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quinta-feira, 9 de outubro de 2014

A Lua mais bela

JOÃO AFONSO AGUIAR










Luz de velhos amores,

os poetas de ti são cantores,

e dos seus fados desafiantes.


Os olhos são natureza,

os cabelos raios de Apolo,

que o mar namora em leveza,

e as estrelas ornam o encanto.


Por ela me apaixonei,

e sou mais do que serei,

ao ver a Lua mais bela

que em Sintra encontrei.


Sintra, Agosto de 2014,

João P. Afonso Aguiar

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Procuro só a beleza etérea em vão


JOÃO AFONSO AGUIAR










Procuro só a beleza etérea em vão:

Nas cinzas da frustrada conquista,

Impulsionada pelo desejo narcisista,

Ficaram os estigmas da destruição.


Foi-se a esperança de felicidade

Num tempo sem heróis nem bravura,

De frívolos indolentes sem lisura,

Que em demónios fitam a virtude.


Sobeja pois a amarga solidão:

Da gruta e da bucólica poesia,

Até à partida eterna da visão


De que a vida sem sabedoria,

E a beleza que alumia o coração,

Não é mais que brutalidade vazia.


João P. Afonso Aguiar

Sintra, 14 de Setembro de 2014

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Só- Um poema de João Afonso Aguiar

JOÃO AFONSO AGUIAR









Só


Sinto, só, o solo

árido e torrado

e apodreço-me


Bebo, só, o vinho

ácido e martelado

e esqueço-me



Como, só, a carne

azeda e malcheirosa

e adoeço-me


Durmo, só, o sono

intermitente e atormentado

e canso-me


Leio, só, o livro

alegre e alienado

e aborreço-me


Procuro, só, o amor

verdadeiro e tolerante

e perco-me


Vivo, só, o momento

necessitado e expirado

e, de vós, retiro-me



João P. Afonso Aguiar

Sintra, 1 de Junho de 2014

domingo, 27 de abril de 2014

Despejados de nós

JOÃO AFONSO AGUIAR














Despejados de nós,

ardentemente tudo ambicionamos:

Fortuna, fama, ser amados,

Deuses dos próprios fados…

Mas em tudo nada vemos.



Somos seres pendentes

no vazio de nada saber;

Se perdida a beleza de ser

e de criar formas elegantes;

Somos tempo sem passagem

uma liberdade sem voz…

Ó despejados de nós!

Ficará o reflexo de apenas ter.



Somente a harmonia,

de ser feliz existindo

na natureza com poesia

nos oferta um indício sério:

da vida ser um mistério

desvendado quando vivido.





João P. Afonso Aguiar

Sintra, 29 de Março de 2014


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Os meus sentimentos são nómadas

JOÃO AFONSO AGUIAR










Os meus sentimentos
são nómadas,
e regressam sempre
aos meus momentos
únicos e felizes.

Errantes em equívocos,
ignotos e indolentes
vivem vários presentes…

Em tudo são parcos,
ávidos de alguma coisa
a que não podem voltar.

Não têm pátria nem tempos
e partem desses presentes
para ao passado regressar…
À infância
dos meus momentos
únicos e felizes.



Sintra, 10 de Fevereiro de 2014 
João P. Afonso Aguiar

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Não é mero Inverno

JOÃO AFONSO AGUIAR









Não é mero Inverno
o vento que eleva
o frio que gela
e a água que tudo leva.

São sensações…
Oferecidas por vós, ó Deuses,
no refúgio onde vamos sós
em desiludidos corações.

Assim, quando oiço
a chuva a cair, paro,
e tento descobrir
onde cai ela dentro de mim.
Porque tudo nos eleva,
nos gela e nos leva,
nos Invernos que passam por nós.
Não com a firmeza dos factos naturais
mas na incerteza das belezas existenciais.

João P. Afonso Aguiar
28 de Janeiro de 2014
Praia das Maças

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Romeu

JOÃO AFONSO AGUIAR










Romeu está morto.

Os pássaros despertam e voltam a cantar.


Foi entre os homens

uma tragédia vivida.

Naquela fatídica madrugada

por uma alma perdida.


Na noite

Um coração não conseguiu ver

que entre a escuridão

uma chama dormia para o ter.


Ó alma cega!

Que te aconselhas pelo coração

com ânsia impossível de viver

na eterna solidão.


Ó sentimentos!

Quanta jactância e intrépidas acções

se cometem no delírio das paixões!


(São gestos que esbarram na vontade

dos executantes do Destino)


A noite gela

num corpo insepulto…

Uma brisa passa

e levemente faz mexer a curta flora…


Espreita finalmente a aurora,

a tragédia é a demora

que levou o amor a despertar…


Um grito surge.

Um amor que desafia a morte.

Os pássaros despertam e voltam a cantar.

Romeu está morto.

domingo, 10 de novembro de 2013

Sorriso de ternura

JOÃO AGUIAR












 
Perco-me no mundo em visões,

em estado de hipnóticas sensações

quando sinto o teu sorriso de ternura…

no encontro desejado com o meu olhar.



São momentos que o tempo perdura,

na construção de monumentos para a eternidade,

cuja beleza da sua contemplação me faz pensar:



“O amor intemporal não tem idade

E os segredos dessa felicidade pura,

São intangíveis a este falível pensar”.