segunda-feira, 13 de março de 2017

O Instituto das pessoas que estão à espera

NUNO BASTOS



Sirvo-me da posição designada por sentada enquanto usufruo da espera que me foi concedida nas instalações do Instituto das Pessoas que estão à Espera onde, na sala de espera do dito estabelecimento se atulham outras pessoas em actividade de espera. Algumas observam o ticket numerado que colheram no mecanismo distribuidor de tickets numerados que é visível logo após a entrada no instituto. Para se estar à espera é necessário retirar um deles, caso contrário não há qualquer possibilidade de estar em espera. Portanto, qualquer ser vivo de aspecto humano que se sinta na necessidade de atravessar um intervalo temporal preenchido por espera, vê-se na obrigação de extrair um ticket assim que se coloca no interior deste edifício. Cada um desses tickets traz impresso um número serial que indica que posição ocupa na fila de espera o cidadão que levou a efeito o acto de o retirar do mecanismo onde ele pendia na ânsia de ser levado por alguém que por ali passasse. Tendo entre mãos ou entre dedos, conforme o caso, o pedaço de papel numerado retirado do objecto que distribui a numeração serial e ordenada, o cliente que anseia por esperar deverá, de seguida, dirigir-se para a sala de espera que foi instalada ao abrigo de um dos vastos compartimentos existentes no interior do imenso edifício que é o Instituto das Pessoas que estão à Espera. Uma vez executada a rápida deslocação entre o mecanismo distribuidor de tickets e a sala de espera, quem aí chega torna-se de atenções viradas para a busca de um lugar vago onde se sentar com o intuito de se tornar a si próprio alvo de uma mais confortável posição para suportar a espera que o espera enquanto espera que o mostrador colocado no alto de uma das paredes exiba o número correspondente ao do seu ticket.

 

A sala de espera é possuidora de dimensões gigantescas, mede uns cem metros de comprimento por outros tantos de largura e o seu tecto está afastado do chão umas cinquenta unidades métricas. Dezenas e dezenas de filas de cadeiras percorrem a sala, estando cada uma das cadeiras colocadas lado a lado com a cadeira que se encontra a seu lado e todos os assentos estão virados para a parede frontal, oposta àquela onde foi colocada a porta de entrada para esta divisão, de modo a que quem lá se senta fique de olhos direccionados para o gigantesco mostrador que exibe o número do ticket que acabou de ser chamado. Sempre que este número se altera para o seu seguinte, respeitando a ordem crescente, faz-se ouvir por toda a sala um exacerbado sinal sonoro alertando o dono do ticket com o número correspondente que chegou a sua vez de estar à espera. A sua vez de estar à espera porque a sala de espera é apenas o local onde se aguarda que chegue a vez de se estar à espera.

 

Quando a pessoa é chamada, transporta o precioso ticket que confirma que é a sua vez de ser atendido e desloca-se para fora da sala de espera através de uma porta edificada numa parede lateral que a faz encaminhar por um longuíssimo corredor para a sala de atendimento. Aí, a pessoa a quem o destino sorriu com a faculdade de se poder vir a encontrar em espera, ruma para junto do funcionário que ocupa a mesa que chamou o número em questão e senta-se na cadeira propositadamente colocada à mesa de cada funcionário, primeiro porque os variados funcionários dessa divisão estão também de posições sentadas e, segundo, porque se torna mais confortável para o cliente, visto que é exigido que este seja questionado com um pequeno inquérito consistindo em perguntar o nome, a morada, a profissão, a razão que o faz recorrer ao Instituto das Pessoas que estão à Espera, por que razão deseja esperar e por quanto tempo deseja esperar.

 

O passo seguinte da demanda pela espera é dado quando o funcionário da instituição prepara um documento com os dados recolhidos do cliente e onde é prostrada uma carimbada que oficializa, juntamente com a assinatura do dito funcionário, o pedido de espera por parte do cliente. Este, após entregar a devida quantia requerida pelo serviço, recebe o referido documento, desune-se da cadeira em que repousava o corpo e encaminha-se para uma porta que o leva a entrar e a percorrer um amplo, luminoso e extraordinariamente longo corredor, tão extraordinário que o seu fim se perde na distância que normalmente entendemos por longe.

 

Após uma árdua e extenuante caminhada abrindo caminho através do desmedido corredor, o cliente, agora com o título de esperante, vê-se perante uma porta por onde penetra de modo a permitir que se mostre fisicamente diante de um outro dos milhares de funcionários que são competência do Instituto das Pessoas que estão à Espera. Sentado a uma secretária de dimensões soberbas e completa de variadas coisas e objectos, onde é francamente visível um avantajado monte de papeis que se desenvolve segundo o eixo do Y, este outro funcionário estende uma mão ao cliente pedindo-lhe a documentação que obteve na sala de atendimento. Após consulta minuciosa da mesma, entrega ao requerente uma cópia do documento e uma pequena chapa metálica com um número gravado na sua superfície. Esse é o número do compartimento cedido ao indivíduo que quer esperar.

 

Por uma outra porta é feita a transposição para uma enormíssima sala que alberga os compartimentos de espera. Esta sala possui dimensões tão extensas que ocupa uma grande parte do já de si enorme edifício do Instituto das Pessoas que estão à Espera. Ao entrar nesta sala, um dos funcionários aí presentes pede que lhe seja entregue a cópia do documento e a chapa metálica. São estes os funcionários encarregados de zelar pela boa espera de cada um dos clientes. São eles que os encaminham até ao compartimento que lhe foi cedido.

 

A sala que alberga os compartimentos de espera é idealizada segundo centenas e centenas de corredores que serpenteiam pelo interior nos vários andares de altura do Instituto. Cada um desses corredores tem as suas paredes laterais cobertas por portas que encerram os compartimentos de espera, o local onde o esperante é encerrado enquanto fica à espera. Cada compartimento pouco maior é do que uma pessoa e possui uma cama de solteiro e uma casa de banho, nada mais. As refeições diárias são trazidas e entregues em mão ao esperante por um funcionário.

 

O esperante é guiado para o compartimento que lhe é emprestado e após o decorrer da totalidade de tempo que o cliente deseja estar em espera, um dos funcionários é encarregue de o guiar para fora do compartimento de espera, para fora da sala dos compartimentos de espera e para fora do edifício do Instituto das Pessoas que estão à Espera.


 

Soneto Breve e Leve

PAULO BRITO E ABREU


















SONETO BREVE E LEVE
 
( in memoriam de António Manuel Couto Viana )
 
invoco, para a Musa minha, o 3 de Copas Arcano
 
Coas mãos esmigalhadas p’lo mundo da dor
Se ergue sempre o Poeta na sua fantasia.
O homem não contente cria mesmo com Amor:
Se hoje ele é Poeta, amanhã será Poesia.
 
Urge transformar num só verso maior
Poalha de poeira que é, no fim do dia,
Sal e escuridão volvendo-se em estertor:
Quando um mundo acaba, o outro principia.
 
Furtemos, entretanto, a Cristo a sua Cruz,
Louvemos o zagal e todos os trigais,
Crisantos animais que somos todos nós;
 
Pois assim era Buda e assim era Jesus,
Nitentes e notáveis doando aos naturais
A Virgem, visionada, e cansada, a minha voz.
 
Que Luz, 05/ 10/ 2016
 
AD MAJOREM DEI GLORIAM

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

One

ARIADNE CASTRO



Ariadne Castro nasceu em Ulm, na Alemanha, e reside em Sintra. Formou-se em Línguas e Literaturas na Escola Alemã de Lisboa, Pintura no Ar.Co e frequentou o curso de joalharia no Contacto Directo.







One

escolhi a árvore mais grossa e cantei-lhe
enrolei os olhos até à nuca e separei-lhe
lentamente as cascas até às veias, abri-a
até toda a floresta se pintar de vermelho
cravei-lhe as unhas na cortiça e trepei-a
arranhei-me nos galhos e exaltei-me no ar
flamejante dos seus gritos, e a suavidade
dilacerante do orvalho entrou pelas peles
abertas, das serpentes adormecidas soaram
silvos e rugidos despertos, e na floresta
inteira estremeceu o pulsar da seiva fria

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Texto com um título energúmeno

NUNO BASTOS



Ao iniciar-se na leitura desta bodega fica o magnífico leitor habilitado a conseguir chegar ao término da mesma bodega. Portanto, excelso leitor, se por algum motivo de força maior tiver desejos de ignorar a existência desta coisa que por aqui vai, pode fazê-lo e ir dedicar-se a qualquer outra coisa. Se quiser continuar a ler esta porcaria, então siga lendo.

Creio com toda a certeza que o que escrevo é absolutamente desinteressante e até eu próprio fico aborrecido com todo este palavreado aparvalhado. Comecei a escrever esta palermice depois de ter rebolado o meu corpo nu ao longo do chão da minha casa, mas só rebolei até me apetecer. Antes disso eu estava vestido e fui discutir Nietzsche com o semáforo que fica ali ao fundo. Gosto de discutir Nietzsche com ele e às vezes o merceeiro da esquina vem debater connosco. O semáforo é um entendido em Nietzsche mas o merceeiro é mais Jung.

Ainda antes de discutir Nietzsche com o semáforo, estive a pregar um prego numa parede porque, ao longo do dia, a sombra do prego vai-se movendo pela parede. E, por certo, o meu magnânimo leitor sabe que, para pregar um prego numa parede, é necessário um prego e um martelo, além da parede e de alguém que martele o prego.

Antes do prego já não me lembro o que fiz, mas antes disso que não me lembro olhei para um telefone. Ele não fez barulho mas eu olhei à mesma. Um telefone costuma fazer barulho ou tocar uma cantiga. Antes de olhar para o telefone também já não me lembro o que fiz e antes também não. E acho que antes também não.

Costumo discutir filosofia com outros semáforos mas aquele é o mais sabido. Há um semáforo que só vê Platão à frente e há um outro semáforo que só quer saber do Sartre. Às vezes vou com o merceeiro da esquina ter com um desses outros mas ele só quer saber do Jung. O merceeiro vende batatas, couves e hortaliças no geral. Também lá tem bolachas, massas e cereais. A mercearia dele é pequena e tem demasiadas coisas à venda e quase não há espaço para os clientes se mexerem lá dentro e a caixa registadora é grande demais para uma mercearia tão pequena como aquela. O merceeiro é casado com a merceeira, uma mulher antipática e que nunca é simpática. O merceeiro e a merceeira não têm filhos porque não têm filhos. São só eles os dois que trabalham na mercearia da esquina. Em frente da mercearia da esquina há uma loja que vende roupa e que tem bonecos grandes na montra para mostrar a roupa que vende e lá ao lado há uma loja que tem aqueles bonecos que mexem e que cantam quando alguém lhes mete uma moeda. A mulher que trabalha na loja de roupa também é antipática. Eu só gosto do merceeiro e da filha da mulher da loja de roupa. O merceeiro é simpático mas a filha nem por isso. A filha da mulher da loja de roupa namora com um rapazola com barba e que diz que é muito macho porque defende a namorada. Uma ou duas vezes chamei uns quantos nomes a esse rapazola e ele ficou muito ofendido e depois correu atrás de mim e eu fiz queixa ao merceeiro. Depois veio a mulher da loja de roupa e perguntou-me o que queria eu da filha dela e eu disse-lhe que não é com a filha dela mas sim com o rapazola. Quando lhe disse isto, a mulher afastou-se e eu procurei o moçoilo para lhe chamar mais uns quantos nomes. Depois acho que fui falar com o merceeiro, já não me lembro bem. E antes também já não me lembro o que estava a fazer e só me lembro de começar a escrever isto. Sei que depois abri a porta e fechei-a e depois fui ver se estava a chover. Antes disso eu estava sentado no sofá e antes de estar sentado no sofá, eu estava em pé. Estive com a filha da mulher da loja de roupa e falei com ela. Perguntei-lhe se ela acha que o rapazola é um brutamontes e ela ficou ofendida. Depois foi fazer queixa ao rapazola que correu atrás de mim e eu corri à frente dele. Ele tem barba e muitos músculos. Depois eu corri à frente dele e entrei para a mercearia e fingi que era cliente mas a mulher do merceeiro expulsou-me porque é antipática e continuei a correr à frente do rapazola. E antes disso já não me lembro o que estava a fazer.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Miguel Real escreve sobre o último livro de Richard Zimler

MIGUEL REAL



O Evangelho Segundo Lázaro, novo livro de Richard Zimler, segue a construção habitual dos seus anteriores romances: 1. - um horizonte histórico real atravessado por elementos do fantástico, neste caso no imaginário judaico; 2. – um estilo realista ancorado nos movimentos sociais e ideológicos da época, neste caso nas lutas colectivas de revolta contra o invasor romano da Judeia; 3. – uma intriga bem alicerçada, coesa nas suas partes, neste caso em torno da vida de Jesus Cristo e da ressurreição de Lázaro; 4. – uma harmonia esteticamente bem conseguida entre os diálogos, a descrição da realidade e a narração íntima (o interior da mente das personagens), nes caso sobretudo através das divagações de Lázaro.
Neste sentido, na literatura portuguesa actual, as narrativas de Richard Zimler constituem-se como as que mais exploram o tema da relação entre História e Cultura, nomeadamente a da espiritualidade judaica. No caso português, esta característica torna-se evidente logo no seu primeiro romance, O Último Cabalista de Lisboa (1996), saga da família de Abraão Zarco ao longo da matança da comunidade judaica na Lisboa dos Descobrimentos (1506). A família Zarco, através dos seus descendentes, surgirá em outros romances do autor, como em Goa ou o Guardião da Aurora (2005), em Meia-Noite ou o Princípio do Mundo (2003) e em A Sétima Porta (2007). Do ponto de vista do romance europeu, Richard Zimler afirma-se como o autor que mais longe leva, sem dogmatismos, a herança espiritual da cultura judaica (não da religião).
O realismo permanece e domina no seu segundo romance, Trevas de Luz (1998), a união entre Belticino, com medo do escuro (alusão ao título), a viver em São Francisco, e Peter, um português originário de Angola, dotado de um espírito andrógino, uma espécie de anjo humano (passe o paradoxo). Meia-Noite ou o Princípio do Mundo (2003) é um dos seus melhores romances, decorrido no século XIX no Porto e, a partir do capítulo 30, na atmosfera escravocrata da América. “Meia-Noite” é um curandeiro africano trazido pelo pai escocês de John Zarco Steward, o protagonista, da África do Sul para o Porto. Tropas de Napoleão invadem esta cidade, o pai de John é morto, a esposa e o filho exilam-se em Inglaterra, mais tarde John seguirá para a América em busca de “neia-Noite”, que fora comprado e feito escravo. “Meia-Noite” carrega consigo, na Europa e na América racionalistas, positivistas e cristãs, o panteão dos deuses africanos: a Hiena – o mal; o Louva-a-Deus – o bem, isto é, as forças biocósmicas criadoras e impulsionadoras do mundo. E é invocando-as que “Meia-Noite” cura John soprando-lhe nos ouvidos. A mãe de Jonh profere a frase principal do livro, frase-resumo da filosofia errante sefardita (e, quem sabe, iluminadora de todos os romances do autor): “É um paradoxo, mas penso que voltei de novo para casa num país estrangeiro” (p. 255). Goa ou o Guardião da Aurora (2005) explora o tema da prisão de alguns descendentes da família Zarco pela Inquisição de Goa. Em À Procura de Sana (2006), o narrador identifica-se com o autor, que conhece Sana num encontro de escritores em Sidney. Sana suicida-se após a representação de Lisístrata de Aristófanes e o narrador tenta reconstruir a vida e a identidade de Sana, que passa pela sua amizade com Helena em Haifa (Israel), desenhando um convívio frutuoso entre palestinianos e israelitas. A Sétima Porta (2007) traz-nos de novo o universo da família Zarco e a descoberta de outros manuscritos de Abraão Zarco (primeiro romance), que, decorrido ao longo da ascensão de Hitler ao poder, descreve profecias sobre o fim do mundo, como que anunciando o Holocausto judaico. A exploração do tema judaico continua em Os Anagramas de Varsóvia (2009), decorrido no gueto de Varsóvia. Em A Sentinela (2013), o autor tematiza a corrupção em Portugal nos negócios e na política.
2.        - O Evangelho Segundo Lázaro
O Evangelho Segundo Lázaro tematiza o milagre bíblico da ressurreição de Lázaro, narrando o mistério do seu retorno à vida por efeito de um cântico e um encantamento de Jesus sobre o peito de Lázaro. Jesus demorara-se, atrasara-se, não chegara a tempo de salvar Lázaro da doença que o oprimia e, como que revoltado, e um pouco sem saber o que está fazendo, ressuscita-o. Lázaro é apresentado como o grande amigo de infância de Jesus. Lázaro salvara Jesus de morrer afogado, vincando mais os laços de união entre os dois amigos e as suas famílias (José e Maria, pais de Jesus, e o avô de Lázaro, bem como os seus dois filhos e as duas irmãs, Miriam e Marta). O realismo histórico, habitual em Richard Zimler, obriga-o a grafar as festas religiosas judaicas, os topónimos, a gastronomia, a flora, algumas expressões e os nomes das personagens em hebraico, apresentando no final um elucidativo e prestimoso “Glossário”. Torna-se, assim, mais coesa a narrativa, evidenciando uma forte fidelidade aos veios históricos do tempo e do espaço enquadradores do romance.
Jesus, ainda que com sólidas ligações à transcendência, ao mundo do deus judaico, de quem se sente inspirado e com o qual dialoga, é apresentado como um mágico e curandeiro popular, como muitos que então existia no território de Israel, não como o profeta messiânico dos quatro evangelhos canónicos. No final, Lázaro, recordando a vida do amigo e o papel que nela desempenhou, escrevendo a seu neto Yaphiel, como que se indigna de ver Jesus transformado em ídolo (messiânico) de comunidades cristãs dogmáticas fanatizadas que constituirão, posteriormente, o corpo da futura igreja de Roma.
A primeira meia centena de páginas de O Evangelho Segundo Lázaro é fabulosa – a descrição (que é igualmente narração intimista de Lázaro) do milagre da ressurreição. Vale o romance todo! O que não significa menor qualidade das restantes, mas são estas primeiras páginas que marcam a vinculação amorosa e encantatória de Lázaro a Jesus, que ao amigo sacrifica vida, filhos e amizades. Lázaro é um ladrilheiro e trabalha para os poderosos de Israel e para colonos romanos (Anás, Lucius…). O sinédrio judaico não aceita a ressurreição de Lázaro e persegue-o, obrigando-o a fazer silêncio do milagre, ainda que a população o considere um abençoado e procure o seu convívio. O ambiente social e religioso é, assim, de opressão de Roma sobre Israel, Jesus conclama a multidão judaica a invadir o templo no tempo da Páscoa e, como relatado em outros evangelhos, é preso e crucificado.
Verdadeiramente, Lázaro é apresentado, no romance, como o 13º apóstolo, que, tal como Maria Madalena, recolhida em segredo após a morte de Jesus, se mantém fiel à imagem do genuíno Jesus, o verdadeiro, não o Cristo da futura igreja romana.

O Evangelho Segundo Lázaro,
Porto Editora, 456 pp, 17,70 euros.