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sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

O Centro de Interpretação da Regaleira

JOSÉ GABRIEL MENDES

O CIR-Centro de Investigação da Regaleira foi formalmente constituído em Março de 2012, estabelecendo-se enquanto unidade operacional da Cultursintra, AES-Associação dos Espeleólogos de Sintra e FPE-Federação Portuguesa de Espeleologia.

O objectivo subjacente à criação desta unidade foi o de consolidar uma longa parceria no desenvolvimento de acções de Conservação e Educação Ambiental (desde 2002), assim como, a consequente Investigação no aproveitamento dos meios disponibilizados – técnicos e humanos - enquanto suporte à conservação e monitorização de quirópteros (morcegos), nomeadamente nas duas colonias de maternidade classificadas de interesse nacional – com estatuto de ameaça “CP-Criticamente em Perigo” e “VU-Vulnerável“ - por entre as 14 espécies de morcegos já identificadas nos espaços geridos pela Fundação Cultursintra.

Para garantir a Orientação e Avaliação Científica no CIR, para além da constante articulação com o ICNF-Instituto de Conservação da Natureza, foram estabelecidos protocolos com Universidades de Lisboa, Porto, Aveiro, e Évora.

O êxito alcançado, resultou em novas parcerias solicitadas pelas universidades do, Minho, Aberta e ISA-UTL, das quais resultaram vários trabalhos académicos - licenciaturas, mestrados, doutoramentos e pós-doutoramentos - desenvolvidos integralmente ou parcialmente na Quinta da Regaleira e/ou nos espaços onde o CIR promove estudos em parceria, como a Tapada Nacional de Mafra e o Palácio Nacional de Mafra.

O que se destaca no CIR enquanto promotor do desenvolvimento da ciência, é o seu caráter transversal ao meio académico nacional, reunindo colaboradores/investigadores de várias universidades e suportando as suas actividades no trabalho voluntário oriundo de várias áreas, nomeadamente da espeleologia e da biologia, mas também das tecnologias, como a electrónica, e a informática nas suas mais variadas valências.

Esta característica agregadora, potenciou que o CIR assumisse a realização das Jornadas Quiropterianas, já com duas edições realizadas, evento de periodicidade bienal e que se assumiu, de forma amplamente reconhecida, como o mais importante acontecimento verificado em Portugal, de apresentação e discussão de estudos e trabalhos científicos respeitantes à temática dos Morcegos.

Os interessados em participar enquanto voluntários nos projectos desenvolvidos no CIR, podem manifestar o seu interesse e obter mais informações em cir.bats.regaleira@gmail.com ou pelo telefone 962924142.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Outro mistério na estrada de Sintra

FERNANDO MORAIS GOMES


O recorte acima é do jornal República de 18 de Março de 1936. Uma investigação criminal começara no final de 1935, com o desaparecimento de um homem que suspeitava que a irmã frequentava um clube feminino de Sintra onde, a par de eventos culturais, se realizariam encontros lésbicos. Era o Chalet das Cotovias, e frequentavam-no altas figuras da sociedade portuguesa de então - uma filha do Presidente Carmona, a escritora Fernanda de Castro, a directora do Museu Bordalo Pinheiro, entre outras. A vítima terá desaparecido quando foi a Sintra em busca da irmã. O seu cadáver, em avançado estado de decomposição, foi encontrado a 23 de Fevereiro, num matagal contíguo à estrada de Sintra.
Se até aí a investigação pretendia localizar o desaparecido, desde então visou esclarecer as circunstâncias em que ocorreu o crime.
Carlos Ademar, antigo inspector da Judiciária e autor desta obra, foi ao museu da Polícia e desencantou o processo original, descobrindo que nem todos os factos foram como narrado, mas, ainda assim, lançou mãos à obra e decidiu-se pelo retrato do Portugal do Estado Novo, das diversas polícias que em surdina rivalizavam, de vícios privados e públicas virtudes. O Chalet das Cotovias, uma sugestão de leitura para este Verão ainda fresco.