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segunda-feira, 20 de julho de 2020

Oblata



PAULO BRITO E ABREU









SONETO CLÁSSICO

( avoco, para a Musa minha, o 6 de Ouros )

«A arte só faz versos, apenas o coração é poeta.»

André de Chénier

Não pede Amor a pena, minha Dama,
Não pede Amor a mágoa, mas só quer
A vida, ó flor, o néctar, o prazer
Prosternados na luz e verde rama.

Quer Amor pela paz, e inda que brama,
Inda que sofra Amor pela mulher,
A amorosa tarefa busca o Ser,
Sofre Amor pela paz de quem vos ama.

Porém, quer verde Vénus, quer Maria,
Se apuram em vós, flor, que vós sois Flora.
Cantam Zéfiros, cantam, cantaria

Eternamente Amor pela pastora,
Mas tenebrosa Dor, por varonia,
Sofrera só por si, minha Senhora.

Lisboa, 10/ 01/ 1992

SPES MESSIS IN SEMINE

POETA, JORNALISTA, BIBLISTA E ALFARRABISTA

PAULO JORGE BRITO E ABREU   

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Menino da Mátria

PAULO BRITO E ABREU













MENINO DA MÁTRIA

( avoco, para a Musa minha, o Arcano do Sol )

Quando o sono chega, alfim,

Vem a Bela, e canta a noite…

Morfeu dono do jasmim,

Sê princesa de cetim,

Ninho sê, onde me acoite.

Vem a Bela, ó Mãe serena,

Qual avena vem cantando,

Vem cantando a cantilena

Minha Musa bem Camena

Até quando? Até quando?

Dorme, dorme, filho meu,

Que é já tarde e vem a Lua…

Imagina que és Orfeu

E a menina do Romeu

É só tua, é só tua.

E descansa a criancinha

Que no sono é todo o homem…

Têm o leito por bainha

E a Lua por madrinha

As crianças que já dormem.

Mas cautela, que o herói

Desta história, é uma quimera…

Pois o tempo a vis corrói

O homem diz ( como isso dói! ):

– Minha Mãe, que foi, que foi?

– É que foi-se a Primavera.

Tomar, 05/ 09/ 1994

MENS AGITAT MOLEM


POETA, JORNALISTA, BIBLISTA E ALFARRABISTA

segunda-feira, 13 de março de 2017

Soneto Breve e Leve

PAULO BRITO E ABREU


















SONETO BREVE E LEVE
 
( in memoriam de António Manuel Couto Viana )
 
invoco, para a Musa minha, o 3 de Copas Arcano
 
Coas mãos esmigalhadas p’lo mundo da dor
Se ergue sempre o Poeta na sua fantasia.
O homem não contente cria mesmo com Amor:
Se hoje ele é Poeta, amanhã será Poesia.
 
Urge transformar num só verso maior
Poalha de poeira que é, no fim do dia,
Sal e escuridão volvendo-se em estertor:
Quando um mundo acaba, o outro principia.
 
Furtemos, entretanto, a Cristo a sua Cruz,
Louvemos o zagal e todos os trigais,
Crisantos animais que somos todos nós;
 
Pois assim era Buda e assim era Jesus,
Nitentes e notáveis doando aos naturais
A Virgem, visionada, e cansada, a minha voz.
 
Que Luz, 05/ 10/ 2016
 
AD MAJOREM DEI GLORIAM

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Variações sobre um tema de Almeida Garrett

PAULO BRITO E ABREU









( convoco, para a Musa, o Arcano e Arcaico do Sápido Sol )

Pescador da barca bela
Que em falua, vais à noite:
Só d' Amor, a caravela
Quer o vale e quer a vela,
Quer a Lua onde se acoite.

Pescador da bela barca:
Vê no cais Santa Luzia.
No batel, tu nele embarca
Que ele é Célio, que ele é Arca:
Tudo o mais é Poesia.

Pescador da barca doce
Que és a dor e és donzel:
Lusa é flor, e quem a fosse!!!
Sul e sal, que aí me trouxe,
É d' alísio, que é fiel.

Pescador da barca, vede
Que a Raquel é Sol e freira.
Tenho frio, tenho sede!!!
Ó clamor, ó Lia, lede
Barca bela à minha beira.

Que o Poeta sempre pesca
A Nereida, nada nua.
Toda a Flor é quixotesca,
Em Rosália, tu és festa,
- E no fundo, brilha a Lua.

IN HOC SIGNO VINCES

terça-feira, 5 de abril de 2016

Primavera Pascal


PAULO BRITO E ABREU
I
 
 
 
 
 
 
 
 


In memoriam de Maria Almira Medina

( convoco, para a Musa minha, o 10 de Copas Arcano )

Só da Luz, quero a Luz e muita Luz.
Que ela é Pão, que ela é prémio prò dolente...
Ela é Nova, ela é noiva, eu digo sus!!!
Coragem para o pobre e o doente.

Só da Luz. Só d' Amor, em farta Vinha,
O Sol agora vem, e é bem-vindo...
Ai cânticos e frol duma andorinha!!!
O dia é Primavera, eu digo lindo!!!

Só da Luz, minha leda, e só do Vate.
Vem d' amora, de poma, e vem de véu...
Vem comigo, a lidar o bom combate:
Eu n' asa dos teus olhos, vejo o Céu.

AD AUGUSTA PER ANGUSTA

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Melomania-Memento

PAULO BRITO E ABREU
 
 
 
 
 
 
 
 
 


 
MELOMANIA-MEMENTO

( avoco, para a Musa, o Arcano e Arcaico da estética Estrela )

Perdida eternamente,
Pra sempre, sempre morta,
A Bela está presente
E bate à minha porta.

Visita-me em segredo,
Às horas mais caladas,
Crisóloga no credo,
As mãos amendoadas.

E Bela volta à campa,
Com passos de veludo,
A Nela que foi estampa,
A Dona que foi tudo.

E eu digo, eu digo à Dona:
«Não vás, ó deia amiga!!!»
Mas ela, que apaixona,
Tão frol, numa cantiga,

É Paz, calor e mente,
É liga, junco, porta,
Amada eternamente
Mas nunca, nunca morta.

AD AUGUSTA PER ANGUSTA

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

A cruz e a rosa

PAULO BRITO E ABREU












A CRUZ E A ROSA


( convoco, para a minha Musa, o 3 de Copas Arcano )


( à memória, caroal, de Eliphas Lévi )


Se todos forem rudes, e a Rosa, em castigo,

Não tiver um Amigo, não beijar a benesse,

Ergue os olhos ao Pai, que o Paulo é contigo,

Ergue os olhos à missa, e lá será a messe.


E quando, ó Rosa minha, tu quando sentires

Que a noite é solitária, e o lábaro, um lamento,

Ergue os olhos ao Céu, ergue os olhos à Íris,

- E firme ficarei, ficarei no Firmamento...........


MENS AGITAT MOLEM


PAULO JORGE BRITO E ABREU