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quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Sonoridades de Sintra

FRED LESSING


Nascido em 1961 na Alemanha, reside e trabalha em S. Pedro desde 1982. Colaborador da antiga revista Sintra Press, editou 2 livros de poesia, organizou eventos de poesia (um dos quais no Palácio da Pena) e fundou o projeto de rock sinfónico “Daymoon”.

Desejo a toda a gente um excelente ano novo e aproveito para deixar aqui duas homenagens musicais minhas a Sintra (e não só):

REDOMA DE SINTRA: junção de dois temas – um instrumental e outro cantado – que escrevi em 2003 para a ópera rock “Portugal Lda. 2125” com a minha banda SP’AM. Descreve um futuro mais ou menos próximo (2125) em que a Serra de Sintra está coberta por uma redoma construída pela UNESCO. O acesso à redoma é restrito a quem possui um “cartão dourado”, e tem um centro comercial no topo da cúpula. Tudo isto se passa numa altura em que o sul da Europa é novamente árabe (a fronteira sul em Portugal é o Tejo) e a UE e o euro já não existem. O tema conta com a participação especial do Cazé d’Os Corvos em violoncelo. De resto, divirtam-se com a letra na segunda parte - a taverna referida deve ser do conhecimento de muita boa gente ;-) O álbum nunca chegou a ser publicado, mas nunca se sabe …

FIRST RAIN: tema sobre as primeiras chuvas de outono, imaginadas e vividas no Parque da Pena. Escrito e lançado em 2011 (pela nossa editora MALS em Moscovo) para o álbum “All Tomorrows” da minha banda Daymoon para angariar fundos para salvar a vida da minha esposa Inês, que estava a morrer de cancro de cólon. Infelizmente, todos estes e outros esforços foram em vão, e a minha esposa faleceu em inícios de 2012. Estamos atualmente a gravar o nosso terceiro álbum sobre toda esta experiência devastadora. Todas as receitas desse álbum reverterão em favor da Liga Portuguesa Contra o Cancro.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

domingo, 19 de janeiro de 2014

sábado, 14 de dezembro de 2013

Peat Flow, um som da Abrunheira

PEAT FLOW
"Na posse duma navalha na batalha da rua
pq quem sai à noite transforma-se com a lua
antes era um humano agora é uma criatura
altamente mudado desenvolve visão noturna..."



Para escutar aqui
https://soundcloud.com/peat-flow/peat-flow-noite-obscura

domingo, 4 de agosto de 2013

A verdadeira história dos Diamantes Negros- I Parte

CARLOS SANTOS (CAÍNHAS) 

Os Diamantes Negros foram uma das bandas mais emblemáticas de Sintra dos anos 60, e  ainda hoje actuam, à beira de completar 50 anos de carreira, em 2014. Em vários capítulos, vamos aqui contar a sua história na primeira pessoa, pela pena de Carlos José Paulo Santos, o baterista e um dos fundadores.

I- COMO SURGIU A IDEIA

Nos  nossos horizontes , meu e do Álvaro José, começou a aparecer a ideia de formar um conjunto, como se dizia na altura. Mas uma viola era um brinquedo caro e o Álvaro não era rico nem de perto nem de longe, no entanto a vontade era muita e como o José Manuel Brandão, nosso amigo de infância, tinha uma viola de caixa que lhe ofereceram e à qual não ligava nada, o Álvaro pediu-lha emprestada e começou a aprender uns tons sozinho, pois escolas ou quem se dedicasse a ensinar havia pouco.Tirando o Malhinhas, velho exímio na guitarra e viola de fado, em Sintra poucos sabiam tocar uma viola na perfeição, se é que na perfeição houvesse alguém.
Mas então o Álvaro José lá ia persistindo na aprendizagem, tendo como companheiro de jornada um moço da Guiné que veio para Sintra viver sob o protectorado do Dr. Jorge de Melo, por ter cometido um acto de bravura e desamor à própria vida para salvar a de outrem.Era um herói, mas para a viola era um nabo, o Álvaro por ali também não se safava.
O conjunto era a obsessão, o Álvaro já sabia fazer a 1ª, 2ª e 3ª de Dó, sabe Deus a que duras penas, e portanto dali até ao tão almejado conjunto era um instante.
Lembrei-me do Xixó, que era meu colega no Externato Académico de Sintra, e das muitas vezes que fora a sua casa, via que tinha piano e que até sabia tocar a "Marcha Turca de Mozart".Esta ideia veio a tornar-se brilhante pois o Xixó foi a peça fundamental, a sua teimosia, a sua habilidade, a capacidade para lidar com as sete notas fizeram dele o líder e o ponto de referência da banda.
Estavam na moda os Shadows, o filme "Mocidade em Férias" com o Cliff Richard, nós íamos ver aquilo vezes sem conta só para ver os Shadows no final a tocar o "Savage" ao vivo.O filme era um barrete, bastava vê-lo uma vez e chegava, mas os Shadows eram o nosso sonho.
Era necessário mais gente. Quem? Havia um moço, e há, que ainda é vivo, felizmente, que era filho do único homem que tocava bem guitarra de fado, viola, banjo, bandola, cordas era com ele,embora de um modo antigo para o nosso gosto (refiro-me ao pai) o Robustiano Velho. Mas o filho mais velho, o Robustiano (filho) era já mais capacitado que quialquer dos nossos pretendentes a guitarra, e foi durante muito tempo parte integrante do projecto conjunto, para o qual não havia nome.
A primeira sala de ensaio foi a garagem do pai do Xixó. A bateria era uma porta de chapa de zinco duma capoeira de galinhas, o baixo era um cavaquinho preto do Robustiano que era suposto servir para nosso baixista.
Na época o Álvaro José, o Xixó e o Robustiano eram os guitarras, e andávamos à procura de um cantor.Experimentámos o João Reis e o Joaquim "polícia"(entretanto já falecido). Passámos a ir ensaiar para a Sociedade no começo do Inverno de 1963.Chega o princípio de 1964 e o senhor Magalhães, presidente da Sociedade União Sintrense pergunta-nos:
-Então quando é que isso sai?- (como se ser músico fosse só chegar ali e ligar o botão, como dizia o António Silva, era uma torneira a deitar música).
-Bem, eu vou já mas é marcar a data da apresentação e pronto, se não vocês não passam disto!-dizia o Magalhães... E resolve marcar para 25 de Janeiro de 1964, um sábado,a apresentação.E marcou-nos também o Carnaval na Sociedade, que era logo a seguir. Estávamos tramados, tínhamos para aí cinco ou seis números mais ou menos alinhavados e aquele tipo colocou-nos entre a espada e a parede.
Foi o que nos fez andar! Abençoado José Magalhães, devemos-lhe muito. Onde estiver, o nosso grande Bem-haja.
Já com aquele compromisso assumido, resolvemos meter um saxofonista, tinha de ser um puto como nós. E onde é que ele estava? A banda de S.Pedro tinha acabado de sair no Verão anterior completamente renovada pelo senhor Batalha, com muita gente nova, e não é para me gabar, sempre tive um certo "faro" para ver e conhecer quais os mais capazes. Sabia de alguns "craques", mas optei pelo rapaz que me foi substituir na Cooperativa Agrícola de Produção de Leite do Concelho de Sintra, onde trabalhei. Esse rapaz, Carlos Alberto Rodrigues de seu nome e de alcunha "O Sabonete" veio a revelar-se um verdadeiro Diamante, vinha completamente por lapidar, como todos nós.Mas como trabalhávamos muito, ensaiar até à exaustão era a palavra de ordem, quem tinha alguma coisa para dar fazia-se músico.
Entretanto, o Robustiano era um indivíduo sempre desatento e pouco zeloso com os ensaios. Um dia, depois de tanto o avisar para se concentrar e trabalhar, ele começou a tocar um fado que havia na altura nas máquinas de discos (fado-rock), eu passei-me dos carretos, peguei num livro de letras do Xixó, que era o que estava mais à mão, aquilo eram folhas soltas com umas argolas grossas de metal e capas de cartolina, acertei-lhe em cheio na cara, era sangue por todo o lado, lá se foi o Robustiano, acabou ali a sua estadia no "Novel Conjunto Sintrense". Primeira reacção, parar para pensar. Pensámos: Então e agora? Faltam quinze dias para a apresentação?!
Aí viu-se o que nós éramos na realidade, quatro putos cheios de vontade e muito brio.
O Xixó num dia trouxe e ensaiou-as todas, mais de vinte músicas novas. Dizia ele para o Álvaro José:
-Tu olhas para mim e vês como eu faço!
Ficámos só os quatro, eu Caínhas baterista, Álvaro José viola ritmo, Carlos Rodrigues saxofone e Xixó, a nossa super-estrela, piano, guitarra solo e voz.
Os instrumentos eram do pior que se pode imaginar, mas o nosso sucesso em 25 de Janeiro de 1964 foi tão grande que fez com que o comboio só parasse com a guerra colonial, e algumas asneiras pelo meio, porque nós tínhamos tudo para dar certo.
O nome "Diamantes Negros" como surgiu? Por acaso!
Nós sempre gozávamos uns com os outros sempre que surgia esse tema. Que nome?...
Tinhamos os nossos amigos de sempre que nos acompanhavam desde o primeiro dia e ia parar sempre aos palavrões. Até que alguém disse:- DIAMANTES NEGROS- Aí o nome ficou a pairar, já haveria um conjunto com esse nome, mas nunca se ligou, nem havia certezas e, não havia mesmo. Mais tarde, isso sim, o nosso nome foi usurpado por um grupo de Queluz, mas sem sucesso.
Continua 


A SEGUIR: Depois do 25 de Janeiro de 1964

sábado, 13 de julho de 2013

MarcosBest, poeta do quotidiano urbano

ANTÓNIO LUÍS LOPES

Talvez pouca gente conheça o Marcos, um jovem nascido e criado no bairro da Serra das Minas, freguesia de Rio de Mouro. Mas o Marcos merece ser (ainda mais) conhecido e reconhecido pelo trabalho que faz. Porque ele é um poeta destes novos tempos, um “cantautor”, uma voz de protesto urbano, através da sua “arma” de eleição – o hip hop. Com o nome artístico de Marcos Best ( o Best não é sinal de presunção, é admiração de infância pelo jogador de futebol inglês, George Best) é (na minha modesta opinião) autor de algum dos melhores temas hip hop do panorama nacional e, acima de tudo, um excelente “escritor de canções”.

Descobri o trabalho do Marcos por mero acaso – pessoa de família ofereceu-me um CD (Kronicas de G´z), sabendo do meu interesse por uma expressão musical que considero ser a “canção de protesto” dos novos tempos. Confesso que andei uns dias com o CD no carro até me decidir a ouvi-lo. Depois – a grande surpresa. Palavras duras como aço mas bem reveladoras do que é a vida de muitos jovens nos subúrbios de Lisboa, em temas como “Ruínas” ou “Resiste”. Uma ternura agridoce  em “Primeira história de amor”. E muitos outros temas que me prenderam do início ao fim deste trabalho (o segundo, como vim a saber mais tarde), onde a palavra é “soberana”, o quotidiano é inspiração e o bom gosto das “misturas” musicais demonstra profissionalismo e apuro técnico.
O Marcos tem site na Internet (www.marcosbest.net). O seu CD, “Kronicas de G´z", vende-se na FNAC (se ainda o encontrarem) ou através do próprio site. Mesmo que não sejam apreciadores deste género musical, garanto-vos que vale a pena descobrir o trabalho deste jovem sintrense.