segunda-feira, 17 de março de 2014

Lourenço Correia Ribeiro, um sintrense do século XVI.

CARLOS MANIQUE DA SILVA


Lourenço Correia Ribeiro nasceu em Sintra em meados do século xvi. Era filho de Simão Dias e de Inês Correia Ribeiro, de igual modo naturais de Sintra. Porventura, o pai era o mesmo Simão Dias que figura como provedor da Misericórdia de Sintra nos anos de 1569-70, 1575-76, 1579-80 e 1583-84 (cf. Silva, 1997). A ser assim, Lourenço Correia Ribeiro seria bisneto de André Gonçalves, almoxarife de Sintra e primeiro provedor da Misericórdia local. Conforme veremos, a história de vida desta personalidade revela-se algo singular, justificando o presente apontamento. Em larga medida, a narrativa basear-se-á nos dados publicados por Silva Marques (1949).
O percurso de Lourenço Correia conhece maior notoriedade na sua aventura por terras do oriente. Com efeito, sabemos que partiu para a Índia na armada de D. Jerónimo Coutinho, corria o mês de abril do ano de 1586, sendo que viria a falecer em Macau, precisamente em fevereiro de 1598. Nessas paragens dedicou-se ao comércio e envolveu-se em vários combates. Temos, ainda, conhecimento de que passou por Moçambique, onde negociou em escravos e emprestou dinheiro. Também na China se dedicou ao tráfico de escravos, conforme deixa perceber o seu testamento, lavrado em Goa, no mês de março de 1597 (cf. Silva Marques, 1949).
Silva Marques (1949) asseverou que as motivações de Lourenço Correia para a empresa no oriente não estiveram associadas a problemas de ordem financeira. À data da sua morte, por exemplo, não possuía dívidas passivas e recebia 50 000 réis da “legítima paterna”. Por outro lado, os inúmeros legados com que contemplou a Misericórdia, igrejas e conventos da sua terra natal confirmam de alguma maneira essa ideia (sendo, porém, que terá granjeado bens e capitais durante os doze anos que permaneceu no oriente).
No que respeita aos legados, interessa do mesmo modo referir que, sendo Lourenço Correia solteiro, contemplou parcialmente no testamento os seus herdeiros diretos (a mãe e dois irmãos). E há dois aspetos que sobressaem do conjunto das disposições testamentárias. Por um lado, a avultada fortuna pessoal de Lourenço Correia e, por outro lado, a sua intensa fé e espírito solidário para com os desvalidos do concelho de Sintra. De facto, ao instituir a Misericórdia como sua herdeira, atribui a essa mesma instituição uma verba de 500 cruzados para dotar e casar dez órfãs de Sintra, assim como 50 alqueires de trigo para dar aos pobres na véspera de Natal.
A Misericórdia de Sintra acusa a receção do testamento apenas no ano de 1601, tendo o documento sido enviado pela sua congénere de Macau. A partir desse momento, procede-se à aplicação dos legados conforme a vontade do testador. No entanto, dadas as distâncias geográficas, o processo decorre de forma lenta. E, afigura-se importante dizê-lo, para que as disposições fossem cumpridas muito contribuíram as misericórdias do oriente, reflexo do seu papel preponderante na sociedade da época.
Para termos uma ideia da importância e do alcance dos legados em causa, basta certamente dizer que, em 1634, havia ainda raparigas de Sintra a receber dotes de casamento. As dimensões assistenciais ficam bem presentes num outro exemplo. Com efeito, em 1625, precisamente na véspera de Natal, os pobres dirigem-se à porta da Misericórdia de Sintra, local onde se distribuíam os alqueires de trigo resultantes do legado de Lourenço Correia. Em sinal de reconhecimento, deslocam-se depois para junto do cruzeiro onde rezam pela alma do defunto, cumprindo-se, assim, a vontade de quem procurou obter redenção.   


Referências
Silva, Carlos Manique da (1997). Provedores da Santa Casa da Misericórdia de Sintra. Sintra: Santa Casa da Misericórdia de Sintra.
Silva Marques, João Martins da (1949). Sintra e sintrenses no ultramar português. Lisboa: s.n.

sábado, 15 de março de 2014

Anos de 35 dias

FREDERICO PARADELA DE ABREU

Nós podíamos todos viver até ao ano de 2500, bastava apenas que a contagem deixasse de ser feita pelas voltas que a Terra dá à volta do Sol e se passasse a contar pelas nossas resoluções de novo ano. Resoluções para 2014: Temos os clássicos – deixar de fumar (duração: 6 dias); perder peso (duração: 26); etc. Temos os projectos de vida – voltar a estudar (duração: 36 dias); escrever um livro (duração: 35 dias); etc. Se grande parte das nossas resoluções para o ano de 2014 já terminaram há algum tempo, então, em que ano que estaremos agora?
Porém, este grande feito – de viver 500 anos – levanta um problema. É que para termos conseguido viver até ao ano 2500 teremos de usar como calendário a duração das nossas «resoluções anuais», só que isso irá afectar as gerações de 2500, cuja contagem é feita pelo movimento de translação, porque nós não fizemos História. Ao não termos prosseguido com as resoluções pelo tempo que estava inicialmente determinado (365 dias) nós não inscrevemos o nosso presente na História (Obviamente, que, para efeitos de fazer História, não me refiro aos «clássicos» mas, ainda assim, é provável que continuar a fumar reduza as hipóteses de fazê-la). Agora imaginem o que será das gerações de 2500 quando não puderem invocar a História porque, pura e simplesmente, nós não a criámos. Claro, que também não a queremos criar para que as gerações desse ano se sirvam dela como forma de consolo para alguma espécie de síndrome de inferioridade se as coisas estiverem a correr menos bem na altura. Esperemos que elas compreendam que lá por nós termos feito História hoje (caso cumpramos com as nossas resoluções), não significa que eles (caso não tenham cumprido com as suas resoluções) vão ser um País que deve ser tratado como «alguém» que faz a diferença.     
Portanto, apetrechem-se dos instrumentos necessários que está na hora de inscrever o presente na História, aliás, já passa um pouco da hora mas – sem descurar a atenção que temos que dar a essa peste1 que assombra Portugal – mais vale tarde que nunca. E toca de encher o quarto, ou escritório, ou sala, de fotografias de referências ou ícones da nossa vida. Estejam eles vivos ou mortos, sejam eles longínquos ou familiares. Não acredito que não tenham um familiar, Mãe, Pai, Tia, Avô, que não tenham orgulho de pôr em grande numa fotografia na parede do vosso quarto? Façam um poster dessa fotografia! Façam papel de parede dessa fotografia e forrem o vosso quarto com ela! (Isto já é estúpido. E como sei que o leitor ao escutar [através dos olhos] as minhas galvanizantes palavras já estava a ponderar em passar no AKI ao fim da tarde para comprar papel de parede, peço-lhe que não realize este último ponto sob pena de vir a ter problemas futuros nas relações pessoais íntimas).   
[Se me dão licença tenho de me despedir de grande parte dos meus amigos que vão interromper a leitura do texto ao terceiro parágrafo sob a decisão: «Depois leio o resto». Um «depois» infinito e intemporal que nunca se materializa. Obrigado pela vossa atenção]   
Agora, caro leitor, não pense que isto é só vir para aqui mandar bitaites e depois estou no sofá a meter likes no Facebook como se não fosse nada comigo. Aliás, se estou a fazer uso da palavra terei de forçosamente dar exemplo. E como tal refiro que uma das minhas resoluções para o ano de 2014 foi a de inserir a «escrita» como parte activa na minha vida. Todos já frequentámos as reuniões dos Procrastinadores Anónimos, uns mais do que outros, e certamente voltaremos a frequentá-las ao longo da nossa vida, a questão aqui prende-se com a consciência de que a concretização isolada das resoluções de cada um terá um impacto enorme na História do nosso país. E não é necessariamente obrigatório termos uma resolução igual à que aquele rapaz madeirense teve há uns anos atrás: «Este ano vou lutar para ser o melhor jogador de futebol do mundo», mas há sempre um mínimo olímpico que temos de impor às nossas capacidades, sob pena de falharmos com o nosso orgulho. Ou querem ser tratados abaixo das vossas capacidades? Não quero ouvir mais ninguém a chegar a um estabelecimento e a pedir «cafezinhos», «bolinhos», e «suminhos», a partir de agora é: “Desculpe, queria um cafezão!”, e se por acaso vos responderem com um “Queria? Já não quer?” vocês levantam-se e vão lá servir-se porque entraves haverá sempre mas o único verdadeiramente impeditivo somos nós próprios.  





  (1)O insecto Laxismu-pontuallys é uma espécie endémica de Portugal que todos os anos ataca milhões de portugueses.

quinta-feira, 13 de março de 2014

No tempo em existiram várias figuras marcantes e castiças em Sintra!

JOSÉ CARLOS SERRANO 

Ele houve tempos de figuras incontornáveis em Sintra.
Quem não se lembra do Nicolau, simpático, cumprimentava toda a gente. Mas uma doença neurológica obrigava-o a andar como andava, todo curvado, e quando necessitava de atravessar a estrada quase que tocava com as mãos no chão. Mas na praia caminhava direito e sem stress.


A Romana, estava na entrada das Finanças, era Contínua, ajudava as pessoas a preencher os impressos, sempre com os seus cães debaixo da secretária, à noite e aos fins-de-semana vendia os bilhetes no Cinema Carlos Manuel.
O Capela, figura mítica, sempre presente nos jogos de hóquei de Sintra e do futebol do Sintrense. Fervoroso adepto que não falhava um jogo e sempre a puxar pela equipe.
O Gaguinhas, um taxista que existiu em Sintra. Homem magro e alto, muito simpático, ele houve tempos em que tinha dois carros de praça, um fechado e um descapotável, Reza a historia que quando as pessoas telefonavam a pedir um carro, ele dizia " quer c’o aberto ou c’o fechado?". Era gago e essa frase é histórica.
O Russo, o engraxador, que engraxava sapatos à porta do Cíntia, na estação.
O Tony Braga, o Contínuo, que existiu na Câmara de Sintra, fazia o transporte de documentos e processos entre os vários departamentos dos serviços, só que existiam várias tascas, cafés e restaurantes nos percursos e quando chegava à hora do almoço já andava muito torto.
O Jaques, o inspetor do Cinema Carlos Manuel.
O Canelas, o corta-bilhetes na entrada do cinema e estofador.
O Feijoca, o Sr. Jorge da Laranjinha, o Caninhas, o Sr. Guerra, que fazia trabalhos em couro, por detrás da estação.
O Sr. Silvino, sapateiro, também por detrás da estação.
O Zé Maria, das flores e do relógio da Vila. O Tio Augusto, o Tarufa, mecânico, e o Ti Chico Titão dos cavalos, o " voltinhas dos trens " e o Ti Augusto “dá palha á burra”.
O Geringonça, era o dono da tasca ao lado da Câmara.
O Sr. Miguel, empregado do Zé Silvestre, era campeão das amarelinhas.





quarta-feira, 12 de março de 2014

A Sinfonia dos Pássaros

FERNANDO MORAIS GOMES

Está a chegar, despertadas, as Criaturas da Mata anunciam a sua presença, sinos do submundo tocam, arautos da cor e clorofila, despertando o perfume nas flores. Tonitruante, toda a nação dos pássaros toca a rebate, comandada por zelosas andorinhas, voltadas do Grande Sul. Depois do Branco Inverno partir para o sono de várias luas na gruta-ventre, exércitos de borboletas libertinas invadem os ares em  sagração, poisando em pétalas redentoras, bafejadas por raios generosos. Poetas estremunhados abandonam os invernosos esconsos, bebendo Luz e respirando jasmim, na senda da Iniciação Multicolor. É o Começo.

Ostara chama a reunir, gamos e colibris, crisântemos e girinos, libelinhas e lagartos, todo o mundo do silêncio convocado pelas forças da Criação, em noite de Equinócio. No bosque da Cynthia Imortal, lá onde entre oceano e fortalezas homens ergueram templos à Floresta-Mãe, reúnem em assembleia elfos e centauros, como sempre, desde a noite dos tempos, a desenhar um anel de luz e em prece às chuvas, sémen da vida e seiva de renovação. No silêncio cúmplice da noite, a sagrada chama crepita no altar, ao lado, a revigorante poção dum druídico caldeirão sacia ressequidos lábios, bafejados por novo renascimento. Toda a Floresta comparece, e os dias escuros partem, a terra alberga sementes, o mundo renova a sua Luz.

No altar sagrado, pejado de grinaldas e ovos, grãos e raízes, o Coelho Pontífice guarda, sentinela, atento às entranhas de Cynthia, perturbada e perturbante. De mãos dadas, os convocados, em adoração à deusa liberta do longo  Inverno, entregam-se ao ritual das fragrâncias, viajando entre ramos e folhas, sulcando o orvalho vitamínico e puro. Toda a Floresta desvairadamente celebra, num festim de castanhas, pinheiros, verduras e verdes límpidos.

Terráqueos da montanha colocam flores no altar, no caldeirão, água pura e flores esperam o momento da oferta, enquanto na clareira, iluminada pela argêntea Lua, incenso e velas se acendem em acordo com os elementos. Rasteiros e vindos de Cynthia, assustados terráqueos tocam nas plantas, em busca do milagre da vida, prometendo amizade e cumprindo o círculo, para depois partirem por algumas luas, ao encontro de Beltane, Litha mais tarde celebrará o apogeu de Ostara e o seu declínio, para os entes da floresta e desde a noite dos tempos, sinal sabido da chegada de Samhein e Yule, e com eles das trevas da gruta em novo apagar de fogueiras, fugidas do eólico norte e da escuridão da tundra uivante.

Nas aldeias de Cynthia, as terras pedem sementes, e as árvores folhagens, chilreios em beirados prometem fertilidade, logo partirão desbravando céus e mares, noites e dias, até que o grande astro de novo os traga. Como sempre, Ostara protegerá Cynthia, antes a fez rude e pedregosa, apoteose do verde agora.

Toda a noite um fogo redentor aqueceu os terráqueos, com Pã no carvalho chilreando a flauta, logo em melódico coro acompanhado por rouxinóis e toutinegras. Ao amanhecer, cristalina e espelhada em frescos lagos, a Primavera reinará esplendorosa, com o seu ceptro de azevinho e coelhos nervosos saltitando pela floresta. Os avaros dias do longo Inverno crescerão generosos, frutos e plantas brotarão, suculentos, cardumes cruzarão os rios, serpenteantes patos se banharão nos rios atrás de irrequietas rãs.

No ano seguinte e em todos a seguir, assim será até ao fim dos tempos e até que na Valhalha Odin junte os guerreiros,  esperando o advento do Ragnarok. Cynthia verá choros, risos, lutos, borrascas, milagres, e sempre no tempo em que o dia for igual à noite, Ostara voltará, fugaz pitonisa a espalhar a redentora Luz. 

terça-feira, 11 de março de 2014

Novo texto de Bárbara Rodhner

BÁRBARA RODHNER



Sentada no sofá vejo ondas que invadem praias, engolem bares.

Sinceramente? Não sinto nada. Parece-me tudo tão previsível como o viver dentro da boca-vulva de um vulcão e chorar a sua erupção.

Qual é o risco de amar uma mulher bonita? O mesmo que se paga por habitar, domar, os locais mais invejados.

O Homem chora, eu não.

Frigida! - acusei-me.

Olho para o chão e vejo uma pequena sombra; Filho de peixe sabe nadar. Fugiu-me uma cria... Está parada, paralisada, encostada à parede fria.

- Mãe ... Vamos todos morrer?

A cara branca, os olhos de cão , a faca que me rasga. Afinal estou viva. Revejo naquela expressão-rija-tensa todo o pânico que senti no dia em que descobri que não somos imortais.

Não fui capaz de mentir.

- Sim; Vamos todos morrer.

- Quando?

- Não sei.

- podemos ir juntos ? ...

...

A mulher é este vale-montanha, com o seu lado lunar, azul corvo, metálico, frio, e o seu lado solar, quente, árido, amarelo inflamado, encarnado.

Chorei.

Perco-me no meu pensamento.

Regresso.

- Mãe , quando ?!

Traumatizei o meu filho mas não sou capaz de mentir. Mentir é adiar a verdade que virá naturalmente ao de cima como o mar engole a terra.

- Quando chegar o nosso dia.

Ele suspira. Eu também. Damos um abraço com apenas uma certeza:

Somos mortais; vivemos enquanto temos oportunidade.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Sintra, festivais de Teatro e Música em Março I

JOÃO CACHADO


Não tenho a mais pequena dúvida de que, oportunamente, ao fazer-se a avaliação das actividades culturais em Sintra promovidas durante o ano em curso, este mês de Março, evidenciar-se-á como um período marcado por uma deveras gratificante vitalidade. Para já, necessário fosse demonstrá-lo neste preciso momento, aí estão, no âmbito do Teatro, o Festival Periferias, iniciado no passado dia 4 e, no outro caso, o da Temporada Tempestade e Galanterie, no domínio da Música, que arrancará já no próximo sábado, dia 8, ao qual dedicarei um artigo a publicar já na próxima edição.



Quanto ao primeiro referido, por me parecer que muito bem define a singularidade da iniciativa promovida pelo “Chão de Oliva”, Centro de Difusão Cultural em Sintra, passo a citar:



“(…) Vindos de Matosinhos ou Brasília, do Mindelo ou da Beira, durante doze dias nos unirá a palavra dita e a emoção declamada, a tonitruante experiência de outros palcos em lutas pela sobrevivência ou por uma legítima afirmação, e tudo sonoramente transmitido nessa língua que é de Pessoa e Craveirinha, Ondjaki ou Jorge Amado.



Em Sintra, terra onde diletantemente se enche a boca de Cultura mas a Cultura resiste na intermitência de iniciativas e avareza de recursos, o Chão de Oliva, pioneiro hoje como no passado, volta a dar o exemplo, e o seu pequeno teatro, singelo e resistente, será por esses dias a ágora iluminada da língua na qual secularmente celebramos, sofremos e lutamos. (…)” [Fernando Morais Gomes, Unir as periferias para uma nova centralidade, no blogue ‘O Reino de Klingsor, 20.02.2014].



Com esta minha chamada de atenção que, de modo algum, dispensa a consulta do programa, também gostaria de realçar como, em plena Estefânea, no coração da sede do concelho, foi possível articular vários espaços culturais, dois dos quais, Vila Alda e Casino, são municipais, para acolher a relevante iniciativa cultural à qual Sintra está associada, já pelo terceiro ano, e que, desta feita, apresenta uma dimensão ainda mais evidente.



Em três palcos, desde a Vila Alda-Casa do Eléctrico – onde permanecerá a estupenda e imperdível exposição O secreto mundo das marionetas orientais, da colecção privada de Elisa Vilaça (Macau) – à Casa de Teatro de Sintra, para actuação dos grupos d’Orfeu, Associação Cultural (Águeda), Asta (Covilhã), Teatro Por Que Não (Brasil), Grupo de Teatro Haya-Haya (Moçambique), Jangada Teatro (Lousada), As Caixeiras (Brasil), Te Atrito (Faro), Grupo Teatral Craq’Otchod (Cabo Verde), Fantoches Baj (Galiza), e ao Casino de Sintra que acolherá o espectáculo da Cia Teatro Constantino Nery (Matosinhos).



Primeiro êxito



A verdade é que já é possível referir o sucesso reservado à primeira iniciativa, precisamente, a referida exposição cuja abertura coincidiu com a inauguração do Festival. Trata-se de uma estupenda iniciativa que assume o princípio inequívoco de que a exposição é um lugar de formação. Só visto! O que ali se aprende, as portas e janelas que se abrem para um mundo tão fascinante, confirma como foi acertada a aposta.



Indissociavelmente ligada a Maria Elisa Rocha Vilaça, Directora da Escola de Artes e Ofícios da Casa de Portugal em Macau, incansável animadora deste universo espectacular, é um repositório extremamente bem montado, com um ritmo muito adequado à aprendizagem de todos os públicos. O fascínio de surpresas sucessivas espreita o visitante que não tem qualquer hipótese senão permanecer num bom estado de encanto.



Começar assim, precisamente, com um dos mais ricos suportes milenares das artes performativas, é coisa de gente sábia. João De Mello Alvim e a sua gente do Chão de Oliva, estão de parabéns. E para lhos apresentar directamente, em nome de todos nós, lá estiveram o Vice Presidente Rui Pereira e mais três Vereadores da Câmara Municipal de Sintra, Marco Almeida, Pedro Ventura e Luís Patrício, cabalmente demonstrando como o mérito se reconhece.



Casino



Ainda a propósito, embora lateralmente, uma especial referência me seja permitida em relação ao caso do Casino de Sintra, reforçando e acrescentando informações já produzidas noutras oportunidades. É este o edifício que a Câmara Municipal de Sintra tem comprometido para o acolhimento da Colecção Bartolomeu Cid dos Santos e do notabilíssimo núcleo adstrito de obras de famosos artistas contemporâneos amigos pessoais de Barto, tais como Paula Rego, Júlio Pomar, Vieira da Silva, ou o galáctico Francis Bacon!!!



Através de decisão do anterior executivo autárquico, já honrado e confirmado pelo actual presidido pelo Dr. Basílio Horta, cujo alcance constituirá inequívoca mais-valia para Sintra, em resultado da atractividade que suscitará a nível nacional e internacional, o Casino de Sintra voltará a disponibilizar obras de Arte Moderna e Contemporânea, capitalizando o crédito que acumulou durante a vigência do Protocolo com o Comendador Berardo.



Trata-se de um espaço físico traçado por Norte Júnior, cujas características, em conjugação com o Centro Cultural Olga Cadaval, também da autoria do mesmo arquitecto, constitui um dos mais interessantes dispositivos culturais a nível nacional. Pois bem, o Periferias, cuja programação inclui uma exposição/feira do livro subordinado à temática teatral e um espectáculo no Casino, também vem lembrar que, futuramente, nos termos do Protocolo de Cedência da referida Colecção, sempre haverá espaço destinado a iniciativas que a Câmara Municipal de Sintra decida patrocinar.



João Cachado escreve de acordo com a antiga ortografia