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domingo, 11 de agosto de 2013

Depois de ti- um poema de Luís Mota Filipe

LUÍS MOTA FILIPE









O meu ser sobrevive, ainda que sequioso do teu amor.
Não se rasgam nestes lábios mais sorrisos.
Estes olhos desconhecem o encantamento de outrora,
graciosos cristais que reluziam, transformaram-se em nascentes lacrimosas.
Um rosto desbotado combina na perfeição com as vestes enxovalhadas.
Arrastado pela corrente inquinada da infidelidade,
sou hoje, um barco destroçado, ancorado na praia da desilusão.
Nas areias revoltas, fiz dos restos do nosso afecto,
uma colcha esmaecida p`ra me abrigar.
Do teu silêncio fiz um ameno rumor,
e deste infindável vazio, o meu espaço chamado solidão.
Neste refugio que me adoptou sem nada clamar,
os segundos perderam a identidade. São agora longos minutos,
e estes parecem gémeos das horas vãs que desenham a eternidade.
O tempo entrelaça-se na mágoa, mas ainda assim, perfuma a lembrança.
A convicção de que é bom deixar saudade,
converte-se na fragrância maior em que me aninho.
Aqui e agora, prevalece a certeza de estar sem ti.
Um dia e além, quem sabe…serás tu sem mim.
Neste cais anseio p`la ùltima partida.

domingo, 21 de julho de 2013

As árvores morrem de pé

LUÍS MOTA FILIPE









Outrora foi vida
Mais que amada; desejada
Mais que folheada; floreada
Mais que verdejante; refrescante
Uma princesa da floresta
Uma rainha da sombra
Foi vida…vivida
E deu imenso
E tanto que ofertou
Sempre presenteou…tanta vida!
Agora nua e triste
É um resto de tronco escuro
Despida num casco enrugado
Carregado de fendas
São as marcas de um passado
Agora…ali, em tons de secura profunda
Habita apenas a solidão e o abandono
Hoje…somente, um palco de cortes
Um misto de golpes
Um punhado de rasgos
Já não vive das estações do ano
Desconhece a chuva, sol e vento
Habitando nela apenas…o silêncio!

Mas sempre… sempre de pé!

Luis da Mota Filipe)
Anços-Montelavar-Sintra-Portugal

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Veraneando

LUÍS MOTA FILIPE









Veraneando…
Cortei as correntes da tristeza,
Soltando-me das amarras da solidão,
Que me prendiam como garras,
E abrindo as asas em gestos de liberdade,
Respirei a teu lado…juntos saudando a maresia,
Viajando encantado sobre as ondas da amizade.
O baloiçar das marés ditava os acordes,
Enquanto raios de Sol coloriam a melodia,
Também as nossas palavras alindavam o poema,
Aquele poema que dava vida à mais quente canção,
Com a qual nós dois brindamos a chegada daquele Verão.


segunda-feira, 3 de junho de 2013

Sintra Encantada- um poema de Luis Mota Filipe

LUÍS MOTA FILIPE









Sintra,
De Saloia apelidada
Vila Velha tão conhecida
Mulher, Rainha e amada
Fidalga, nobre, bem querida;

Sintra,
Palaciana e mourisca
Guardando lendas e enredos
Tesouro de graça e mística
Por esconder tantos segredos;

Sintra,
De natureza abundante
Deslumbrando mil olhares
Desde a Serra verdejante
Até aos mais belos mares;

Sintra,
Sabe ser dos namorados
Que nas fontes juram amores
Deixando também apaixonados
Tantos Poetas e Pintores;

Sintra,
Calçadas gastas trilhamos
P`los seus becos e escadinhas
E nos musgos murmuramos
Quando não espreitam vizinhas;

Sintra,
Vou descobrindo no seu povo
Traços de força e humildade
Que imploram num sorriso novo
Um mundo de Paz e verdade;

Sintra,
Sempre fresca e natural
Misto de eterna emoção
Património Mundial
Que trago em meu coração, minha musa de eleição.

In:”geoGRAFIA do Silêncio”, Ed.Edium Editores,2010.

Luís António Silvestre da Mota Filipe, nasceu em Lisboa a 7 de Agosto de 1970. A infância e a adolescência viveu-as entre Anços (Montelavar), onde actualmente vive, e a Vila de Sintra.Tem visto seus trabalhos publicados na Imprensa Local e Regional, ao mesmo tempo que vem participando em Antologias / colectâneas e diversas tertúlias poéticas assim como concorrendo a vários concursos de Jogos Florais, obtendo alguns prémios e menções honrosas.Participou como Letrista de Fados, Marchas e canções, para peças de Teatro de Revista à Portuguesa, entre os anos de 1996 e 2006.
Em Março de 2009, a sua primeira obra poética «O Despertar dos Sentidos» numa edição de autor, prevendo lançar um novo livro de poesia no Outono de 2010.Em Dezembro de 2010, o livro de Poemas "geoGRAFIA do Silêncio", com prefácio de Susana Custódio, editado pela edium editores. Em 2012, o livro de poesia /prosa poética "Sentimento Maior ", com a chancela da Chiado Editora. É sócio  da Associação Portuguesa de Poetas - A.P.P