sexta-feira, 11 de abril de 2014

Quarteirão das Artes II

JOÃO CACHADO



Se bem que, o objectivo do presente texto seja o da sistematização das opiniões que apresentei na passada semana, não poderia perder a oportunidade de ainda me referir ao caso da Correnteza.

Tanto quanto me parece, apesar de carecer de uma atenção especial quanto ao actual estado do lindíssimo pavimento em calçada à portuguesa, trata-se de um espaço com características únicas onde, além das feiras, desde já é possível promover alguma animação de rua.

Em especial, durante os fins de semana, conviria estimular, por exemplo, o aparecimento de iniciativas relacionadas com a prática da ginástica e de outras expressões de educação física, devidamente programadas e com calendário compatível, animadas por técnicos habilitados, provável e naturalmente, relacionados com entidades sediadas no Quarteirão.

Por outro lado, este também é um lugar que, ao ar livre, se apresenta particularmente adequado à animação com recurso às artes performativas. Consideraria interessante equacionar certas formas de teatro e de expressão corporal, a mímica, a pantomina, o tradicional teatro de marionetas e algumas atitudes circenses.

Imediatamente, porém, nas suas mais diferentes modalidades e variados aspectos, se evidencia a prática da música. É a oportunidade para dar lugar às bandas filarmónicas, grupos de crianças e de jovens músicos das Escolas de Música do concelho, atitudes estas eventualmente subordinadas a determinadas temáticas relacionadas com a época do ano ou outras, com o propósito de que todos os envolvidos obedecessem a um programa multifacetado mas de acordo com uma grelha comum.

Prática de exercício físico, por um lado, artes do palco e animação musical, naquele específico espaço aberto, por outro, com recurso a palco coberto ou coreto desmontável, são atitudes indissociáveis do enquadramento institucional e apoio logístico autárquico, quer da União das Juntas das Freguesias de Sintra quer da Câmara Municipal cujos serviços afectos à animação cultural conhecem perfeitamente a situação.

Finalmente, a referência a um aspecto que, passe a presunção, igualmente me parece da maior pertinência, ao qual já dispensei atenção em anteriores oportunidades de escrita sobre a Correnteza. Importa e urge que, em definitivo, a Câmara saiba encarar este local como uma das mais espectaculares salas de visita de Sintra. Para o efeito, estrategicamente instalada uns metros acima, a Casa Mantero dispõe de um espaço absolutamente privilegiado.

Ali, na sua humilde e demasiado discreta expressão actual, existe e aguarda a devida atenção, uma pequena mas potencialmente sofisticada unidade de restauração, com  aquela fascinante esplanada panorâmica, concessionável entidades vocacionadas para a exploração de proposta  tão exigente. Não me anima qualquer propensão materialista mas é evidente que «aquilo» tem um alto preço. E mais não acrescento. Recuso-me aceitar tratar-se de mais um caso em que dá Deus nozes…



Abrangência da Cultura

No primeiro artigo subordinado ao título Quarteirão das Artes, partilhei convosco um princípio cuja pertinência não carece de demonstração, nos termos do qual a promoção de actividades culturais numa comunidade é algo que deve acontecer no entendimento de que a Cultura não é uma realidade isolável de um todo coerente.

Mais especificamente, se bem se lembram, o vector primordial do texto a que me reporto e que hoje estou concluindo, apontava para um quadro de referência em que a prática das civilizadas atitudes culturais se articula, inequívoca e integradamente, com realidades de outros sectores de actividade numa desejável sintonia.

No contexto de tal perspectiva de abordagem, também se evidencia que, por não poder ser considerada redutora e voluntariosa, a promoção do programa implícito e constante da proposta subscrita pelos Senhores Vereadores da Câmara Municipal de Sintra Paula Neves e Luís Patrício, há-de respeitar a metodologia de intervenção coincidente com a preocupação aqui manifesta.

Seria conveniente que, precisamente neste sentido, se pronunciassem os intelectuais, mulheres e homens de Sintra afectos às Letras e às Artes, os professores, jornalistas e, em particular, os agentes culturais que trabalham no seio das entidades referidas pelos autores da proposta, de tal modo que assumissem a defesa e divulgação desta perspectiva de actuação que, estou certo, não poderão deixar de subscrever.

É nestes termos que, naturalmente, em articulação com a proposta, se impõe a reabilitação do espaço urbano que integra o designado Quarteirão das Artes. De facto, infelizmente, não faltam edifícios por recuperar, alguns, aliás, património municipal. Mas a natural evidência e imposição dessa necessidade e subsequente procedimento hão-de conduzir, não à intimação mas ao incentivo dos proprietários à concretização das obras, através de medidas verdadeiramente encorajadoras, desburocratizadas, dinâmicas, atentas ao interesse geral da comunidade, enfim, atitudes cultas, de uma administração local civilizada.

Crucial

Mais uma vez, insistirei na inquestionável pertinência dos trabalhos a efectuar na Heliodoro Salgado, o principal eixo de circulação de peões e de viaturas na zona da Estefânea. Seria essa a altura ideal para a concretização do projecto de prolongamento da linha do Eléctrico de Sintra, desde a Vila Alda até à estação terminal da CP e Vila Velha, resolução que implicará na adopção de outras medidas relacionadas com o acesso de residentes e comerciantes a certos pontos críticos, encerramento de segmentos de algumas vias, o respeito escrupuloso de um regime muito exigente de cargas e descargas, etc.

Questões de ordem estética servidas por adequadas soluções técnicas, aplicadas com a desejável eficácia – items que foram manifestamente descurados aquando da concretização da pedonalização da via – é o que, actualmente, será justo esperar de um executivo autárquico que, ao aprovar por unanimidade a proposta do designado Quarteirão das Artes, está condenado a estas civilizadas atitudes.



Ainda integrada neste quadro de medidas, a requalificação da bolsa de estacionamento na área circundante ao edifício sede do Departamento de Urbanismo – indispensável às viaturas cujos ocupantes pretendam aceder aos eventos culturais – inseparável da reinstalação da passagem-ponte pedonal, que tanto tarda e prejuízo causa a todos quantos precisam circular a pé entre a Portela e a Estefânea.

Num pequeno parêntesis, permitir-me-ia afirmar que, nesta concreta e crítica situação, em que toda a comunidade dos dois bairros da sede do concelho é negativamente afectada, há demasiado tempo, está mesmo em jogo a demonstração cabal da capacidade de intervenção dos actuais autarcas. Sabemos que a estrutura já foi recuperada nas oficinas da Câmara pelo que resta desejar o maior sucesso para as difíceis negociações em curso.

Também crucial para a vivência cultural das iniciativas do Quarteirão das Artes, a instalação dos parques periféricos de estacionamento, medida incontornável, insuportavelmente adiada, que importa concretizar no mais curto período possível, ainda que faseadamente, sem fazer qualquer concessão à qualidade que tal solução pressupõe. Nada arrisco nesta que é a minha mensagem mais recorrente, cuja inevitabilidade de materialização também é condição sine qua non para a melhoria da qualidade de vida no coração do município.



[João Cachado escreve de acordo com a antiga ortografia]

terça-feira, 8 de abril de 2014

Contra o sectarismo


RENATO EPIFÂNIO
O pensamento mediático (leia-se: o “pensamento” que em geral nos é impingido no espaço dos “media”) tende a ser um pensamento dilemático. Não só, exemplo mais evidente, entre “esquerda” e “direita”. À luz desse pensamento mediático, que cada vez mais infesta todo o pensamento, por se apresentar como o único pensamento de referência, tudo nos aparece como um dilema: “tradição” ou “inovação”, “conservadorismo” ou “progressismo”, “espiritualismo” ou “materialismo”, etc.
Já o pensamento filosófico, ao invés, emerge de uma lógica bem diferente. Decerto, nunca ocorreu a um Filósofo digno desse nome escolher, apenas para dar um exemplo clássico, entre “Uno” e “Múltiplo”. Pois que, filosoficamente, não se trata de escolher mas de acolher e integrar todas as contrapolaridades numa única visão. Só assim esta será uma visão ampla, filosófica, e não estreita, dilemática.
Para usar uma imagem de um Filósofo digno desse nome (falamos de José Marinho, provavelmente o maior Filósofo português do século XX), do que se trata, ainda e sempre, é de realizar essa “espiral que com a sua maravilhosa adunação abraça e funde, prevê e espera abraçar e fundir sem violência, todo o diverso revelado e possível”. Eis a “espiral” que representa, para o nosso pensador, o próprio “conhecimento da verdade”. Realiza ela a adunação de toda a diversidade, realiza-a ela de tal modo que essa adunação se cumpre “sem exclusão da mesma diversidade”.
Analogamente, não temos que escolher entre “conservadorismo” e “progressismo”, ou entre “tradição” e “inovação”, como a todo o momento o pensamento dilemático nos propõe. Nem é preciso recorrer a nenhum Filósofo digno desse nome para o perceber. Basta olhar para a própria Vida. Basta o saber da Vida para percebermos que não há real progresso se não se conservar, ao mesmo tempo, o que houver a conservar, que não há verdadeira inovação que se possa afirmar por negação da tradição, o que seria tão absurdo quanto defender que uma árvore só cresce se destruir as suas raízes…

domingo, 6 de abril de 2014

Manuel José de Herigoyen: - um vizinho ilustre

RUI OLIVEIRA

Temos para nós que História é a mais humana das Ciências da Humanidade. A plenitude desta afirmação atinge-se quando a História Local se focaliza no indivíduo, com todas as suas grandezas e misérias, com todas as prerrogativas de ser, simplesmente, um vizinho de entre muitos outros.
O presente artigo debruça-se sobre um “vizinho”, nascido e criado no vetusto Centro Histórico da Vila de Belas, nos meados do século XVIII (1746). Personalidade que se mantém no anonimato dos portugueses em geral e, em particular dos moradores da Vila de Belas, apesar de a autarquia local lhe ter atribuído, a alguns anos, uma placa toponímica de uma rua na freguesia.
Como muitos outros portugueses, que desde sempre, rumaram a outras paragens em busca das suas legítimas aspirações pessoais, Manuel José de Herigoyem triunfou como arquitecto surgindo como figura cimeira da arquitectura meridional alemã (REIDEL, 1982). O seu contributo e talento, está ao nível dos grandes arquitectos europeus que, como todos sabemos, circulavam um pouco por toda a Europa setecentista. Ontem como hoje, a mobilidade, a troca de saberes e experiências foi crucial para o desenvolvimento do então jovem arquitecto. Tal caldeamento do “saber fazer” tem início em Portugal, concretamente em Lisboa. Encetamos então a viagem, sedutora, de descoberta da vida e obra deste notável vizinho e conterrâneo.
Registo de Baptismo de Manuel José de Herigoyem                    (I.A.N.T.T. Freguesia de Belas, conc. de Sintra, Livro 4-B, p. 61)
Registo de Baptismo de Manuel José de Herigoyem (I.A.N.T.T. Freguesia de Belas, conc. de Sintra, Livro 4-B, p. 61)
O primeiro passo, é o seu registo de Baptismo exarado pelo punho de um outro nosso conhecido, o Prior da Igreja da Misericórdia de Belas, João Crysóstomo, refere o assentamento que: «Aos quatro dias de Novembro do anno de mil setecentos e quarenta e seis baptizei e pus os Santos Óleos a Manoel f.º [filho] de Martinho Hirigo[y]en e de sua mº [mulher] Ana Margarida Floricin moradores nesta villa [de] Belas e recebidos nesta Igr.ª [Igreja] foi padrinho o sereníssimo Sr.º [Senhor] Infante D. Manoel de que fiz este assento. O Prior João Crysóstomo» (1). Já depois da sua assinatura, o Prior de Belas, faz rectificação do nome da mãe de Manuel: «Declaro que o nome da may [mãe] do baptizado hé Anna Margarida Floricin». Fecha a rectificação com a sua rubrica.
Neste documento existe um dado importante a reter,reporta-se aos pais do nosso Manuel José Herigoyem, ambos são estrangeiros, o pai é basco, de Baiona, a mãe austríaca, de Viena, radicados em Portugal, com benfeitoria e protecção ao nível da Casa Real Portuguesa, materializado no apadrinhamento da criança pelo Infante D. Manuel, filho de D, Pedro II e irmão de D. João V. Seguindo ainda as pisadas de Hermann Reidel, Martinho Herigoyem foi vagomestre do Infante D. Manuel, isto é: mestre dos carros ou de transportes e equipagem do exercito (2). Alguém importante na gestão de transportes e da sua sustentabilidade, nomeadamente, no contingente de cavalos. Ora desta importância deriva, afinal, a protecção régia, materializada no convívio com o Infante D. Manuel e de benesses junto da nobreza mais próxima da Casa Real. Nestes nobres se incluíam então os Castelo-Branco, Condes de Pombeiro e Senhores de Belas.
É precisamente D. Luís de Castelo Branco Correia e Cunha, décimo sexto Senhor de Belas, quarto Conde de Pombeiro, Capitão da Guarda-Real dos Arqueiros, casado com D. Pelágia Teresa Agostinho de Almada, Dama de Honor da Rainha Maria Ana Victória da Áustria, esposa de D. João V, que rectifica o aforamento efectuado a vinte cinco de Novembro de 1745, pelo seu feitor Pedro Lons, a Martinho Herigoyen Castanheiro, de: «um pedaço de chão e baldio junto ao curral do concelho para fazer nele umas casas com seu logradouro» (3). A área aforada proporcionava uma pequena quinta, dentro de uma outra denominada de Quintinha, por oposição à Quinta Grande de Belas. Pagava, mesmo para a época, um foro irrisório de doze galinhas por ano.
Retomando a narrativa do que foi a formação do jovem Manuel José Herigoyem, sabemos, porque ele assim refere na sua autobiografia, que frequentou o Real Colégio das Necessidades até aos inícios de 1762. Este, Colégio a cargo da Congregação do Oratório, teve o seu início em modestas instalações, primeiro na fanga (praça) da Farinha, posteriormente, em 1674, para o Convento do Espírito Santo, na freguesia de Santos-o-Velho e daqui se mudaram, a 6 de Maio de 1750, para a Casa das Necessidades, mandada construir por D. João V (PORTUGAL e MATOS, 1974: 390).
Os Oratorianos na época exerciam, no ponto de vista pedagógico, uma certa oposição aos Colégios Jesuítas. Fortemente apoiado pelo monarca, este Real Colégio das Necessidades era um local em que a Física Experimental tinha grandes entusiastas e o maior vulto da época neste campo, o padre Teodoro de Almeida (CARVALHO, 2001:399-402). Os Oratorianos representavam e divulgavam a nova corrente do saber: o Iluminismo.
Herigoyen uniformizado
Herigoyen uniformizado
Após o Terramoto de 1755 e sequente reconstrução de cidade de Lisboa, Manuel José Herigoyen tem aulas de Desenho, Pintura e Arquitectura, com Giovanni Antinori, que a partir de 1755 tem o cargo de Arquitecto Régio (LAVANGINO, 1940:137). Nessa época, Lisboa era um imenso estaleiro, local em que a teorização e a concretização tinham o mesmo espaço de acção.
Serviu na Marinha Real, com vinte anos de idade, nas viagens de serviço teve a oportunidade de constatar outras realidades sociais. Esteve na Madeira, Porto Santo, Ilhas Canárias, Brasil, Gibraltar, Açores, Cabo Verde e costa guineense. O prelúdio da sua vida de emigrante.
Aos 24 anos e depois da Morte de seu padrinho de baptismo, o Infante de Manuel, ocorrida em 1766, abandona a Marinha e parte para o estrangeiro. Inicialmente, segundo cremos, na companhia de ambos os pais ou mesmo só de seu pai, fixa-se em Baiona, em curta estadia, na casa de familiares do lado paterno. Daí rumou a Paris e na École des Ponts et Chaussées (Escola de Pontes e Estradas), entre 1767 e 1769, o jovem Herigoyen completa a sua formação e obtém o grau de engenheiro. O término da sua formação técnica é agora a linha de partida para uma vida de trabalho competente.
Inicialmente integra a complexa teia de funcionários da Corte Imperial Austríaca, onde não era desconhecido de todo em todo, dado que um seu tio, materno, ocupar nessa altura o posto de primeiro-tenente engenheiro. Posteriormente, é contratado pelo conde alemão Wilhelm de Sickingen para seu arquitecto privado. A sua área de acção é o Condado de Landstuhl – Renânia Palatinado.
Ratisbona. Monumento a Kepler. Á esquerda Herigoyen, ao centro o Conde Gaspar de Sternberg e à direita o padre Plácido Henrique. Gravura de Joham Bitchell de 1808
Ratisbona. Monumento a Kepler. À esquerda Herigoyen, ao centro o Conde Gaspar de Sternberg e à direita o padre Plácido Henrique. Gravura de Joham Bitchell de 1808
Com base na sua experiência e capacidade de liderança, Herigoyen foi nomeado primeiro-tenente do Corpo de Engenheiros do Principado da Mogúncia, no ano 1778. Como militar, Engenheiro e Arquitecto, planeia e dirige construções de edifícios públicos, religiosos e aulicos; procede a levantamentos cadastrais e cartográficos. Mas, não só! Segundo Reidel, o nosso Manuel José Herigoyen, então com 38 anos, aventurou-se na Física Experimental, quando na Abadia de Altmuenster, na Mogúncia, projectou e construiu um aeróstato (balão de ar quente) que se incendiou, ainda, no chão, corria o ano de 1784. As aulas dos Oratorianos e a saga de Bartolomeu Gusmão, mantiveram-se presentes no espírito arguto do engenheiro.
A pujança artística da obra de Herigoyen, que abrangem um período de cinquenta anos aproximadamente, para além de revelar uma personalidade versátil, intuitiva e fortemente alicerçada no conhecimento do melhor que se fazia e construía na Europa, denota a forte mutação de estilos e de gostos ocorridos durante os finais do século XVIII e os princípios do século XIX. Iniciada sob as influências ressonantes do Rococó austríaco, prosseguiram sob a influência francesa, bem patente nas suas obras na Mogúncia; ou em associações de elementos palacianos ingleses com decorações ao estilo Império bem exemplificado nos edifícios de Rastibona; para, em Munique, atingirem os primeiros alvores do Historicismo.
Assumidamente cosmopolita, fiel a princípios caracterizados pela modéstia discreta e altruísta, Manuel José Herigoyen faz parte de uma plêiade de Homens e Mulheres para quem um mundo (ou a globalidade se o entenderem como tal) é o seu palco e a Humanidade o seu público. Pelo menos é o que nos deixa transparecer quando escreveu, em 1816, a sua autobiografia «… que o destino deixou-o nascer em Portugal e a Honra o conservou para falecer, depois de tantas experiências e muitas andanças, ao serviço de Sua Majestade o Rei da Baviera» (ARENS, 1970, 118).
Rui Oliveira (*)
(*) Investigador de História Local, Coordenador D.I.A. da Associação Verde foi Meu Nascimento
Email: ruy.oliveira@sapo.pt
Blogue: http://olimposintrense.blogspot.com/
Site: http://www.radioocidente.pt/
Belas, Dezembro 2010
Notas:
1 - Optamos neste texto, em concreto, por uma lição paleográfica livre. Ainda, assim, desdobramos as abreviaturas que, como as palavras ou letras omitidas por descuido do escrevente, foram colocadas entre colchetes direitos.
2 - A raiz etimológica desta palavra composta é alemã: Wagenmeister; no francês Vaguemestre.
3 – Cartório Notarial de Belas – A, 1.º Oficio, Livro 61, fol.60-64. O documento integra a tese de Doutoramento do Mestre Arquitecto Rui Rodrigues, que tivemos o privilégio de acompanhar na sua totalidade, e a quem agradecemos a disponibilidade e cedência do documento.
Bibliografia:
ARENS, Fritz, 1970 «Der Weihergarten in Mainz. Das Werk des Kurmainzischen Architekten Herigoyen» in Mainzer Zeitschrift, 65, pg. 118.

CARVALHO, Rómulo de, 2001 «História do ensino em Portugal». Ed. Fundação Caloustes Gulbenkian, S.E. e Bolsas, Lisboa, III edição, pg. 399- 402.

LAVAGINO, Emílio, 1940 «Gli Artisti Italiani in Portogallo», Roma, p. 137.

PORTUGAL, Fernando, MATOS, Alfredo de, 1974 «Lisboa em 1755 - Memórias Paroquiais de Lisboa». Ed. C. M. de Lisboa, pg. 390.

REIDEL, Hermann, 1982 «Emanuel joseph von Herigoyen. Koeniglich Bayerischer Oberbaukomissar. 1746-1817» Schnell & Stainer, Munique/Zurique. Utilizamos a tradução de Virgolino Jorge, incerta no Boletim Cultural da A. Distrital de Lisboa, III série – n.º 88 - 1.º Tomo (Separata)

sábado, 5 de abril de 2014

Sintra há 100 anos

FERNANDO MORAIS GOMES
Em 1914 Sintra era ainda uma vila pacata. Enquanto na Europa a I Guerra Mundial espreitava e o país era presidido por Manuel de Arriaga, em S. Pedro, Raul Lino concluía a sua Casa do Cipreste e morria o conde da Azambuja, proprietário de Seteais, sucedendo-lhe D. Pedro José de Mendonça. Pela primeira vez era criada uma Associação Comercial e Industrial de Sintra, e a imprensa registava uma pujança assinalável. A 26 de Abril surgia o jornal “O Penaferrim”, dirigido por Joaquim Rodrigues Ferreira e em Junho o Notícias de Sintra, que funcionava na R. Alfredo Costa nº10. Era dirigido por António Cunha e propriedade de João Roberto Rosado.
António Duarte da Silva Souza presidia à comissão concelhia do PRP- Partido Republicano Português, que dominava a Câmara, e em Outubro era criada a empresa Sintra-Atlântico, que sucedeu à Sintra ao Oceano, dirigida por Collares Pereira e Álvaro Vasconcelos, entre outros.
Nesse ano era igualmente edificado o chafariz fronteiro à Câmara, e que ainda hoje lá se encontra, projecto de Tertuliano Lacerda Marques e execução de José da Fonseca, e criada a Cooperativa Libertadora Sintrense.
No plano social, faziam sucesso as récitas do Teatro Grémio Garrett


Vila Velha
Portela de Sintra

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Robillon, o vizinho e padrinho ilustre.

RUI OLIVEIRA

A busca da memória dos que, em tempo mais ou menos distante, foram pelas circunstâncias da História nossos vizinhos, ilustres ou nem tanto, é uma viagem sedutora e desafiante. Viaja-se, sobretudo, entre documentação escrita, variada, com particular enfoque nos Registos Paroquiais. Precisamente nestes, nos Registos Paroquiais de Belas, temos vindo a “travar conhecimento” com um significativo conjunto de Homens e Mulheres Ilustres que, no contexto da História Colectiva, Local e Nacional, se afirmam pela sua relevância social. Mas, também, as suas histórias de Vida, foram enriquecidas com o simples interagir, entre a vizinhança, entre discípulos profissionais, políticos, ou simplesmente com vizinho conhecido e morador “paredes meias”.
Em todo o caso, e porque nos dedicamos ao Local, temos para nós, que, apesar de ter decorrido por vezes séculos, entre a presença ou estadia de certos vizinhos estes, por mérito próprio, podem e devem continuar a ser considerados “nossos” vizinhos, dentro da perspectiva de que a potenciação da Economia, da Cultura e Património Local, passa pela valorização da memória desses “vizinhos Ilustres”.
Ora nesta linha de pensamento, encontramos um nosso “vizinho”, Ilustre e muito, da Queluz setecentista. De seu nome: João Batista…..Rubillon, pelo menos foi assim que exarado no assento de Baptismo da Joana pelo Prior da Paróquia de Belas, António Moraes. Pois…… referirmo-nos a Jean-Baptiste Robillon (1704-1782). Arquitecto, Escultor e Gravador francês, estabelecido em Portugal no século XVIII. Sabido como é que o Mestre Robillon foi chamado pela Casa do Infantado, para desenvolver projectos preliminares ao espaço já existente do edifício do Palácio de Queluz e projectar novas áreas, e que o fez rodeado por artistas portugueses e estrangeiros. Da sua obra artística, volumosa outros bem melhor colocados podem falar. Nós ficamos pelo Vizinho Ilustre, que certamente foi e será enquanto existir Memória, que a dado tempo e interacção social foi, também, Padrinho de Baptismo de uma menina que recebeu o nome de Joana.




Registo Paroquial de Belas – Baptismos- Livro B-5 (1752-1780), página: 262


Transcrição do Assento:

« Aos vinte e sete dias do mês de Março de mil sete / centos e sessenta e nove baptizou e pos os Santos olleos o Pa / dre Manuel Bernardino de Almeida a Joanna filha de / Gabriel Gonçalves e de Quitéria Pereira natural da / Cidade de Cordoba Reino de Hespanha e assistentes em quel / luz desta freguesia nasceo aos doze do mesmo mês de Mar / ço e foram padrinhos João Batista Rubillon assistente [a residir] /  em quelluz e gertrudes Thereza de Jesus de que fiz este / assento que aSignei //

                                   O P.or [Prior] Ant.o[António] Jozê de Almei.da [Almeida] Moraês»

 

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Quarteirão das artes [I]

JOÃO CACHADO


Primeiramente, se me permitem, uma breve referência à designação Quarteirão das Artes, Uma Proposta para a Estefânea, tais os título e subtítulo de uma interessante proposta de animação cultural que os senhores Vereadores do PSD Paula Neves e Luís Patrício apresentaram a sessão de Câmara do passado dia 13, unanimemente aprovada pelos seus pares.

A verdade, caros leitores, é que logo se me impôs a relação com outro, talvez o mais famoso quarteirão das artes europeu, o Museumsquartier de Viena. Ora bem, salvaguardadas que sejam as coordenadas de escala, em todos os possíveis contextos de análise comparativa, tal conotação, nos seus meandros mais gerais, só remete para aspectos positivos.

Por isso mesmo, no quadro de alguns comentários seguidamente partilhados, se entenderá que, de modo algum, me será permitido elevar a fasquia ao nível do que acontece na capital austríaca. Tal não impedirá que deixe de fazer reparos relativos a alguns dos factores que, na zona de Sintra em apreço, se revelam menos positivos no contexto da avaliação tão sumária da proposta em apreço e que, se não forem colmatados, comprometem o êxito que merece.

A Cultura, integradamente

À partida, é indiscutível que, no Bairro da Estefânea se concentra um muito apreciável potencial de oferta cultural da sede do concelho de Sintra. Perante tal evidência, a aparente tentação dos autores terá sido a de considerarem o aspecto cultural, sticto sensu, se bem que, por exemplo e significativamente, não tenham poupado referências à necessidade inerentes da requalificação do espaço.

No entanto, tê-lo-ão feito à revelia de uma concepção mais abrangente, nos termos da qual as actividades, atitudes e iniciativas de animação cultural, quer as mais institucionais quer as menos formais, se devem enquadrar e apresentar à comunidade num quadro de oferta geral de qualidade do espaço urbano, indissociável da qualidade de vida, quadro aquele integradamente propício à vivência, usufruto e benefício da Cultura sob todos os aspectos.

Mas afinal a que me refiro eu? Muito simplesmente, por exemplo, num primeiro tempo, ao aspecto do estacionamento e ao facto de não poder render-me à evidência de ir assistir à representação de uma peça de teatro na Casa de Teatro de Sintra, na Rua Veiga da Cunha, a um concerto ou recital no Centro Cultural Olga Cadaval, na Praça Dr. Francisco Sá Carneiro, ver uma exposição no Casino de Sintra, na Avenida Heliodoro Salgado ou na Vila Alda, ali à Rotunda Nunes Carvalho, e não ter à disposição uma solução civilizada para estacionar o carro.

Como admitir que a viatura fique de qualquer maneira, em cima do passeio, a atravancar a saída de prédios e garagens, quiçá, perigosamente, constituindo obstáculo à segurança de pessoas e bens? E que, a poucos metros de distância, na zona de implantação do edifício do Departamento do Urbanismo, todas as noites dos dias úteis e aos fins de semana, permaneça vazio um parque de estacionamento que, para efeitos de utilização, carece de requalificação, nomeadamente, nos aspectos da iluminação, vigilância e segurança?

Será admissível que, em Sintra, ainda se não tenha assumido – afinal e invariavelmente, como sucede nas latitudes civilizadas às quais, tão justamente, reclama pertencer – que qualquer acto cultural começa por e integra o modo como se acede aos lugares onde a Cultura acontece? Ou seja, que os transportes e o estacionamento, apenas referindo dois items de um quadro muito compósito, só podem ser civilizados, operacionais, fiáveis?

Heliodoro Salgado

Será possível pensar em actividade cultural numa zona que, tão manifestamente, é servida por uma das mais desqualificadas artérias de Sintra? Será de qualquer interesse, sequer conveniente e seguro, promover animação de rua na sua parte pedonal, a descaracterizada e actual «chinatown», que perdeu a maior parte do comércio tradicional, espaço físico inestético, cinzentão, tecnicamente mal resolvido, cuja impermeabilização o transforma em ribeira em dias de chuva?

E na via transitável? Aquele perfil ondulado, aos altos e baixos, onde automóveis e autocarros, com os amortecedores à prova, não raro batem com o chassis, lançando faíscas perante o olhar dos basbaques? Pois, também não é por ali que, ao volante, circulam e hão-de circular os destinatários dos programas culturais subordinados à sofisticada marca promotora do Quarteirão das Artes? Então, não é isto um paradoxo inconciliável com a promoção de eventos culturais?

No meu caso, não é fácil, mesmo nada fácil, escrever acerca deste assunto. E, como não compreensível se, ao longo de tantos anos, tenho apontado estes e outros negativos aspectos sem que tal denúncia cívica – aliás, minha e também alheia – tenha resultado em qualquer concreta atitude da obra que se impõe incontornável e inevitável? E não deve ela acontecer previamente e em articulação com os aspectos da animação cultural e do comércio locais, em prol da tranquilidade e da qualidade de vida dos residentes e forasteiros?

Por exemplo, na sequência das Jornadas de reflexão sobre a Estefânea, levadas a cabo no dia 22 de Março de 2004, na organização das quais estive envolvido, foi prometida a abertura da via à circulação dos eléctricos, a caminho da estação terminal da CP e da Vila Velha, como antigamente acontecia. Essa animação da via, tão desejada e consabidamente eficaz, a exemplo do que sucede noutros lugares, compatível com a montagem de esplanadas e com a circulação de peões, pura e simplesmente foi esquecida, não aconteceu, mas é indissociável de qualquer requalificação consentânea com esta proposta. 

Casino de Sintra

Continuarei na próxima semana. No entanto, desde já, cumpre corrigir um enormíssimo «detalhe», qual seja o da situação actual do Casino de Sintra, referido na proposta como “(…) espaço multiusos, hoje claramente desaproveitado (…)”. De facto, actualmente vazio, o edifício não está desaproveitado mas, isso sim, comprometido para acolher a Colecção Bartolomeu Cid dos Santos cujo valor ronda os cinco milhões de Euros.

Tenhamos em consideração que, nos termos do Protocolo de Cedência, oportunamente celebrado entre a Câmara Municipal de Sintra e a cedente, Sra. D. Maria Fernanda dos Santos, viúva do artista, além das obras de Barto, ainda está incluído um valioso espólio de valiosíssimas peças de seus amigos, tais como Paula Rego, Júlio Pomar, Vieira da Silva e até algumas do galáctico Francis Bacon!!! E, que, publicamente, o executivo liderado pelo Presidente da Câmara Dr. Basílio Horta, do qual fazem parte os Senhores Vereadores proponentes do documento objecto destas linhas, já confirmou tratar-se de um compromisso anterior cuja concretização apenas está pendente da clarificação de aspectos jurídicos do referido Protocolo.

Portanto, indubitavelmente, não se tratando de promessa, é já certeza confirmada da mais significativa mais-valia de dispositivo de animação cultural da zona da Estefânea, adivinhando-se como polo catalisador de atracção de visitantes nacionais e estrangeiros.



[João Cachado escreve de acordo com a antiga ortografia] 

terça-feira, 1 de abril de 2014

Um testemunho a respeito da procissão em honra da Visitação de Nossa Senhora


CARLOS MANIQUE DA SILVA

O movimento confraternal das misericórdias portuguesas, nascido em finais do século xv graças à intervenção da rainha D. Leonor, distanciou-se em muitos aspetos da praxis das confrarias medievais. Um dos traços idiossincráticos das novas agremiações foi seguramente a dimensão penitencial, associada então à vivência de uma intensa espiritualidade. Essa dimensão é patente em algumas práticas processionais, designadamente nas que são dedicadas à Paixão de Cristo. De resto, a procissão de Quinta-Feira Santa, denominada das Endoenças, constitui um dos atos mais significativos das confrarias de misericórdia (consignado, deve dizer-se, desde o primeiro Compromisso). No que concerne à referida procissão, é ainda hoje possível reconstituir a encenação do ciclo da Paixão, isto é, perceber a sua ordenação, seguir itinerários, identificar a simbólica presente, detetar relações de poder entre os intervenientes mais diretos…
Mas há uma outra manifestação processional que teve extraordinária relevância na vida das misericórdias. Falo da procissão em honra da Visitação da Virgem Maria, instituída em 1516 pelo rei D. Manuel I e cuja celebração acontecia no dia 2 de julho. Durante séculos, esse foi precisamente o dia oficial das misericórdias, no qual tinha anualmente lugar um dos momentos solenes da sua vida institucional – a eleição dos corpos sociais.

Se é verdade que a historiografia tem dedicado algumas páginas ao estudo da procissão das Endoenças, já no que concerne à procissão da Visitação (sem clara definição regimental) o seu ritual permanece, em larga medida, desconhecido.

Dito isto, afigura-se-me útil analisar um documento de arquivo que faz alguma luz sobre a procissão realizada a 2 de julho. Trata-se de uma carta que o Senado da vila de Sintra dirigiu ao Provedor e Mesários da Misericórdia. A missiva, datada de 30 de junho de 1792, permite, mais do que conhecer pormenores relativos à saída processional, entrever algo relativamente à sua significação no contexto local.

Com efeito, o documento em questão deixa perceber que, em finais do século xviii, a procissão em dia de Visitação tinha perdido o brilho e a solenidade de outrora. É justamente nesse sentido que aponta a interpelação do Senado, reclamando a observação de antigos costumes, consignados na lei desde há muito, conforme se refere na citada carta. Todavia, o ponto fulcral prende-se com o facto de o Senado querer reassumir a posição de destaque que ocupava nessa celebração. Ou seja, a pretensão ia no sentido de os seus membros terem um lugar reservado (e privilegiado) na igreja da Misericórdia, com o objetivo de assistir à missa do dia 2 de julho. Mas o propósito é mais amplo. Na verdade, diz igualmente respeito ao acompanhamento, da mesma forma em situação privilegiada, do cortejo processional (que partia da matriz da vila em direção à igreja da Misericórdia).

A posição do Senado demonstra que, em finais do século xviii, mesmo tendo perdido algum fulgor, a procissão da Visitação continuava a ser considerada uma importante via para a representação e afirmação públicas das corporações locais.

Fiquemos agora com a transcrição do mencionado documento, cuja ortografia foi atualizada.

Carta do Senado da Vila de Sintra ao Provedor e Irmãos Mesários da Misericórdia de Sintra para que se lhe destine um lugar na igreja para assistirem à missa no dia de Visitação

1792 – junho – 30

O Senado tomando em sua série consideração o quanto não pode deixar de ser do desagrado de Deus e do de Sua Majestade, a falta de observância e esquecimento em que tem caído o antigo e religioso costume suscitado pela muito piedosa cristandade do Senhor Rei Dom Manuel, e recomendado da mesma sorte por muitas leis extravagantes de alguns dos Senhores Reis seus Augustos sucessores de assistirem e solenizarem os Corpos das Câmaras de todas as Cidades e Vilas do Reino à festividade que a Igreja celebra no dia 2 do mês de julho em honra da Visitação de Nossa Senhora, e possuído do justo sentimento de que tendo a procissão que no mesmo dia se faz da sua própria e privativa expressão, bem como algumas outras, tenha contudo o Senado deixado de muitos tempos a esta parte de assistir a ela, procedendo assim na falta de sua observância muito culpavelmente para com Deus e muito escandalosamente para como os Homens, ao mesmo tempo que os Reverendos Eclesiásticos, com dignidade de seu caráter e ministério, têm sempre até o presente continuado no exato cumprimento do que uma vez a este respeito lhes foi ordenado vem por estes muito poderosos motivos acordados, respeitar para o efetivo e cumprir exatamente com esta sua impreterível obrigação que além de tão religiosa bastava ser ordenada por lei para dever ser observada; e determina em consequência acompanhar a procissão que sai da Matriz desta Vila, no referido dia 2 de julho, à igreja da santa Casa da Misericórdia e assistir à missa que depois dela na mesma se deve celebrar. O que assim pareceu participar(?) a Vossas Mercês, muito particularmente pela suma veneração que em tudo deve sempre mostrar a uma corporação distinta e respeitável pela santidade de seu emprego, e também para que Vossas Mercês mandem destinar para as cadeiras do Senado o lugar que em outro tempo por semelhante ocasião costumavam ter, e quando por desgraça nem memória disso já haja, recomenda que se lhes destine aquele que a atenção de Vossas Mercês julgar pertencer e ser decoroso ao Senado pela sua representação.

aa) José Inácio da Silveira Cordeiro
      Manuel Caetano de Sousa Prego
     Manuel de Abreu de Sousa Prego
(Arquivo Histórico da Misericórdia de Sintra, cota: SCMS/C/03/Cx. 2, doc. 10)