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quarta-feira, 6 de maio de 2015

No tempo em que se ia à noite jogar ping-pong pró Sr. Jorge, na Estefânia.

JOSÉ CARLOS SERRANO

Na Escola do Sintrense na Av. Heliodoro Salgado, existiam, no r/c, 2 salas. Uma tinha uma velha mesa, improvisada, de ping-pong, que fez as delícias da malta, quando começou a fazer as primeiras saídas à noite. Na sala ao lado era o jogo da laranjinha, frequentado pelos mais velhos. Ao fundo era o bar, onde o Sr. Jorge vendia uns cafés, uns bagaços e umas minis, para comer não existia nada, não fossem uns amendoins. Junto ao bar existia uma pequena sala onde se jogava às cartas. Tudo isto era um mundo novo, onde só os adultos é que entravam. O cheiro era um misto de humidade, fumo de cigarros, muito, misturado com o cheiro das bebidas.

O sistema era juntarmo-nos 2 ou 4 e fazer equipas para se jogar. Era pago à hora, dividíamos a despesas, trazíamos raquete, porque as que lá havia eram de madeira, sem borracha.
No jogo da laranjinha o recinto de jogo é um rectângulo aberto no chão, com os laterais feitos de madeira e os topos feitos de cortiça, o chão feito de areia e caliça, a meio das tabelas laterais leva duas peças metálicas de seu nome garrafinha, para se jogar utiliza-se uma bola pequena, a laranjinha e seis bolas grandes de madeira maciça, sendo o objectivo acertar na laranjinha com as bolas grandes. É um jogo de destreza e pontaria, sendo um jogo muito antigo a malta nova aprendia com os mais velhos.

Em Sintra, que me lembre, só existia este no Sintrense e outro na cave da Sociedade União Sintrense.

Velhos tempos de saídas curtas, até à meia-noite, às sextas e sábados.
O Sr. Jorge tinha muita paciência prós putos, durante o dia fazia a cobrança das quotas do Sintrense na sua vespa.



terça-feira, 25 de março de 2014

No tempo em que o circo vinha a Sintra!

JOSÉ CARLOS SERRANO
Era mágico, todos os putos ficavam ansiosos, todos queriam ir. Ficava instalado no terreno onde está, atualmente, o Departamento de Urbanismo.
Era uma correria para ver as jaulas dos leões e outros animais, espreitar, tudo era novidade.
Havia alguns circos em que aos putos, da terra, que ajudavam a montar a tenda ou a fazer recados, ofereciam entradas.
Eu, uma vez, tive a sorte de andar de burro. Diziam que os burros eram para alimentar os leões. Sinceramente, nunca acreditei nisso.
Numa célebre tarde, daquelas em que o circo já estava montado, fui ver o ambiente e fiz amizade com um puto do circo que me proporcionou isso, uma volta de burro! Uma cela, feita com um bocado de cartão, umas fitas de caixote para me segurar e lá dei uma volta.
E não cai!
Pois tenho 49 anos e nunca mais montei nada, até hoje!
A minha mãe conta que uma vez me levou ao Circo, era puto, não me lembro, e que havia um numero dos palhaços com um carro que explodia. Apanhei tal cagaço que me fartei de chorar!
É a vida!
Por acaso o terreno onde o circo se instalava era mesmo bem situado. Creio que quando o circo aparecia só ficava, mesmo ali.
Todo o Concelho, se queria ver circo, tinha de vir a Sintra.
Lembro-me que também serviu para lá instalarem algumas vezes carrinhos de choques.
Mais tarde já nos anos 90 se fizeram alguns concertos, festas e até feiras de automóveis.


quarta-feira, 19 de março de 2014

No tempo da minha primeira corrida de carrinhos de rolamentos!

JOSÉ CARLOS SERRANO

Parece que foi ontem, mas foi em 1979, no dia 1 de abril, na descida da Praia da Aguda, em Fontanelas.
Foi proclamado, pelas Nações Unidas, nesse ano de 1979, Ano Internacional da Criança.
Terá sido com esse o propósito, festejar, esse honroso dia, com a criançada, que o Senhor Luís Batista e o Grupo nº 93, da Associação de Escuteiros de Portugal, que, nessa altura, tinha Sede no nº 1 da Rua Costa do Castelo, na Vila Velha, organizaram essa prova.
Eu e os meus amigos, tínhamos 14 anos, fomos de camioneta até Fontanelas! Carrinhos debaixo do braço e muita expetativa e ansiedade. Era uma novidade muito grande. Alguém que ia organizar uma corrida “daquilo” que nós fazíamos, todos os dias, junto ás nossas casas.
Foi engraçado! Tinha o patrocínio da “Pepsi”. O tempo não ajudou muito, choveu. O local da partida era quase plano e os carros não embalavam para o arranque. Os escuteiros fizeram o primeiro carro com rodas de bicicleta. Esse sim, andava bastante! Tiveram de improvisar uma rede, na “meta”, para, em caso de não parar com os travões, não haver acidentes.
Lembro-me que recebi uma t -shirt da “Pepsi”. Não me lembro da classificação!
Foi um dia muito divertido.
Saudades!

quinta-feira, 13 de março de 2014

No tempo em existiram várias figuras marcantes e castiças em Sintra!

JOSÉ CARLOS SERRANO 

Ele houve tempos de figuras incontornáveis em Sintra.
Quem não se lembra do Nicolau, simpático, cumprimentava toda a gente. Mas uma doença neurológica obrigava-o a andar como andava, todo curvado, e quando necessitava de atravessar a estrada quase que tocava com as mãos no chão. Mas na praia caminhava direito e sem stress.


A Romana, estava na entrada das Finanças, era Contínua, ajudava as pessoas a preencher os impressos, sempre com os seus cães debaixo da secretária, à noite e aos fins-de-semana vendia os bilhetes no Cinema Carlos Manuel.
O Capela, figura mítica, sempre presente nos jogos de hóquei de Sintra e do futebol do Sintrense. Fervoroso adepto que não falhava um jogo e sempre a puxar pela equipe.
O Gaguinhas, um taxista que existiu em Sintra. Homem magro e alto, muito simpático, ele houve tempos em que tinha dois carros de praça, um fechado e um descapotável, Reza a historia que quando as pessoas telefonavam a pedir um carro, ele dizia " quer c’o aberto ou c’o fechado?". Era gago e essa frase é histórica.
O Russo, o engraxador, que engraxava sapatos à porta do Cíntia, na estação.
O Tony Braga, o Contínuo, que existiu na Câmara de Sintra, fazia o transporte de documentos e processos entre os vários departamentos dos serviços, só que existiam várias tascas, cafés e restaurantes nos percursos e quando chegava à hora do almoço já andava muito torto.
O Jaques, o inspetor do Cinema Carlos Manuel.
O Canelas, o corta-bilhetes na entrada do cinema e estofador.
O Feijoca, o Sr. Jorge da Laranjinha, o Caninhas, o Sr. Guerra, que fazia trabalhos em couro, por detrás da estação.
O Sr. Silvino, sapateiro, também por detrás da estação.
O Zé Maria, das flores e do relógio da Vila. O Tio Augusto, o Tarufa, mecânico, e o Ti Chico Titão dos cavalos, o " voltinhas dos trens " e o Ti Augusto “dá palha á burra”.
O Geringonça, era o dono da tasca ao lado da Câmara.
O Sr. Miguel, empregado do Zé Silvestre, era campeão das amarelinhas.





terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

No tempo em que eu fui acampar pela primeira vez para a Praia das Maçãs!

JOSÉ CARLOS SERRANO

Eu tinha para ai cinco anos, fui com o meu pai acampar, sozinhos, para a encosta da margem do rio na praia. Os meus tios emprestaram-nos a tenda. Era uma tenda “caseira”. A minha tia era costureira e fez a cobertura, a estrutura era em tubos galvanizados, com encaixes.
Um espetáculo, era grande, familiar!
Só o meu pai, para ir armar a tenda em tal sítio. Do lado de lá do rio a encosta tinha uns socalcos, grandes. Foi ai, com vista privilegiada, que ficámos. Não me lembro do trabalho que terá dado, acartar as tralhas todas dum lado para o outro, da praia, atravessar o areal. Sim, porque o meu pai levava de tudo, aquele velho ditado " quem vai pro mar avia-se em terra ".
Uma recordação do primeiro dia. Após o “estaminé” montado os meus tios voltaram, para trazer as ultimas coisas, nas quais uma garrafa de leite pro “menino”. Devo ter atravessado o rio ao colo, para lá, mas quando regressámos eu vinha ao colo num braço e na outra mão o meu pai levava a garrafa, daquelas da Vigor, de boca larga. Vida de pai!
Na travessia, já escuro, um pé escorregou e caímos, O meu pai serviu de ”amortecedor”. Primeiro para não me molhar e segundo para não partir a garrafa. Resumindo, ele molhou-se mas amorteceu a minha queda e não partiu a garrafa. É logico que, apesar de ter boa memória, quem contou a história foi o meu pai. Eu tinha 5 anos!
Foram tempos maravilhosos. O que um puto pode querer mais? Na praia, na beira do rio. Grandes “explorações” nas margens, à descoberta. Apanhar enguias, minúsculas, ou subir a margem do rio até á ponte de madeira que ligava a piscina à encosta contrária, onde existiam, na altura, os bungalows. Havia malta mais velha que entrava prá piscina, de borla, por ai. Ir com o meu pai para as rochas, quando ele ia apanhar mexilhões ou polvos.
Conheci, nessa altura, o Ti Zé banheiro, sabia tudo sobre a praia. Uma vida ali, na praia, pele torrada do sol, chapéu à marinheiro. Terá sido por essa altura que o Ribeirinho montou o bar. Ir ás rochas apanhar alguma “coisa”, sempre me cruzava ou com o Senhor Mário, outra pessoa que sabia muito das lides da pesca, ou com o “Piolho Elétrico”, tudo malta vivida e sábia da Praia das Maçãs.
A minha mãe não gostava de acampar, por isso nos primeiros dias, éramos só nós dois.
O estar sempre pela praia, à noite era ir ver o futebol de salão, o convívio com outras pessoas, o conhecer pessoas novas.
Recordo essa primeira aventura, de começar a acampar, como uma experiencia maravilhosa, para a vida!


domingo, 9 de fevereiro de 2014

No tempo em que havia o Pinóquio em Sintra!


JOSÉ CARLOS SERRANO

O Pinóquio era um cão, de porte grande, preto, com umas malhas castanhas, cauda curta.

Nunca entendi quem era o dono. Era das pessoas!

Ou estava na Vila ou na Estação, de Sintra.

Com a particularidade de ser um bicho muito inteligente!

Davam-lhe uma moeda e ele ia ao Café Camélia, com a moeda na boca, deixava cair a moeda no balcão e recebia um pacote de açúcar ou um bolo.

Havia, como ainda há, pessoas mal intencionadas.

O meu pai era motorista da Cooperativa de Produtores de Leite de Sintra. Andava pelo Concelho de Sintra, a recolher o leite pelos postos que havia, em cada aldeia, ou diretamente aos produtores.

Um dia chega á Azóia e, no largo onde existem uns restaurantes, qual não é o espanto, lá estava o Pinóquio, deitado ao sol. Como o conhecia e estranhando ver o bicho tão longe dos locais habituais, chamou-o pelo nome. Deu um salto, todo contente, como quem “diz”: “Este gajo conhece-me”.

Meteu-o na camioneta e trouxe a “vedeta” de volta a Sintra.

Não sei como acabou, mas diabético deve ter sido.

domingo, 12 de janeiro de 2014

No tempo em que aprendi o que era lavar móveis


JOSÉ CARLOS SERRANO

Quando fui morar para Gouveia comecei a frequentar uma oficina de restauro de móveis, onde, por curiosidade e gosto por coisas velhas, comecei a fazer uns biscates. Ajudar a passar à lixa, envernizar pequenas peças.
Até que um dia me foi proposto lavar uma cadeira, que estava envernizada, com amoníaco. Operação que aceitei e fiz!

Com muito cuidado, na rua, ao ar livre, um balde de água, meio, com amoníaco misturado; luvas de borracha, longas, grossas, uma esponja!

Começa-se, suavemente, a passar a esponja e o verniz começa logo a sair. A água muda logo de cor. De seguida outra operação, para limpar o amoníaco e clarear a madeira, passar com ácido muriático. Fica a lavagem feita.

Depois, secar muito bem, ver as peças descoladas e fica o restauro no bom caminho. De seguida lixar e dar o acabamento.

Trabalho concluído com sucesso!

Noutro dia foi-me proposto lavar uma mesa, de cozinha, pintada.

Aí, outra aventura!

Uma lata, de tinta (vazia), e caldar cal. Ou seja, uma pedra de cal a dissolver com água. Começa a “ferver”. Ao mesmo tempo, misturar um pouco de soda cáustica. Tudo com muito cuidado. Sempre a misturar água, fazer uma pasta espessa, que fica muito quente, de seguida, umas luvas, de borracha, grossas e, na rua, com uma escova, começar a “barrar” a mesa, que, com a pasta tão quente e forte, começa logo a tinta a sair.

Começas logo a ver a cor da madeira!

A operação deve ser feita com cuidado e sempre com água corrente.

O resultado é eficaz e fica-se com a madeira, toda, à vista.

De seguida, passar bem com água e a operação para “clarear” a madeira e “limpar” da cal e da soda caustica, com ácido muriático.

Limpeza feita, lavagem efetuada!

De seguida o processo normal: os dias de secagem, passar  à lixa, colar o que é preciso, envernizar ou encerar, conforme o gosto.

Grande aprendizagem!

Com o tempo passei a fazer este trabalho por minha conta, em minha casa, também como hobby,  para muitos comerciantes e restauradores.

Lavei louceiros, camas, móveis de farmácia e mercearias, ou seja passei a lavar toda a espécie de móveis.

Universo a que estive ligado vários anos, mas que, por motivos de doença, abandonei.

Curiosamente, sei que, hoje em dia, não existe  ninguém que faça tal coisa!

Apesar de ser um trabalho perigoso e sujo, era gratificante!

Ver a beleza das peças, em estado natural, sem as camadas de tinta e barramentos, que as pessoas faziam ao longo dos anos, por épocas ou por moda.

Retirar a tinta de um móvel é como abrir uma carta fechada. Nunca se sabe o que se vai encontrar por baixo. Ou tinha muitas camadas de tinta e barramentos, ou podia estar queimado, com maçarico, ou completamente cheio de bicho!



Curiosidades. 

domingo, 1 de dezembro de 2013

No tempo em que ia às aparas

JOSÉ CARLOS SERRANO

 
Na minha casa sempre se criaram coelhos e galinhas!

Tínhamos um bom quintal e o meu pai fez várias coelheiras, com uns caixotes, que lhe ofereceram, na altura, da Tabaqueira. Eram grandes e resistentes. Era só colocar um aro com rede e fazia a frente. Num canto uma porta e estava feito. Vários caixotes encostados uns aos outros, em redor do quintal.

As galinhas, essas, tinham casa sólida, no quintal existiam umas arcadas, por baixo das varandas. Uma era onde a minha mãe tinha a “máquina de lavar roupa”, da época, um “tanque", outra era para arrumação de tralha e outra o galinheiro. Ainda era grande. À frente um aro, grande, com rede e com a porta. Lembro-me que o meu pai fez uma abertura no cimo da rede, com um poleiro. Era para entrarem e saírem outros “habitantes”, uns pombos brancos que, na altura, existiram. Lembro- que fizeram uma rica canja.

O meu quintal era uma “miniquinta”, tinha uma nespereira, muito grande e alta, quando “carregava” havia nêsperas para dar e vender. Havia um espaço grande, onde o meu pai plantava alfaces, comprava várias qualidades, depois de crescerem ficava um colorido espetacular. Em redor colocava couves, que serviam de vedação às alfaces e havia sempre um canteiro para centros, salsa e hortelã.

Foi sempre este hábito, de lidar com animais de criação e plantar verduras, que tive, desde muito puto e do qual gostava muito.

Só havia uma coisa que detestava.

Ir às aparas, de madeira, à serração dos Parrachos, por detrás da estação.

Quando o meu pai colocava a saca, enrolada, em cima duma mesa que existia na varanda, era sinal para eu ir.

As aparas eram muito importantes, eram a “cama” das galinhas.

Um puto tem sempre as suas manias, ou teimosias, mas tinha que ser!

Quando vinha da escola, lá ia eu. Entrava na serração, ia ao escritório ou procurava algum dos patrões e pedia se podia tirar uma saca de aparas.

Era fácil e divertido!

Para já o cheiro a madeira, depois procurar uma pá e encher a saca, calcar bem, para trazer bastante, depois amarrar bem a boca da saca e pés ao caminho.

Era isso que detestava! Vir com a saca às costas, o caminho todo!

O peso não era muito, era mais o volume. Mas tinha de ser feito e era a minha “ajuda”.

Tudo isto são aprendizagens prá vida.


terça-feira, 19 de novembro de 2013

No tempo em que se aprendiam os “ensinamentos” com os mais velhos!

JOSÉ CARLOS SERRANO


Morar em Sintra e usufruir de uma vila com a riqueza que ela tem.

Ele há pequenas coisas, tão simples, que fazem a felicidade e que nos marcam para a vida inteira.

Seja ir ao pão ou ir meter uma carta no marco do correio. Tudo isso foram as asas que nos ensinaram a “voar prá vida”!

Quando fui prá primária aprendi a ir aos rebuçados esmigalhados, ao lado da fábrica da Piriquita!

Ir buscar um garrafão de água ao Parque da Liberdade, à bica ao pé do portão do Valenças, prá D. Aurora e ganhar 10 escudos!

Ir á mercearia do Sr. Orlando " sacar " as aparas do fiambre, que ficavam no topo da máquina depois do corte!

Ir pedir, à Sapa, as queijadas queimadas ou “tortas”!

Ir apanhar uma boleia, no eixo de trás, do trem, sem ser agarrado!

Ir à fábrica das padarias, pedir os bolos queimados!

Ir prá oficina do Zé Burro ver a malta a trabalhar e aprender calão de oficina!

Ir ver o Pitorro a moer o café!

Ir ver o ferrador a ferrar cavalos!

Ir jogar à bola no Pátio do Rodas!

Ir chamar o "Artur, dá palha á burra " e ter de cavar, a correr, senão éramos agarrados. E ele afinava mesmo!

Aprender a assobiar com os dedos todos!

Tudo isto eram tudo “coisas” que se podiam fazer, mesmo sendo puto, na área da minha casa!

Memórias de puto !!!