais peremptórias são as instituições. Curiosamente, as principais envolvidas no caso, não têm dúvidas. É a fonte de Santa Eufémia da Serra de Sintra.

Lê-se, escrito pela Direção-Geral do Património Cultural:

«Sem informações durante a Alta Idade Média, só em 1147 a fonte de Santa Eufémia é referida documentalmente, pelo cruzado R. que acompanhou as tropas cruzadas na conquista da cidade de Lisboa (…). A circunstância de as suas águas possuírem poderes curativos, em particular problemas de tosse, levou a que, no século XIII, se tivesse edificado a ermida…».

Também a Câmara Municipal de Sintra, através da revista Tritão:

«Esta Ermida (Santa Eufémia) surge associada a um complexo termal bastante antigo que lhe fica muito próximo. Já o cruzado Osberno referia aqui a existência de uma fonte de águas com singulares qualidades terapêuticas.»

Também a recente Sintria Monumenta Historica descreve tecnicamente a fonte e a sua sala de banhos. (3)

E conjuntamente, a Paróquia e a empresa Parques de Sintra – Monte da Lua, através da placa colocada no caminho para a ermida:

«As referências às capacidades curativas da fonte de água de Santa Eufémia remontam a 1147, pelo cruzado Osberno». 

O caso bizarro

Então sucede que temos uma fonte histórica, considerada uma “mãe das fontes de Sintra”, devido à sua fama, à sua bagagem etnográfica, e talvez por ser a mais velha pelo nosso conhecimento, na terra das fontes, com uma curiosíssima e antiquíssima sala de banhos agregada, mas seca e abandonada. Abandonada até à vergonha. Uma nascente que tudo indica estar na génese da ocupação humana do local, dos primeiros de Sintra.

Resumindo, para quem não conhece o assunto:

A fonte e sala de banhos de Santa Eufémia ficam 200 metros abaixo da ermida; o fornecimento de água pelos SMAS não chega à ermida; cá em baixo, por volta dos anos 70, alguém se lembrou de desviar a água da fonte para um poço, construído ao lado para o efeito, e assim elevá-la com um motor eléctrico para a ermida; por isso, a fonte nunca mais deitou água pela sua bica; a ermida precisa da água; a empresa Parques de Sintra-Monte da Lua tem instalações a 100 metros da ermida; foi pedido a esta empresa que estendesse um cano e fornecesse, através das suas instalações, água do SMAS à ermida para que esta libertasse a água da fonte; Em 2019, a PSML recusa-se a ajudar nesta matéria, estendendo os 100 metros de cano, embora já lá tenha tido um à vista, quando precisou de efectuar trabalhos no local, no âmbito de um acordo que lhe permite ter acesso automóvel exclusivo no tradicional caminho entre a ermida e a fonte.



“Esta obra mandou fazer à sua custa o Capº Francisco

Lopes de Azevedo no ano de 1758 e esta é a água

milagrosa da Srª Stª Eufémia e ali está a casa donde se

tomam os banhos”

No Japão medieval, causado pela miséria, havia um costume bastante cruel. Os velhos, ao atingir certa idade, improdutivos, eram levados para uma montanha para aí morrerem ao frio e à fome. Este assunto, depois de um romance, deu um excelente filme da cinematografia japonesa chamado «Balada de Narayama». Esta prática já tinha sido narrada por Pigafetta no seu relato da viagem de Fernão de Magalhães, em que participou, e a ouviu em 1521.

Não é o caso de defender a geminação de Sintra com Narayama, baseada no costume de deixar velhinhas mães morrer à fome e ao frio na montanha. Até porque no Japão esse costume já não se pratica. Mas parece-nos razoável alertar a Câmara Municipal de Sintra para a estranha situação da vetusta fonte de Santa Eufémia. Possivelmente no sentido de sensibilizar a empresa PSML, sobretudo junto da Presidente do Conselho de Administração, que já abordou o assunto, infelizmente sem resultados. Acontece que esta empresa é “tetra campeã mundial de conservação e restauro do património” e tem instalações a 100 metros da ermida. Ermida já conhecida no séc. XIII e que no século XXI ainda não tem água potável; que rouba a água da sua venerada e secular fonte, e consome dessa água não controlada pelos SMAS. Isto a 100 metros desta empresa pública que cuida da maior parte do nosso património histórico e que lhe podia fornecer as duas gotas de água de que esporadicamente necessita.

O primeiro texto literário sobre as águas e as fontes de Sintra, do século XII, faz-nos então confrontar com este caso bizarro: temos uma vetusta e primitiva fonte de Sintra, talvez a mais antiga documentalmente, absurdamente abandonada e seca sem necessidade, na terra das águas e das fontes, património mundial.

Insolitamente, são alguns moradores de São Pedro de Penaferrim que sabem onde está guardada a lápide (29X46cm) que assinala o restauro da fonte após o terramoto de 1755, datada de 1758, desenhada por José Alfredo da Costa Azevedo em 1957 e que por pouco não se perdeu como as outras que lá existiam. Pactuam no sentido de entregar a lápide quando alguma ou algumas das instituições que podem ou devem intervir no assunto, ajudem a reabilitar a fonte. Nomeadamente, a Paróquia de São Pedro de Penaferrim, a Câmara Municipal de Sintra ou, não por obrigação, mas por absoluta consciência, a PSML, empresa pública que gere, ao que se sabe bem, grande parte do nosso património histórico e cultural.

 

Este texto foi acabado em Março de 2022, quando se celebrou o “Mês da Água” no Concelho de Sintra.

 

(1) –  Crónica de D. Manuel I. Damião de Gois

(2) – D. Teodósio, Duque de Bragança. D. Francisco Manuel de Melo

(3) – Recentemente, a Câmara Municipal de Sintra publicou a obra Sintria Monumenta Historica, onde, como não podia deixar de ser, vem referida a fonte e a sua sala de banhos. Porém, este assunto prestou-se a alguma confusão que vamos aqui esclarecer. O assunto das lápides desaparecidas da fonte de Santa Eufémia tem-se baseado nos desenhos de José Alfredo da Costa Azevedo. Mas como não há ninguém que não erre, o nosso José Alfredo, ao desenhar a data da lápide de 1758, desenhou 1738. A prova está na fotografia da lápide, que publicamos aqui pela primeira vez. Não só por isso, mas também por isso, temos aqui uma série de interpretações erradas. Em 1738 não se passa nada. Em 1758, muito provavelmente devido ao terramoto de 1755, passam-se duas coisas distintas: o capitão Francisco Lopes de Azevedo restaura a fonte e coloca lá uma lápide que ainda hoje temos. O mesmo sucedeu com a fonte da Sabuga, que ostenta uma lápide gémea de 1757; nesse mesmo ano, o prior de São Pedro, António de Sousa Seixas, na sua resposta às Memórias Paroquiais, refere que a fonte é pertença da ermida e que nas suas águas se vêm banhar os enfermos. A data da construção da sala de banhos, não a sabemos. Sabemos que a lápide mais antiga que lá existia era de 1723. Até este assunto das lápides é representativo da incúria a que estranhamente a fonte está sujeita.

Entre 1931 e 1957, desapareceram duas lápides (1723 e 1807). Daí aos nossos dias, iam desaparecendo as outras duas (1758 e 1845). Salvou-se esta de 1758, que está escondida, graças à sensibilidade de alguém da população.


terça-feira, 12 de abril de 2022

O Anjo da Incerteza



 MARCOS PAMPLONA

Marcos Pamplona (Curitiba, 1964) é poeta, cronista e editor. Os seus poemas foram selecionados para três edições do Prémio Off Flip de Literatura, integrando as coletâneas de 2006, 2008 e 2010. Publicou o livro de poemas Tranverso, pela Kotter Editorial, em 2016; e o livro de crónicas Ninguém nos Salvará de Nós, também pela Kotter, em 2021. Vários textos seus podem ser encontrados em suportes eletrónicos ou de papel, tais como Mallarmargens, Jornal Relevo, Cândido, Pássaros Ruins, Radiocaos e Musa Rara (Brasil); Revista InComundade e Leiria Poetry Festival (Portugal). Vive em Lisboa, onde é editor da Kotter Portugal. Desde abril de 2019 escreve crónicas para o Jornal Plural, nascidas das suas andanças pelas terras portuguesas.

  

Ontem pela manhã o telefone começou a tocar. Pessoas próximas me desejavam um feliz aniversário: os filhos, a mãe, alguns amigos, o irmão. Eu agradecia, satisfeito por terem se lembrado de mim. Uns ligavam do Brasil, outros daqui de Portugal, mas era como se estivessem todos por perto. O calor do seu afeto ia aquecendo o fundo frio que acompanha meus pensamentos nestas datas. Graças a eles e à companheira, que me dedicou uma atenção carinhosa ao longo do dia, passei razoavelmente bem pelo ligeiro incômodo que os aniversários me causam. Pensar que os outros podem me esquecer ou que falam comigo por mero protocolo me deixa contrafeito ou desoladamente efusivo.

Quando fui me deitar, à noite, respirei fundo: estava livre do “meu dia”, da terrível convenção segundo a qual aquela data reserva algo de especial para mim. Já podia voltar ao tempo verdadeiro, ao tempo anônimo de toda gente. Adormecer com a cabeça confortavelmente acomodada em minha ineludível insignificância.

 

            Hoje é domingo. Escrevo diante desta janela bem no alto do prédio, de onde vejo a cidade ainda meio adormecida, sob o azul esbranquiçado onde às vezes some uma gaivota. Procuro responder à pergunta que meu filho mais velho me fez ontem. “Como você se sente?”, disse ele, num tom ambíguo que hesitava entre me provocar e não querer a resposta. Na hora falei algo banal, “vou bem”, “vou levando”, não lembro ao certo. Na verdade fui pego de surpresa. Mas a pergunta dormiu ao meu lado, levantou-se da cama comigo hoje, ficou me rondando como um cão à espera de atenção.

            “Como você se sente?”

           

            Depois de conhecê-la por cinquenta e oito anos, não vejo grandes motivos para festejar a vida. O que houve de melhor foram respingos de alegria, fumos de prazer numa senda de monótonas inquietações. O trágico disso é que também não chego a deplorar a existência, pelo menos nunca a ponto de querer abandoná-la. De tal maneira que me arrasto aos pés do que quase sempre me faz sofrer, como um amante maltratado e servil. E a sabedoria que se supõe colher desta experiência excruciante não vai além de algumas técnicas para diminuir a humilhação, como fingir indiferença ao futuro (carpe diem!) ou buscar na arte o sopro divino que me nega o carrasco.

             Essas considerações poderiam levar você a me supor um homem triste. Ou ultrajado pela sua condição, no fundo fraco. E você estaria certo, mas também errado. Porque ao mesmo tempo sou (absurdamente) forte, como o protagonista de O Castelo, aquele agrimensor que não desiste de buscar o alto, apesar dos labirintos insolúveis que lhe oferecem os poderes terrenos. Então você também poderia, claro, me perguntar o que é o “alto”, mas tal qual o agrimensor jamais chegarei lá, não sei nem nunca saberei o que seja. Simplesmente sou impulsionado pela força cega da vida, o eros que pode conceber e pode matar, jamais deter-se. (Toda a civilização oscila entre estes dois extremos, de criação e destruição, e senta-se diante do prato de sopa como um pássaro exilado do céu.) O alto é talvez apenas o contrário do baixo, do reles, do chão, daquilo a que estamos condenados. Às vezes acredito que é também uma lembrança, a nostalgia de uma completude perdida. O que há em nós de obscuramente divino, se você quiser. Mas outras vezes acho que é apenas nosso corpo com uma saudade oceânica da matéria inanimada, liberta de existir. Não sei; por mais que lhe digam o contrário, ninguém realmente sabe. Não saber parece ser o combustível indispensável para que a roda do mundo gire.

            E aqui, talvez, eu consiga dizer algo que pode ser útil neste espetáculo a que somos lançados nus, sem saber o texto, divisar a plateia ou conhecer o diretor. Digo a você que fuja dos que sabem, dos que professam certezas, dos que “conhecem o caminho”. Tudo que eles querem é escravizar o elenco, amealhar para si a bilheteria e os aplausos. Não lhe trarão nada que sequer se aproxime de amor ou afeto, porque estão comprometidos com a mentira até os ossos.

Você pode achar esquisito, mas o que sinto agora é ternura e respeito pelos confusos, pelos hesitantes, pelos tímidos, perdidos, céticos, por todos aqueles que caminham sobre a mais profunda ignorância, sem impor seu exemplo a ninguém. Os que não querem dominar os outros porque não transformam em matéria de ressentimento ou menosprezo a sua própria insuficiência e, pelo contrário, olham com fraterna largueza para a nossa pequenez.

Para estes abro minha porta, com eles compartilho água, comida, calor. Sei que não irão me devorar nem exigir de mim um predador nauseado.  

Mas evito os que “sabem”, os que se arrogam os poderes do céu e da terra, os que escravizam os outros com verdades que não passam de ilusionismo tirânico, destilado por uma vaidade rasa, violenta, estúpida. Evito os pastores como uma ovelha que sabe que vai ser abatida pelo seu zelo.

 

O que sinto hoje, meu filho, é essa paz relativa que só a derrota pôde me dar. E a presença protetora de um anjo cabisbaixo, esquivo. Poderia chamá-lo de anjo da nossa incerteza.



           

           

            

sábado, 4 de dezembro de 2021

Os 10 jogadores com mais jogos pelo 1º de Dezembro no Campeonato de Portugal


DAVID PEREIRA
Jornalista no Diário de Notícias, autor de "O Blog do David"

Fundada a 1 de dezembro de 1880, sob foral de D. Carlos, então Rei de Portugal, e como cor da bandeira o azul, símbolo da monarquia, a Sociedade União 1º Dezembro dedicou-se inicialmente à instrução e ao recreio, nomeadamente à música, mas veio a tornar-se num clube bastante representativo do concelho de Sintra na modalidade de futebol.

 
Em meados de 1935, o 1º Dezembro integrou um grupo de jovens denominado de “Os Terríveis”, que se dedicava à prática de vários desportos, como ténis de mesa, ciclismo e futebol, mas que debatia-se com grandes dificuldades financeiras. No mesmo ano, o então Conde de Sucena doou os terrenos onde ainda hoje está situado o Parque de Jogos do 1º Dezembro.
 
Porém, foi necessário esperar até ao século XXI para ver a equipa sénior masculina a tornar-se presença assídua nos campeonatos nacionais, tendo competido ininterruptamente na III Divisão entre 2003-04 e 2010-11, na II Divisão B em 2011-12 e 2012-13 e no Campeonato de Portugal entre 2013-14 e 2020-21.
 
Em oito participações no Campeonato de Portugal, o melhor que o 1º Dezembro conseguiu foi alcançar o apuramento para a fase de promoção em 2014-15 e 2015-16.
 
Paralelamente, a equipa feminina sagrou-se pela primeira vez campeã nacional em 1999-00 e conquistou onze títulos consecutivos (!) entre 2001-02 e 2011-12, constituindo um recorde de 12 títulos nacionais. Porém, a formação foi dissolvida devido a problemas económicos no final da época 2013-14.Vale por isso a pena recordar os dez futebolistas com mais jogos pelo 1º Dezembro no Campeonato de Portugal.
 

10. Edmar (63 jogos)

Edmar Silva
Experiente médio brasileiro, que tem no currículo um título cipriota e mais de uma dezena de jogos nas competições europeias, reforçou o 1º Dezembro no verão de 2018 após onze anos no Chipre, numa altura em que já tinha 36 anos de idade.
Ao longo das três primeiras temporadas ao serviço dos guerreiros de Sintra amealhou 63 encontros (59 a titular) no Campeonato de Portugal, mostrando-se impotente para evitar a descida aos distritais da AF Lisboa em 2021. Em 2021-2022 permaneceu no clube, apesar da despromoção

9.Benjumea (67 jogos)


Defesa central colombiano que jogou no principal campeonato da Colômbia ao serviço do Deportivo Pasto, entrou no futebol português precisamente pela porta do 1º Dezembro durante o verão de 2017.Ao longo de pouco mais de três anos nos guerreiros de Sintra amealhou 67 encontros (63 a titular) e seis golos no Campeonato de Portugal, despedindo-se no início da temporada 2020-21, quando voltou à Colômbia para representar o Bogotá, da II Divisão.Pelo meio, chegou a ser anunciado como reforço do Olímpico Montijo em meados de 2018, mas acabou por voltar ao Campo Conde de Sucena sem que tivesse disputado qualquer jogo oficial pelos montijenses.



8. Marco Pinto (69 jogos)

Marco Pinto
Guarda-redes internacional jovem português que jogou na formação do Sporting ao lado de Rui Patrício, Fábio Paim, Daniel Carriço e Bruno Pereirinha, passou por clubes como BelenensesMafraBeira-Mar Monte GordoEstrela da Amadora e Pêro Pinheiro antes de ingressar no 1º Dezembro no verão de 2012.
Na primeira época em São Pedro de Penaferrim ajudou a equipa a alcançar um honroso 6.º lugar na Zona Sul da II Divisão B e, consequentemente, a assegurar a presença na edição inaugural do Campeonato de Portugal, competição em que Marco Pinto amealhou 69 partidas e 66 golos sofridos ao serviço dos guerreiros de Sintra entre 2013 e 2016. Nesse período contribuiu para o apuramento para a fase de promoção à II Liga em 2014-15 e 2015-16.

No verão de 2016 transferiu-se para o Desp. Aves, clube pelo qual haveria de festejar a subida à I Liga.
 
 
 

7. Martim Águas (70 jogos)

Martim Águas
Médio ofensivo/avançado filho e neto de dois antigos internacionais portugueses, José e Rui Águas, jogou ao lado de Ricardo PereiraJoão Mário, Ricardo Esgaio e João Carlos Teixeira nas camadas jovens do Sporting e de João Cancelo, Ivan Cavaleiro, Bruno Gaspar e Hélder Costa na formação do Benfica.
Após passagens pelos seniores de Casa Pia e Vitória de Sernache, ingressou no 1º Dezembro em janeiro de 2016. Ao longo de duas temporadas e meia no Campo Conde de Sucena totalizou 70 encontros (65 a titular) e 20 golos no Campeonato de Portugal, contribuindo para o apuramento para a fase de promoção à II Liga em 2015-16.Paralelamente, em outubro de 2016 marcou um golo e atuou os 90 minutos numa eliminatória da Taça de Portugal diante do Benfica em que os guerreiros de Sintra estiveram a escassos segundos de adiar a decisão para prolongamento.
No verão de 2018 transferiu-se para o Pinhalnovense.  
 

 
 

6. Pipas (81 jogos)

Pipas
Médio ofensivo natural de Sintra e formado maioritariamente no rival Sintrense, concluiu a formação no 1º Dezembro, tendo transitado para a equipa principal em 2009-10, na altura para jogar na III Divisão Nacional.
No verão de 2011 mudou-se para o vizinho Sp. Lourel, mas um ano depois regressou ao Campo Conde de Sucena para a equipa a alcançar um honroso 6.º lugar na Zona Sul da II Divisão B e, consequentemente, a assegurar a presença na edição inaugural do Campeonato de Portugal, patamar em que amealhou 72 partidas (56 a titular) e oito golos entre 2013 e 2016. Nesse período contribuiu para o apuramento para a fase de promoção à II Liga em 2014-15 e 2015-16.
Entre 2016 e 2020 esteve ao serviço do Sintrense, mas na primeira metade de 2020-21 voltou aos guerreiros de Sintra para atuar em nove jogos (todos como titular) e marcar um golo ao Lourinhanense no Campeonato de Portugal, numa campanha que ficou marcada pela descida aos distritais da AF Lisboa. Porém, Pipas acabou por não ficar toda a temporada no clube pois rumou ao Olímpico Montijo no início de 2021.
 

 
 

5. João Lima (84 jogos)

João Lima
Defesa central natural de Alfornelos, concelho da Amadora, dividiu a formação entre Estrela da Amadora e Atlético, tendo iniciado o seu percurso no futebol sénior ao serviço da formação de Alcântara, que em 2013-14 o emprestou ao 1º Dezembro.
Nessa temporada atuou em 16 encontros (12 a titular) no Campeonato de Portugal e apontou dois golos, diante de Operário e Futebol Benfica.Em 2014-15 e no início da época seguinte, já vinculado em exclusivo aos guerreiros de Sintra, amealhou mais 24 partidas (22 a titular) no inicialmente designado por Campeonato Nacional de Seniores, tendo contribuído para o apuramento para a fase de promoção em ambas as temporadas.
Nos derradeiros dias do mercado de inverno de 2016 mudou-se para o Pinhalnovense, mas no verão desse ano regressou ao Campo Conde de Sucena para mais duas temporadas em São Pedro de Penaferrim, nas quais totalizou 44 jogos (41 a titular) e cinco golos no Campeonato de Portugal.
Paralelamente, em outubro de 2016 atuou os 90 minutos numa eliminatória da Taça de Portugal diante do Benfica em que os guerreiros de Sintra estiveram a escassos segundos de adiar a decisão para prolongamento.
No verão de 2018 emigrou para o Reino Unido.
 

 
 

4. Ruizinho (87 jogos)

Ruizinho
Extremo nascido em Lisboa e formado no 1º Dezembro, foi pela primeira vez convocado para jogos da equipa principal em 2013-14, mas só na época seguinte é que se estreou oficialmente.
Entre 2014 e 2019 amealhou 87 partidas (66 a titular) e oito golos no Campeonato de Portugal, tendo contribuído para o apuramento para a fase de promoção em 2014-15 e 2015-16.  Paralelamente, em outubro de 2016 atuou os 90 minutos numa eliminatória da Taça de Portugal diante do Benfica em que os guerreiros de Sintra estiveram a escassos segundos de adiar a decisão para prolongamento.

Assolado por lesões, chegou a deixar o futebol em 2019, mas acabou por voltar à atividade em 2020-21 com a camisola do Sp. Lourel.
 

 
 

3. Luisinho (126 jogos)

Luisinho
O melhor marcador de sempre do 1º Dezembro no Campeonato de Portugal, com 47 golos.
Avançado lisboeta que começou a jogar futebol nos infantis do Sporting, entrou para os iniciados do 1º Dezembro em 2002-03 e transitou para a equipa principal em 2008-09, numa altura em que os guerreiros de Sintra militavam na III Divisão Nacional.
Após uma passagem pelo Sp. Lourel em 2011-12, Luisinho voltou ao Campo Conde de Sucena para se afirmar como goleador, tendo contribuído para o apuramento para a edição inaugural do Campeonato de Portugal, patamar em que entre o verão de 2013 e dezembro de 2014 amealhou 45 jogos (39 a titular) e 23 golos.
Embora tivesse rumado ao Benfica de Macau em janeiro de 2015, o atacante contribuiu para a qualificação para a fase de promoção em 2014-15. Na época seguinte regressou ao clube e repetiu esse feito, desta vez com sete golos em 32 partidas (todas como titular).
No verão de 2016 mudou-se para o Omonia Aradippou, da II Divisão de Chipre, tendo ainda passado pela AD Oliveirense antes de regressar ao 1º Dezembro em 2018-19, em mais uma temporada de grande produtividade à frente da baliza, uma vez que somou 15 remates certeiros em 32 encontros (todos como titular).
Após uma nova passagem pela AD Oliveirense e uma aventura de alguns meses no Olímpico Montijo, voltou uma vez mais a Sintra em 2020-21, uma temporada de má memória tanto em termos coletivos, devido à descida de divisão, como a nível pessoal, uma vez que não foi além de dois golos em 17 partidas (nove a titular).
Após a despromoção permaneceu no clube, que está a competir nos distritais da AF Lisboa.
 

 
 

2. Leonel (130 jogos)

Leonel Correia
Médio nascido em Lisboa e que jogou ao lado de Miguel Vítor, Miguel Rosa, Rúben Lima e André Carvalhas nas camadas jovens do Benfica, terminou a formação e iniciou o seu percurso como futebolista sénior no Oeiras.
Em 2013-14 representou pela primeira vez o 1º Dezembro, numa época em que disputou 30 jogos (24 a titular) e apontou dois golos no Campeonato de Portugal.
Entre 2014 e 2016 representou Malveira e Oriental, tendo regressado ao Campo Conde de Sucena em novembro de 2016 para iniciar um ciclo nos guerreiros de Sintra que dura até aos dias de hoje.
Desde o regresso a São Pedro de Penaferrim até meados de 2021 amealhou 100 partidas (94 a titular) e sete golos no Campeonato de Portugal, mostrando-se impotente para evitar a despromoção aos distritais da AF Lisboa em 2020-21.
 

 
 

1. Oumar (136 jogos)

Oumar Diatta
Defesa/médio senegalês de baixa estatura (1,68 m), passou pelos juniores do Belenenses e pelos seniores de OdivelasEstrela da Amadora e Casa Pia antes de ingressar no 1º Dezembro no verão de 2012.
Na primeira época no clube contribuiu para o apuramento para a edição inaugural do Campeonato de Portugal, patamar em que amealhou 136 partidas (116 a titular) e um golo (ao Almancilense, em 2016-17) entre 2013 e 2020. Nesse período contribuiu para o apuramento para a fase de promoção à II Liga em 2014-15 e 2015-16.
Paralelamente, em outubro de 2016 atuou os 90 minutos numa eliminatória da Taça de Portugal diante do Benfica em que os guerreiros de Sintra estiveram a escassos segundos de adiar a decisão para prolongamento.
Em janeiro de 2021 mudou-se para o Desportivo dos Olivais e Moscavide.